Sobre Felipe Barão

Felipe Barão é mais nobre que uma galinha, mais rápido que uma tartaruga, mais forte que um rato, mais inteligente que um asno, toca violão, não é metido com o partido comunista, sabe ler e escrever desde 1984, pratica a assepsia corporal diária e sonha conhecer o Turcomenistão.

O fim do ano está aí e com ele o bacalhau à doré, o chester defumado, em algumas casas a carne de carneiro, frutas cristalizadas, castanhas, nozes e toda a sorte de guloseimas natalinas, e a promessa do regime sempre adiada o ano inteiro é logo postergada para o ano que vem.

Há também os que já vão para a ceia natalina com a tabelinha na mão: meio bolinho de bacalhau, 1 porção de arroz integral, 3/4 da fatia do peito de peru e olhe lá! Mas o inevitável é que uma hora ou outra, o terrível momento de subir na balança chega e nem sempre o resultado é agradável. Mas não se desesperem: há muito a ser considerado sobre essa informação ponderal. Nem sempre ela é verdadeira. Vamos lá?

Quando nos pesamos, o valor registrado na balança nos informa apenas a força com que a gravidade está nos atraindo para o centor da Terra. desta forma não temos como avaliar o quanto desse peso em excesso está armazanado em forma de gordura, ou músculos, ou ossos, vísceras ou até água.

Raciocinando desta maneira encontramos o porquê de mesmo após um árduo período de treinamento de musculação e atividade aeróbica, nota-se algumas vezes pouca diferença no peso registrado na balança e o quanto isso é um fator desmotivante. Ou até mesmo não entender quando você claramente perde roupas por reduzir cintura ou quadris por exemplo, e não encontra diferença no peso da balança. este é um caso bastante comum e de fácil conclusão.

A diferença estre a gordura e o músculo está na DENSIDADE; a gordura é menos densa do que o músculo e por isso é mais leve e ocupa mais espaço. essa comparação é análoga à história do chumbo e do algodão quando se é perguntado: Qual é mais pesado: 1kg de chumbo ou 1kg de algodão? Todos sabemos que o peso entre os dois é igual, mas 1 kg de algodão terá um volume infinitamente maior do que a barra de 1kg de chumbo.

Entre dois indivíduos também se é notada a diferença de densidade entre as gorduras armazenadas, ou seja, segundo sua genética, um indivíduo pode ter uma gordura mais densa do que outro indivíduo, mas essa gordura mais densa nunca terá a densidade semelhante à muscular. Chamamos vulgarmente de “gordura mole” e “gordura dura”, características estas que não poderão ser modificadas.

Por isso, caros amigos e amigas, muito cuidado na hora de subir na balança e antes de acreditar piamente no que ela disser, lembre-se de que você tem uma composição corporal e ela não é composta apenas por gordura!

Como descobrir o quanto no seu corpo é gordura, músculos, ossos e outras estruturas? Procure um avaliador qualificado na sua academia ou consultório.

Boa ceia!! Feliz Natal!
BIBLIOGRAFIA:
POLLOCK, Michael L; WILMORE, Jack H. Exercícios na saúde e na doença. 2ª ed. Rio de. Janeiro: medsi, 1993.

 

Você já ouviu falar em biotipo? Quantas vezes você já falou ou ouvir falar “ele é magro de ruim?” Ou que “se ele comer um bombom, desanda a engordar?” Ou até mesmo “como ela consegue ter esse corpo tão bem feito sem fazer dieta?”. Logo colocamos a culpa no biotipo, mas será que isso é válido? Existe uma explicação científica a respeito dessa máxima de que temos tendência para engordar, emagrecer ou até mesmo ganhar massa muscular com mais facilidade que outros.

Primeiramente, vamos utilizar a palavra SOMATOTIPO, proposta por Sheldon, que é o termo mais adequado para se referir às classificações físicas do corpo humano, ao invés de BIOTIPO.

Quando nascemos, carregamos informações genéticas de nossos pais que nos impõem uma séria de características como: predominância do tipo de fibra muscular, tamanho dos ossos, número e tamanho dos adipócitos (células onde são armazenadas as gorduras excedentes), entre outras inúmeras que nos dão o caráter mais importante ao homem: a individualidade.

