Muitas pessoas me pedem ajuda quando pensam em criar seus próprios sites, blogs, ou, porque não, as duas coisas numa só. Também já criei sites e blogs de várias maneiras, coletivos ou de uso pessoal, desde o rústico e mal tratado Concha Acústica, no antiguíssimo hpG, há uns 10 anos, quando ainda não tinha nenhum conhecimento técnico, seguindo apenas o que aprendi num tutorial do Dreamweaver 2, e usando tralhas como frames e gifs animados, que hoje são aberrações para os profissionais da Web.
Se você pensa em criar seu próprio espaço na rede, seja pessoal, profissional ou coletivo, mas não é um profissional da área, a principal dica que posso lhe dar é: não queira reinventar a roda.
Leve em consideração que muitas pessoas e empresas capacitadas já gastaram bastante tempo desenvolvendo e agrupando componentes que tornarão sua vida muito mais fácil na hora de publicar e, principalmente, manter um site. Também lhe fornecerão uma infinidade de plugins e widgets que agregarão funcionalidades capazes de tornar seu site mais polivalente do que você, mesmo sendo uma pessoa bastante criativa, poderia imaginar.
Portanto, só considere abrir um editor e sair escrevendo código HTML em cinco situações:
- Se você é um designer Web e sabe o que está fazendo (o que quer dizer que, provavelmente, só escolherá essa opção nas condições abaixo, ou em algum caso especial).
- Se você for construir um site estático, com alterações raras, e com no máximo 5 páginas. Ainda assim, se não satisfizer a condição 1, procure usar editores “visuais” de páginas (tipo o Dreamweaver, ou o FrontPage), e, principalmente, um template fixo.
- Se você precisar dar uma cara ao site muito bem definida na sua cabeça, e que você não encontre em nenhum template pronto das ferramentas prontas, não saiba modificá-las para conseguir isso, e não tem dinheiro pra pagar alguém que faça isso por você.
- Se o site for todo em Flash (e você souber flash, é claro).
- Se você tiver algum tipo de prazer masoquista em aprender essas coisas, que mudam com certa rapidez, e estiver com tempo sobrando, nenhum prazo, e não se importar muito com o resultado final.
Em qualquer outro caso, considere uma das alternativas que apresentarei a seguir, em ordem crescente de complexidade e flexibilidade. São as alternativas que eu já usei um dia, ao menos para testes, e das quais posso falar, mas para cada uma delas sempre há similares por aí.
Google Sites
É a opção mais simplista possível, e você não leva cinco minutos para criar. Você só precisa entrar em sites.google.com, fazer o login com uma conta Google que provavelmente você já possui, escolher um nome e um modelo pro seu site, e pronto.
Você cria e edita páginas por um editor de textos simples, e sempre seguindo os modelos disponíveis. Há também alguns temas disponíveis, todos “meigos”, e é muito prático para escolhas e trocas. E dependendo do modelo que tiver escolhido, já terá funcionando algumas ferramentas, como um blog simples, o Google Calendar, Picasa, e etc.
Mas é só. Não queira alterar a posição do título, formato, tamanho da fonte dos itens do tema, muito menos inventar algum recurso próprio que não dá.
Você poderá deixar seu site público ou compartilhar apenas com quem quiser. O endereço de acesso será, necessariamente, algo do tipo sites.google.com/site/nomequedeuaosite.
Vantagens: É muito fácil, rápido, e de custo zero.
Desvantagens: Os recursos são bastante limitados, e não há possibilidade de usar um domínio próprio, ou seja, um endereço do tipo www.meusite.com.br. Com isso também seu site ficará preso ao Google pra sempre. Nem adianta querer migrar um dia.
É bom pra quê? Pra situações temporárias, por exemplo, quando precisar de algo rápido pra compartilhar informações e arquivos com seus amigos ou sua turma da escola.
Similares: hpG, Webfácil, entre outros (muitos), sem a mesma integração com o Google, claro.
Site de exemplo: sites.google.com/site/testedoandigarcia
Blogger.com ou WordPress.com
Se tudo que você precisa é um blog, e não liga muito para recursos extras, o Blogger.com fará esse papel pra você. Também tem a comodidade de você poder integrar com sua conta Google. Possui editor prático e eficiente e uma infinidade de modelos de template prontos, que são relativamente fáceis de editar (com pouco conhecimento de HTML, e uma rápida lida nas “tags” disponíveis pelo sistema deles, você pode rearranjar as informações como quiser). Mas é um blog. Mostrará os posts como um blog convencional, com marcadores e tudo mais que um blog tem que ter.
O WordPress.com também oferece tudo isso, porém, tem mais recursos. Você pode adicionar páginas, menus, e uma infinidade de plugins com os mais variados tipos de recursos, do tipo integração com redes sociais, galerias de fotos, entre outros. Pra oferecer tudo isso, a edição dos temas ficou um pouco mais complicada, e exige algum conhecimento de PHP. Mas é mais flexível também.
