Sobre Day

Nascida em Goiás sob o signo de Escorpião. Apaixonada por filme, música, poesia e fotografia. Farmacêutica por profissão e por vocação. E escritora por atrevimento mesmo.

Fidelidade s.f. 1. Qualidade de fiel. 2. Lealdade. 3. Exatidão; pontualidade.

Fiel adj. 1. Que cumpre o que prometeu. 2. Exato; pontual. 3. Verdadeiro; verídico. 4. Que não engana o cônjuge.

Fidelidade é uma coisa engraçada. Apesar do que diz o conceito aceito pelos dicionários, cada um tem sua definição de Fidelidade e, mais que isso, uma maneira de encarar a traição. Já dizia Rouchefoucauld: “Perdoa-se na medida em que se ama.” Talvez seja mero reflexo da minha inexperiência, como já disseram alguns, mas acredito que seja este o único crime sem perdão: a perfídia.

Traição abrange mais que o sexo eventual com a colega de trabalho ou que os beijos descompromissados com a beldade que desfilava pela orla marítima. Estes são apenas exemplos que descrevem o desejo da carne. Psicólogos de ambos os sexos passam a vida escrevendo livros que tentam debalde provar que a infidelidade masculina está nos genes dessas criaturas XY, genes que sobreviveram ao longo das gerações.

Mas igualmente maléfica, ou ainda mais, é a traição não-física. Mais comum entre as mulheres, geralmente vai além do desejo e acaba por tornar-se um amor platônico. Um amor puro, verdadeiro e incondicional, porém abstinente do toque.

Os mais céticos que me perdoem, mas, como Nikka Costa, “I believe in love”. E acredito num amor livre da necessidade de qualquer um dos tipos de traição. Um amor baseado na confiança e na cumplicidade. Um amor que dispense uma terceira pessoa para sentir-se completo. Mas antes que venham os tomates (ou os confetes, nunca se sabe), tenho consciência de que essas relações só estão presentes nos já manjados romances-água-com-açúcar ou nos filmes da Disney. Fora das telas, a palavra de ordem é “malícia”.

Os utópicos hão de concordar comigo: há poucas coisas mais deliciosas que conhecer, devagarinho, a pessoa que traz “luz à nossa vida e fogo à nossa carne”. O cheirinho gostoso do cabelo dela ou a velha mania que ele tem de dormir com meias. Ela se esquecer de pegar a toalha e ele sempre deixar uma mensagem carinhosa no espelho. São essas peculiaridades que fazem com que ambos se sintam completos e se tornem inesquecíveis um ao outro.

E quando alguém lhe perguntar o que você viu de tão especial, é desafortunado tentar explicar; ninguém, além dos dois, será capaz de compreender. Eis cumplicidade. Eis a verdadeira fidelidade.

“Aquele que conheceu apenas a sua mulher e a amou sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil.” (Leon Tolstói)

A simetria é algo tão fantástico que até o universo conspira a favor dela. A simetria é o ponto mais próximo que se pode chegar da tão almejada perfeição. Sim, o mais próximo. Fazendo bom uso do raciocínio lógico, pode-se constatar que perfeição é sinônimo de ideal. Ideal é antônimo de real. Logo, perfeição não existe na realidade. Não na nossa. Quem sabe na Matrix, mas isso é outra história.

Nós, meros mortais, não passamos de zigomorfos: possuidores de um único plano simétrico – mas com orgulho! A julgar por graus de simetria, a taça com certeza ficaria com o formato esférico. Além de ser actinomorfo (vários planos simétricos), toda e qualquer coisa ou criatura que esteja entre o céu e a terra é composta de micro estruturas esféricas: os famosos átomos.

Contrariando a teoria dos gregos Demócrito e Leucipo (infelizmente eu não fui a primeira), podemos citar ainda as divisões do “indivisível”: prótons, elétrons, nêutrons e neutrinos; todos, teoricamente, esféricos.

Apelando para níveis de macro, o resultado ainda surpreende: planetas, estrelas e astros em geral têm, a grosso modo, formato esférico. Sim, esféricos graças à pressão-não-sei-das-quantas, mas ainda assim a informação só contribui favoravelmente, uma vez que os astros adquirem tal forma para que o “mecanismo espacial” funcione de modo eficiente.

Dentro do Sistema Solar, as órbitas dos planetas são [aproximadamente] circulares. Mais precisamente elípticas, cada uma com suas excentricidades. Mas isso não vem ao caso.

Nove planetas (ou seriam dez?) esféricos executando órbitas [quase] circulares ao redor de uma estrela também esférica. Coincidência?

Coincidência ou não, carros, móveis, eletrônicos e o escambau têm ganhado um design cada vez mais arredondado que, além de agradar os olhos, dá um ar moderno e futurista.

É, no mínimo, uma boa hipótese que explica o porquê da preferência nacional (e internacional) por mulheres cheias de curvas e pela cerveja que desce redondo. E, principalmente, pelo nosso Mondo Redondo.