De acordo com o somatotipo, todos nós nos enquadramos mais ou menos em uma dessas classificações:

– ENDOMORFO – se caracteriza pela harmonia e regularidade do corpo. Geralmente apresentam arredondamentos principalmente na região do tronco e nos quadris e tem como principal característica à tendência para o armazenamento de gordura. Ex: Jô Soares, Fausto Silva.

– MESOMORFO – apresenta corpo anguloso com musculatura dura e proeminente. Os ossos são grandes e recobertos por músculos espessos. Apresentam geralmente um tórax mais largo e cintura esguia, antebraços largos e abdômen espesso. Apresentam uma facilidade extrema de ganho de massa muscular. Ex: Mike Tyson, Arnold Schwarzenegger.

– ECTOMORFO – apresenta corpo esguio, os ossos são pequenos e os músculos finos, sem apresentar muita proeminência. São os indivíduos magros. Ex: Marco Maciel, Gandhi.

Os exemplos acima foram citados apenas para visualização e assimilação dos conceitos de endo, meso e ectomorfia, não significando que eles apresentem apenas estes componentes. Não existem indivíduos que apresentem apenas uma das classificações. O que acontece é que uma dos somatótipos é mais predominante do que outros.

Sheldon apresenta um valor numérico para as morfias plenas igual a 7 e então classifica como suposto endomorfo pleno com proporção 7-1-1, como mesomorfo 1-7-1 e como ectomorfo 1-1-7.

Dentro dessas relações acontecem as variações e tendências como, por exemplo: se um indivíduo apresenta uma proporção 3-6-2, ele é um mesomorfo, com características boas para ganho de massa muscular, mas também apresentando uma característica de armazenamento de gordura. Um indivíduo de proporções 1-3-6 é um ectomorfo, magro, com alguma tendência para ganho de massa muscular, mas com tendência irrisória para armazenar gordura. Um indivíduo 5-2-1 é um endomorfo, engorda com extrema facilidade.

Através dessas informações, Heath e Carter desenvolveram um formulário para a concepção desse somatotipo proposto por Shledon, levando em consideração diâmetros ósseos, dobras cutâneas de gordura e perimirias, para chegar a um resultado mais próximo do real.

Como descobrir seu somatotipo? Procure um profissional de avaliação funcional em sua academia. Talvez assim descubra porque seu amigo malhou 2 meses e já ganhou 2 cm de braço e você não, ou porque sua amiga é magrinha, come horrores e não engorda e você faz dietas e não perde um mísero quilo sequer.

Cada um de nós tem sua individualidade e temos que respeitá-la, aceitá-la e fazer o possível para melhorá-la e não modificá-la.

 

BIBLIOGRAFIA

FOX & MATTHEWS. Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. pp 373-376

 

Vamos começar por partes. Definição. Afinal o que é música? Se recorrermos ao dicionário, encontraremos: “arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons” ou “qualquer conjunto de sons agradáveis”. Combinar harmoniosamente? Sons agradáveis? Ora bolas… Se um indivíduo não acha harmonioso, tampouco agradável o ritmo frenético do funk carioca ou as guitarras ensurdecedoras do rock clássico ou os estrondos subgraves mais táteis do que audíveis do techno, ou  as milhões de notas por segundo enlouquecedoras do heavy metal, ou as melodias tachadas como “mela-cueca” do pagode, ou as viagens ininteligíveis do jazz ou do rock progressivo, ou qualquer outra particularidade não tão bem aceita de qualquer estilo ou gênero musical, bem… pasmem tudo isso é MÚSICA sim!

Na verdade, não podemos definir o que é música basicamente porque sempre acabamos por terminar na parcialidade. O que é maravilhoso pra mim pode causar náuseas (acreditem, a música tem esse poder fisiológico) em outra pessoa.

Me pego as vezes lendo críticas de álbuns sobre determinado artista e me revolto ao ler quando o crítico em questão alcunha algum trabalho como fraco, ou previsível, ou complicado… Ora, ora… Quem é ele pra determinar se eu devo ouvir ou não alguma coisa? Ou me dizer se essa coisa é boa ou não?

