Presidente: Carlos Marques
Curso: Ciências Sociais
Carlos é o típico vermelhinho, marxista-leninista, embora sempre confunde-se em suas citações, que em noventa porcento dos casos remetem a Bakunin e até a Maquiavel. Chegou ao campus, há cerca de oito anos, para cursar Biofísica, mas entre uma teoriazinha da relatividade aqui e um baseadozinho ali, começou a filosofar. Começou leve, pequenas citações socráticas… Mas logo foi dominado de súbito pelo espírito de Rosseau, e passou a delirar sobre idéias de um mundo perfeito, com educação exemplar, e uma sociedade igualitária. Foi nessa época que recebeu por e-mail um PDF com a íntegra do Manifesto do Partido Comunista. Aí, não tinha mais volta. Deixou a barba crescer, comprou sua primeira camiseta com a estampa do Che, liderou algumas revoltas contra professores, como representante de classe, até que, após uma ríspida discussão sobre os valores sociais das cobaias de laboratório, decidiu transferir-se para um curso de Humanas.
Ele ainda estava no ínicio do segundo ano de faculdade quando tomou a decisão, mas o repúdio de seu pai foi tamanho que decidiu cortar a mesada do filho. Carlos não esbravejou, senão por um discurso de desapego material, onde chamou seu pai de “burguês opressor”. Perdeu também o dinheiro para o aluguel da república. Nada que abalasse as convicções do jovenzinho, afinal, a comida do bandejão e um pequeno espaço no alojamento era só o que ele precisava naquele momento.
No curso de Sociais, Carlos encontrou-se. No entanto, seu espírito intempestivo continuava a lhe causar problema com os professores, e agora isso tinha impacto direto na nota. Além disso, ele estava interessado mesmo era nas atividades extra-classe, e foi assim que começou a formar sua força de liderança estudantil. Tinha discurso eloqüente, embora comumente sonolento e invariavelmente idealista demais. Ajudava a ele o seu charme e, a despeito das barbas, sua elegância. Era popular entre as estudantes, sobretudo as bixetes. Como ele obviamente nunca daria conta de todas, apesar de sua fama de pegador, o grande número de mulheres que o rodeavam atraía também aos homens, que aproveitavam a oportunidade para escapar da sala de aula.
Logo, sua chapa estava formada, basicamente composta por bixos-vermelhinhos-em-potencial, jovenzinhas recém-encantadas e a rapaziada do truco.
(no próximo capítulo, a 1ª Secretária, Simone de Brito)


