Só houve um sussuro de apelo
dos filósofos adormecidos e em parte embriagados
Que para mim foi como um grito ao sossego
desrespeitando os meus dedos calejados
Que de tanto escrever, fiz um ensaio estragado
amarrado aos acontecimentos antepassados
Acabando por arrebentar a mente do corpo cansado
então larguei a caneta e desisti dos meus inventados
Como se não bastasse, sacudiram-se também os dramaturgos
endoidecidos com as minhas junções insolentes
Fazendo-me esconder entre corpos surdos
para não ouvirem minhas frases dementes
Sou sim um aspirante a escritor: um amador
Me desculpem os sábios cronistas
Por tentar retratar inultimente a minha dor
de formas exuberantes e esquisitas
Desculpas também aos psicanalistas mortos
que titulam este pobre poema rimado
Mesmo depois de terem deixado o mundo aos tortos
sofrem inocentemente e meu deixam culpado
À minha analogia, desritmada, sem harmonia
(Neste momento peço perdão aos músicos)
Dedico estas breves e longas palavras sem melodia
Desculpem-me a todos mas eu tenho que escrever:
A teoria mais complexa de que eu já ouvi falar
Conta a história de um corpo doente
que milhões de vermes ao mundo promete
para que possa, ao falecer, se vingar
Teoria, esta, sem fundamento
(inventei-a agora para expressar minha incompetência)
Teoria, que se torna quadrada e redonda ao meu contento
que vira e desvira de cabo a rabo à minha inteligência
Pois para mim, os psicanalistas, deviam ser gênios
E eu queria ser Gênio, ou mesmo Eugênios
mas que tivesse alguma importância para redondo
para me atirar do precipício como um tonto
(Sábado, 07 de Maio de 2005)