Costumo dizer que a boa música é aquela que invade sem sua permissão. Aquela que lhe usa, abusa… Que lhe faz perder a razão (ou recuperá-la)… Quem nunca sorriu, ou chorou, ou enraiveceu, ou perdoou, ou se encorajou, ou se conformou ao ouvir uma canção? Platão já dizia que “a música é o remédio da alma” e a alma que é o grande pára-raio para essa invasão. E ainda me arrisco a dizer que não temos controle sobre isso. Quando a música “bate”, fica.

E além disso, é pessoal. Como qualquer outra forma de arte: pintura, escultura, cinema, teatro… E mais: vocês já imaginaram um pintor ou escultor que não se inspirasse ouvindo música? Ou um filme sem trilha? Ou uma peça sem ritmo? Música é isso: melodia, harmonia, ritmo. Juntos, separados, ou até ausentes, pois o silêncio também é música.

A música é tão pessoal que podemos produzi-la de qualquer maneira, em qualquer lugar e mesmo assim ainda ser música. Quem nunca assoviou fora do tom no metrô uma música que lembrasse a namorada? Ou cantarolou na fila do pão aquela música que ouviu quando seu filho deu seus primeiros passos? Quem nunca sonhou ser um astro da música quando pequeno? Onde está a ciência nisso? Onde estão os sons harmoniosos? Mas sei dizer onde está a emoção, confortando a razão.Diante disso, como podemos aceitar uma definição de que música é “qualquer conjunto de sons agradáveis ?”. Ora… Agradável é uma brisa no rosto, um dia aprazível, uma boa comida. Não música. Música é mais que agradável. Música é Vida.

 

“Você foi embora cedo
Não disse quando voltava
Passou por aquela porta cinza
Com seu amigo vizinho
E se foi…
Querendo olhar pra trás
Mas não podia
Sabia que talvez voltasse
Mas foi embora muito cedo
Foi sem ver a minha roupa nova
Foi sem ouvir meu canto
Foi como que por encanto
Quando dei por mim
Não estava mais lá
Essa sala hoje não é mais a mesma
Não vejo seu chinelo de couro
Sua camisa da Pool
E aquela da moto?
Seu sorriso escancarado
Às vezes meio de lado
Sua certeza de que tudo estava sempre bem
E ai de que não estivesse!
Mas foi embora cedo
E nem viu minha roupa nova!
E nem ouviu meu canto!
E nem disse quando voltava
Sabia que talvez voltasse
Sabia que talvez não voltasse
E você se foi
Foi embora
Muito cedo…”

 

Homenagem ao meu pai que faria 68 anos no último dia 17 de setembro.

 

  1. Arrume uma criança;
  2. Forneça colo e carinho;
  3. Brinque com ela.
  4. Cante pra ela dormir. Mesmo que sua voz pareça a da Simony ou do Mauricio Mattar;
  5. Coloque-a no berço e fique olhando-a deitada, até o seu sono chegar;
  6. Acorde no meio da noite, tendo seu descanso interrompido por um choro cortante;
  7. Pegue a mamadeira, com o leite já previamente aquecido e dê para criança;
  8. Apoie a criança em seu braço direito e lhe dê suaves tapinhas em sua região dorsal superior, para provocar eructação (vulgo arroto);
  9. Troque sua fralda;
  10. Cante mais um pouco;
  11. Coloque-a no berço;
  12. Repita do passo 6 ao 11 aproximadamente de 10 a 15 vezes por noite;
  13. Acorde pela manhã cansado, com aquela sensação de que não dormiu o suficiente;
  14. Tome seu banho com cuidado, sem fazer muito barulho, se arrume, tome seu café e vá trabalhar;
  15. Após o serviço, recomece do passo 2, e só vá para o passo adiante daqui a 3 anos;
  16. Se você chegou aqui, parabéns! Considere-se mais um que concluiu com êxito o adestramento infantil.

Sua criança fez um belo trabalho com você.

Eu me lembro da minha primeira Copa. Não considero a primeira “”cronológica”” mas sim a primeira onde pude apreciar cada momento de cada jogo, sem contar nos preparativos… a ansiedade pelo primeiro jogo… os álbuns de figurinhas…

E percebo que isso não foi exclusividade minha. A grande parte dos apaixonados por futebol que conheço também lembram com carinho de sua primeira Copa. Com esse mote, escrevo essa série sob o ponto de vista de um futuro apaixonado pelo futebol, em relação à sua primeira Copa do Mundo da Fifa.

