Nos olhos ainda queima a morna chama das guerras seculares.
A alma.
Suor e sangue de exércitos tantos que lutaram por grandes reis.
Nobres ideais.
Eram as incessantes batalhas mortificando famílias inteiras e o tilintar de espadas se enfrentando que abriam passagens eternas pela carne humana.
Ainda sangra.
E a inesgotável força advinda de uma admiração incondicional, quente e fulgaz, veste uma armadura nobre refletindo coragem, pensa.
Pura devoção.
Obediência aos imperiosos reis e suas precisas ordens, ecoando por largos salões de ouro e rubis.
Cegueira.
Esse guerreiro tem certeza de que vive.
Engana-se.
Eu digo que ele vaga perdido pelo mundo.
Que busca sua quase glória nas grandes vitórias do passado findo, nas suas batalhas perdidas, talvez, e ainda mais no amor que lhe foi arrancado à força da voz de um mufino rei.

E voce, obedece ao seu rei? Ou pensa ser um?

Entre os dedos colocarei meus amores imperfeitos
Tocarei aquele que acabou porque o tempo errou
Lembro que pela manhã decidi esquecer
E foi quando eu fiz minha cinza vida emudecer
Se foi vontade de Deus, vou reclamar
E culpar o resto do mundo pelo dia em que quase cansei de amar

Se te parece triste, não sejas bobo
O mesmo acontece com teu coração frágil
Digo que mais tarde percebemos
Mesmo quando o tempo erra
A gente sempre encontra quem o conserta

Vou tomar sua solidão com minhas mãos
E lançá-la aos céus como quem liberta um grande pássaro
Vou fazer uma cama de flores pra você deitar seu cansaço, seus dias pesados
Eu vou polir o espelho e lhe apagar alguns anos
Vou cuidar de você com um grande abraço

Parabéns, querida. Muita saudade de você no meu peito.

Segunda-feira e tu fechas os olhos para lembrar os dias
E, quem sabe, trazer de volta o laranja daquela tarde
A música dos meus olhos, só tu sabias

E cansa teu corpo com essa maldade
A falta que faz, a tal felicidade
Aperta teus olhos, quase sem vontade
Querendo alcançar o que te escapa

Meu vestido vermelho te atormenta
E a doçura do beijo
O ardor do desejo
A cor de minh’alma

E tua mão tateia teu peito enquanto tudo é escuridão
Uma pena
Porque teus bobos dedos ainda me procuram em vão

Pro teu silêncio ficar azul da cor dos meus pensamentos
Pra música ficar mais alta, tão alta quanto minhas vontades
Pra fazer tuas mãos correrem a imaginação das curvas, sentirem o perigo do desconhecido, saberem a ânsia do novo
Pros provérbios e os ditos calarem os outros
Pro futuro ficar atônito e deixar-se emudecer
Eu escondi as palavras pra tua boca ficar muda
E eu enchê-la com um beijo inteiro