AnnA

Doença

Na mansidão devastada de um sorriso frágil
A descrição momentânea de um sonho palpável
Pálido, torna-se espírito brilhante
Sábia alma refexiva circundante

Porque olhando o horizonte do oceano
o vento abraça-lhe num constante
movimento gelado e momentâneo
Escapando à sua face por instante

Saiba que debaixo daquela imensidão
apenas permanece sua matéria
e que agora seu corpo se tornará são

Não restará mais palidez ou doença
Suas asas te levaram ao céu
Para mais uma vez atender a sua crença

(Sábado, 04 de Junho de 2005)

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Ao meu amor

À noite, quando a lua clama
Eu penso em você
Nas manhâs, quando o sol vem abençoar os meus olhos
eu penso em você
Profundissimamente amando-te
E sinto o cosmo sobre os meus cabelos
Traduzo os olhares mais complexos
E descubro o sentimento
Que fervendo
Enlouquece, rasgando a velocidade do tempo
E sedento
Escapa, por entre meus lábios dizendo
“Aspiro, com o coração em chamas
E este palpita excessivamente rápido
E abro os olhos, mas continuo sonhando
E beijo-te, ainda sonhando
E vivo-te
E continuo te amando”

(Sábado, 28 de Maio de 2005)

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A Psicanálise Redundante dos Psicanalistas Redondos

Só houve um sussuro de apelo
dos filósofos adormecidos e em parte embriagados
Que para mim foi como um grito ao sossego
desrespeitando os meus dedos calejados

Que de tanto escrever, fiz um ensaio estragado
amarrado aos acontecimentos antepassados
Acabando por arrebentar a mente do corpo cansado
então larguei a caneta e desisti dos meus inventados

Como se não bastasse, sacudiram-se também os dramaturgos
endoidecidos com as minhas junções insolentes
Fazendo-me esconder entre corpos surdos
para não ouvirem minhas frases dementes

Sou sim um aspirante a escritor: um amador
Me desculpem os sábios cronistas
Por tentar retratar inultimente a minha dor
de formas exuberantes e esquisitas

Desculpas também aos psicanalistas mortos
que titulam este pobre poema rimado
Mesmo depois de terem deixado o mundo aos tortos
sofrem inocentemente e meu deixam culpado

À minha analogia, desritmada, sem harmonia
(Neste momento peço perdão aos músicos)
Dedico estas breves e longas palavras sem melodia
Desculpem-me a todos mas eu tenho que escrever:

A teoria mais complexa de que eu já ouvi falar
Conta a história de um corpo doente
que milhões de vermes ao mundo promete
para que possa, ao falecer, se vingar

Teoria, esta, sem fundamento
(inventei-a agora para expressar minha incompetência)
Teoria, que se torna quadrada e redonda ao meu contento
que vira e desvira de cabo a rabo à minha inteligência

Pois para mim, os psicanalistas, deviam ser gênios
E eu queria ser Gênio, ou mesmo Eugênios
mas que tivesse alguma importância para redondo
para me atirar do precipício como um tonto

(Sábado, 07 de Maio de 2005)

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AnnA

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