Sobre Ândi Garcia

Profissional de computação, amante das letras, pseudo-violonista do lar, uspiano, corinthiano, maloqueiro e sofredor. Graças a Deus.

A primeira vez em que almas se encontram é quando tudo realmente acontece. Os bons momentos, as boas sensações, as conversas inesgotáveis, os gostos comuns, as bobagens que serão lembradas por toda uma vida, com um perpétuo gostinho de quero mais.

No segundo encontro das almas há certa magia inicial. Após longa distância física, enfim o mutuamente desejado reencontro. E logo, a alegria de poder reviver todo o velho encantamento é substituída pela triste constatação de que algo ficou perdido nos distintos caminhos, às vezes antagônicos.

O terceiro encontro já não é de almas, apenas físico, e ainda assim, distante. No lugar da empatia, a apatia. Ali já não há mais nada, no máximo um incômodo constrangimento de tanta confidência e intimidade trocadas com um, agora, estranho. E talvez a lição para vigilarmos nossas melhores relações, a fim de que elas permaneçam sempre em seu primeiro, único, e aí sim, quem sabe, eterno encontro de almas.

 

Experimente colocar um violão no colo de uma criança. Tudo que ela faz (e tudo que ela consegue fazer) é o famoso quem-qué-pão. Isso porque toda a noção que ela tem de violão é a movimentação da mão direita (a mão que vai sobre o corpo do violão – pode ser a esquerda, para os canhotos) sobre o instrumento.

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Alego reticente

A vossa senhoria

Que não há mal intento

Em minha cantoria

Se há ledo engano

De fato não haveria

Ao som desse canto

Toda noite todo dia

Se de ti fosse eu

E você minha alegria

Secaria meu pranto

Romperia o encanto

Encolheria num canto

E jamais cantaria

Almendra – Ana No Duerme

A arte desmistifica a vida. Destrói a imagem imaculada e sorridente envolta em rabiscos imperfeitos de sóis amarelos, iluminando verdes campos e casinhas de sapês.

A arte dá à vida os filmes humanistas de guerra, as fúnebres canções de amores perdidos, as poesias malditas, as impressões imprecisas de Monet, as tragédias dramáticas de Shakespeare… E assim a arte está para a vida não como um imitador barato, senão como seu próprio criador. Porque não há mais sentimento sobre a linha do horizonte, ao som do mar e a luz do sol, que dentre quatro paredes, sob um bolero portenho e ao calor nativo do peito.

Computadores fazem arte quando nossa alma é virtual.

É puro e escuro

É claro e raro

É singelo e belo

É casto e vasto

É viril e gentil

É vital e carnal

É pleno e sereno

É quente e latente

É chão e paixão

É perto o incerto

É nobre certeza

É certa nobreza

É giz aprendiz

É mudo desnudo

É sério mistério

É fado adorado

É fato recato

É festa modesta

É foz atroz

É peito

É leito

É trilho

É brilho

É moderno

É eterno

É esmero

É sincero

É meu

É seu

É nosso