Espero que gostem.

Jorginho, com o olhar determinado e atitude na voz, comunica ao pai a decisão mais importante de sua vida:

– Pai! Eu quero uma bola!

– Bola? Pra quê, meu filho?

– Pra jogar futebol!

– Esqueça! Isso é coisa pra branco!

– Como assim, pai? O Tio Beto me levou pra ver um jogo do Vasco e tinha um negro que jogava muito! O Fausto[1]! Ele inclusive vai jogar hoje na Copa do Mundo!

– Copa do Mundo? O que é isso?

– É um torneio de futebol, pai. Cada país do mundo faz um selecionado dos seus melhores jogadores e se confrontam! Esse ano é o primeiro torneio, no Uruguai. Daqui a pouco já começa o primeiro jogo!

– Hmmm… Interessante. Mas esqueça. Não é esporte pra gente como a gente.

– Como assim pai? O Fausto está sendo deveras elogiado! E é negro que nem a gente.

– Não sei de quem se trata. Agora vá estudar. Futebol não leva ninguém a lugar nenhum.

– Mas pai… O Fausto…

– É um pobre coitado no meio daqueles brancos. Não vai tardar e vão colocar ele pra correr dali rapidinho.

Mas Jorginho, do alto de sua sabedoria adquirida ao longo de seus oito anos de idade, não iria desistir fácil. Como poderia seu próprio pai não admirar o Fausto, que era o maior exemplo de que os não-nascidos em berço de ouro pudessem ser bem-sucedidos no futebol? Isso não fazia sentido! Revoltado, Jorginho se encaminha à Mercearia do Seu Pepe onde tem o rádio da vila. Todos os meninos da vila já estão lá reunidos e alvoroçados, aguardando o início do match entre Brasil e Iugoslávia.

– Vamos lá, Fausto! Toca essa bola! Joga pro Prego[2]!!!

Não deu sorte. O Brasil foi derrotado por 2×1. Mas teve gol de Prego.

(…)

– Garoto, aonde vais?

– Vou pro Seu Pepe, pai. Hoje tem jogo contra a Bolívia!

– Ainda nessa história de futebol, filhote? Tá bom… Vá, mas não se atrase pro jantar.

O segundo jogo do Brasil teve melhor destino. Vitória brasileira por 4×0, mas a eliminação foi inevitável. Os iugoslavos também bateram a Bolívia pelo mesmo placar e avançaram na competição.

Mas Jorginho estava radiante, o futebol já o havia conquistado. Fausto era o seu embaixador. O “”Maravilha Negra””, alcunha dada ao fantástico meio-campista pela imprensa uruguaia, devido ao futebol estonteante apresentado nas duas partidas jogadas pela seleção era premonitória: os negros iriam dar o que falar no esporte bretão. Os negros como Jorginho.


E quem diria que depois de quase 100 anos teríamos uma Copa do Mundo sediada pelo país do Apartheid. Ponto para a evolução do Homo Sapiens.

[1] Fausto dos Santos – Recebeu da crônica esportiva uruguaia o apelido de “”Maravilha Negra””, por causa da sua exuberante atuação na Copa de 1930, (…) Nada mal para um maranhense de Codó que havia chegado ao Rio com a mãe, que arrumou emprego de lavadeira enquanto o garoto batia bola. Com o seu elegante estilo de matadas no peito, exímio controle de bola e passes longos, esse mulato alto e forte foi o primeiro de uma escola brasileira de jogadores clássicos de meio-campo.(…) Fausto impressionou tanto os espanhóis durante a excursão do Vasco em 1931, que foi imediatamente contratado pelo Barcelona. Logo depois, foi transferido ao Young Boys, de Berna(…) Fausto ganhou muito dinheiro na Europa, mas gastou tudo na vida boêmia, talvez compensando a discriminação que sofria e a sua origem humilde. Já declinando fisicamente, encerrou sua carreira no Flamengo, como zagueiro central. Tuberculoso, faleceu num sanatório, esquecido e na miséria, em 1939. (Fonte: Netvasco)