Os dois sistemas operam diretamente nos servidores deles, ou seja, você não precisa se preocupar com hospedagem e instalação, basta criar seu site e configurá-lo. O endereço, por padrão, terminará em blogspot.com (para o Blogger) e wordpress.com (para o WordPress), mas você pode utilizar seu próprio domínio para abri-los. No WordPress, isso é pago (mas não é caro). E no Blogger, se eu não me engano, o domínio tem que ser .com, .net, .org… Os nacionais (.com.br, por exemplo) podem não funcionar.
Vantagens: Rápido, prático, não requer instalação e permite uso de domínio próprio.
Desvantagens: Algumas restrições de uso, precariedade de recursos (no caso do Blogger), ou dificuldade para personalização (no caso do WordPress).
É bom pra quê? Como eu disse lá no começo, se tudo que você precisa é um blog, ou uma site pessoal prático e sem muitas frescuras, é suficiente.
Similares: LiveJournal, Blogster
Sites de exemplo: anderson-garcia.blogspot.com
Squarespace
O Squarespace funciona como o WordPress.com, ou seja, hospedado. O que quer dizer que você também não precisará de instalação, nem de servidor de hospedagem próprio. A diferença é que o Squarespace já nasceu para servir tanto para blogs quanto para websites maiores, enquanto o WordPress foi concebido para oferecer blogs, e depois foi sendo aprimorado e expandido. Com isso, hoje o Squarespace é uma ferramenta com mais recursos e com melhor infraestrutura para suportar sites maiores.
Vantagens: Todas as do WordPress.com, só que com mais recursos, principalmente para edição visual do site. Não requer conhecimento de HTML e CSS.
Desvantagens: É pago (embora não seja caro).
É bom pra quê? Pra quando se quer um site, e não apenas um blog, mas não quer ficar preso a ninguém de TI. E esteja disposto a pagar um pouco por isso.
Sites de exemplo: www.squarespace.com/examples
WordPress
Como assim, WordPress de novo? Sim. Porque, como eu disse, a opção disponível no WordPress.com roda no próprio servidor. Mas você pode ter sua versão instalada (disponível gratuitamente em WordPress.org) em seu servidor de hospedagem. O que lhe dará muito mais flexibilidade na customização do site, e na utilização de outros recursos de um servidor de hospedagem. Um exemplo, com essa alternativa, você pode criar todos os endereços de e-mail que necessita com o endereço do seu domínio, e colocar um menu no WordPress que abra o webmail disponível. Pode enviar arquivos em lote, por FTP, e, principalmente, pode criar e utilizar um banco de dados para incluir informações em seu site. Claro que, neste caso, precisará de um pouco de conhecimento em PHP para buscar essas informações no banco (ou talvez encontre algum plugin capaz de fazê-lo por você).
Vantagens: Traz todos os benefícios da versão “remota”, e acrescenta flexibilidade, portabilidade e utilização de recursos do servidor de hospedagem.
Desvantagens: Requer um plano de hospedagem com suporte a PHP e MySQL (existem gratuitos), e instalação do WordPress (basicamente, fazer upload, descompactar e configurar). Requer conhecimento básico de PHP para fazer modificações nos temas e plugins, se desejado.
É bom pra quê? Dá pra fazer praticamente tudo que um bom gerenciador de conteúdo (ver próximo item) faz. Após o lançamento da versão 3, muitos apostam que seja a nova tendência para a produção de sites pessoais e corporativos.
Similar: MovableType
Site de exemplo: anderson.blog.br
Joomla e Drupal
São dois dos CMS (Content Management System, ou simplesmente gerenciadores de conteúdo) mais populares no Brasil, e em boa parte do mundo. Gratuitos e de código aberto, eles são instaláveis, configuráveis e completamente customizáveis. Possuem comunidades de usuários e desenvolvedores bem grandes, o que contribui para a disponibilização de templates, módulos e plugins para quase tudo, além de facilitar na hora de buscar ajuda.
O uso básico é a inserção de postagens (artigos), páginas e menus, permitindo controle sobre todos esses itens quanto a acesso (quem pode acessar e quando), disposição, publicação, estilo, e etc. Ou seja, somente com a instalação padrão é possível ter acesso a tudo isso sem ser necessário nenhum conhecimento técnico. Somente utilizando o editor de textos próprio do site, e opções e configuração auto-explicativas.
A instalação padrão do Joomla traz ainda suporte já instalado para enquetes, publicidade, estatísticas, entre outras. Cito o Joomla, pois, dos dois, é o que tenho mais experiência de uso, mas não me arriscaria a dizer que é melhor. Para isso vale sempre aquela velha regra: o melhor é o que a gente sabe usar. Mas o Drupal é mais usado, mundialmente.
Vantagens: Facilidade de uso para as mais variadas necessidades, uma infinidade de recursos extras e comunidade bastante atuante.
Desvantagens: Às vezes as possibilidades são tantas que algumas pessoas se confundem no começo. Requer um plano de hospedagem com suporte a PHP e MySQL (existem gratuitos), instalação e configuração (a maioria dos serviços de hospedagem oferecem instalação desses gerenciadores por alguma ferramenta do painel de controle do site).
É bom pra quê? Pra qualquer tipo de site que necessite manutenção e atualização constante ou periódica.
Similares: Xoops, PHP-Nuke, b2evolution, Mambo, TYPO3, e muitos outros.
Sites de exemplo: www.joomla.org, www.usp.br
Usos específicos
Se o seu site tiver alguma função mais específica, vale a pena conferir se não há uma alternativa voltada para o seu objetivo. Alguns exemplos:
Magento: gerenciador de conteúdos completo para eCommerce.
Moodle: ferramenta de apoio à aprendizagem.
phpBB: gerenciador de fóruns.
CakePHP
Se você é programador PHP e quer criar um site independente, sem CMS, mas não quer sair do zero, pense na idéia de usar algum framework. O CakePHP não é o mais usado, e possivelmente esteja ficando pra trás, mas é bastante útil e prático, e de comunidade atuante também. Foi desenvolvido para ser uma versão PHP do Rails. Não chegou lá. Mas é bacana. Fornece fácil integração com JQuery, YUI, entre outras bibliotecas que tanto facilitam nossas vidas.
Site de exemplo: este aqui.
Considerações
As principais vantagens de utilizar softwares já existentes na hora de criar um site é que trazemos agregado todo o conhecimento já empregado em seu desenvolvimento, o que geralmente torna a solução mais robusta (com prevenções à falhas) e completa. Além disso, podemos sempre aproveitar atualizações e novas idéias que a comunidade do software livre disponibilizar para o produto escolhido. Com isso, nosso site poderá ser facilmente atualizado enquanto houver quem desenvolva para aquela ferramenta. Alguns consideram isso uma desvantagem, pois significa que se o suporte ao software cessar um dia, o site ficaria estancado até que se decida pela migração total para outra plataforma. Mas acredite: isso também acontecerá se fizer o site por conta própria. Não há como mantê-lo atual, para sempre, com pequenas alterações. Uma hora terá que reinventá-lo!
Tendências
É difícil falar em tendências para tecnologias, sobretudo porque todas as ferramentas estão em constante processo de melhoria e crescimento. Na revista W do mês passado, por exemplo, havia uma declaração do criador do Squarespace, dizendo que as versões “instaláveis” estavam com os dias contados. Mas na mesma edição, um dos responsáveis pelo Drupal falava sobre seu crescimento, e que já se aproximava do WordPress (o mais usado). E rebatia a teoria cara do Squarespace, pois as versões instaláveis sempre permitirão ir além. Curiosamente, estão lançando uma versão hospedada do Drupal (drupalgardens.com).
Só que nesse meio tempo saiu o WordPress 3.0. E posso garantir: é muito bom! A opinião que ouvi de algumas pessoas da área é que cada vez mais veremos sites feito com esta ferramenta, seja na versão instalada, seja na versão hospedada.
Há aqueles que acreditam que tudo isso será “engolido” pelas redes sociais, ou seja, você não precisará ter um site, pois seu Facebook agregará tudo o que necessita.
Também será importante avaliar qual será o impacto do HTML5 sobre tudo isso, já que a versão promete agregar às marcações nativas muitos dos recursos mais usados através de componentes externos.
Time is money
Ainda que as soluções acima sejam relativamente práticas, e incentivadoras do do it youself, se você não é um profissional de TI, não tem nenhum conhecimento prévio de HTML e CSS, e o tempo é algo precioso para você, considere uma ajuda técnica, de um desenvolvedor ou designer, até deixar o site com a cara que deseja. Com tantos recursos, e principalmente se você já tiver em mente o que quer, fica mais fácil para o profissional, e consequentemente o custo não será tão alto. Assim, pode ter um produto final de melhor qualidade em pouco tempo, e empregar o seu tempo com atividades mais produtivas na sua área. A menos que queira “se divertir” brincando com essas ferramentas.
O mais importante aqui é a praticidade para manter e atualizar o site depois.
Próximos capítulos
Na continuação desta série voltarei ao assunto do HTML5, e também falarei sobre ferramentas de buscas, widgets de redes sociais, entre outras quinquilharias. Na parte 2 o tema será hospedagens e domínios. Mas prometo que será algo bem mais sucinto.