[2] João Coelho Neto, o “”Prego””, posteriormente “”Preguinho”” – Jogador do Fluminense, foi autor do primeiro gol do Brasil em copas do mundo. Foi um atleta completo. Disputou oito modalidades de esportes pelo Fluminense: futebol, vôlei, basquete, pólo aquático, saltos ornamentais, natação, hóquei e atletismo. Tais façanhas fizeram dele o mais festejado herói tricolor e, em 1952, o clube concedeu a ele o primeiro título de grande benemérito atleta, o que mais o orgulhou até a sua morte, em 1979. Um busto na sede do clube e o nome do ginásio são merecidas homenagens. Preguinho participou ativamente da política do Tricolor, sendo figura muito importante na política interna do Fluminense Football Club.(Fonte: Wikipedia)

Fracasso. Malogro. Insucesso. Ato de fracassar. Todos nós em algum momento de nossa vã existência já nos confrontamos com essa palavra. E fugimos, evitamos, procuramos com toda a força de nosso ser mantê-la bem distante de nossos sonhos e metas. E quando nos deparamos com ela? Negamos. Ou até aceitamos, pra justificar uma futura vitória. Quantas vezes já nos pegamos dizendo: – O que importa é o aprendizado!

Sim. O fracasso tem o poder de nos tirar o sono, de assombrar nossas metas, de nos fazer ter cautelas às vezes exacerbadas, nos fazer perder a cabeça, causar stress, mas… e quando o fracasso é inevitável? E vou além: e quando o fracasso é inerente ao ser em questão?

Sim. Eu faço parte de uma elite, nem tão elitizada assim, porém mal vista, digna às vezes de pena ou de deboche. Sim. Eu sou um fracassado.

Ser fracassado é ter a consciência plena de que nada que possa vir a fazer é passível de dar certo. Não adianta a formação, grau de instrução ou capacidade de aprendizado. Nada disso adianta. A sorte, que é elemento bem visível em grande parte dos seres humanos, em alguns mais que outros, é irrealidade pura para seres como nós. Como se a ventura estivesse sempre com um sorriso sarcástico em seus lábios maviosos.

Ser fracassado é saber que já que não pode se contar com a sorte, ter a certeza de que não se deve perder tanto tempo se dedicando a qualquer atividade. Pois não será agraciada com o dom da concretização. Se der certo, é porque outros elementos foram envolvidos, provindos de outras pessoas. E não se alegrem, caros colegas, vai acontecer pra eles e até resolverem cansar de sua companhia.

Ser fracassado é acostumar-se a viver sempre à margem dos acontecimentos. Mendigar pequenas migalhas de atenção e se satisfazer com isso, pois é o máximo que poderá obter em sua vida medíocre. Geralmente faz parte do perfil do fracassado ser boa gente. Até porque eu nunca vi um ser rude e grosso ser fracassado. Isso é característica dos seres agraciados pelo acaso.

Como reconhecer um fracassado? Existem alguns eventos que se realizam de uma forma natural e espontânea: o indivíduo nasce, cresce, estuda, trabalha, se relaciona, procria, trabalha mais um pouco, cuida da prole, se aposenta, envelhece e morre. Essa é a lei natural. Não adianta reclamar, caro leitor, discordar e dizer que “prefere de outra forma”. Essa é a lei natural. Tudo que se acrescenta a mais é um “bônus” que a vida nos oferece. O fracassado não obedece a essa regra, tampouco à ordem e certamente é privado de algum ponto acima descrito. Tem problemas na infância, ou não consegue um bom trabalho, ou é um zero à esquerda em relacionamentos e muito menos tem a prole que deseja para perpetuar seus cromossomos (até porque é a seleção natural: por quê a natureza permitiria a multiplicação da “raça fracassada”?). Você se aplica em algum deles? Eu particularmente me aplico em vários.

Mas ser fracassado não é apenas ônus. É também saber que faz parte do grande sistema de equilíbrio do Universo, afinal, como já se cita sabiamente no dito popular: “para um rir, alguém tem que chorar”. Já pararam pra pensar que existem pessoas extremamente agraciadas pela boa mãe sorte? Os chamados “virados pra lua”. Ora bolas, se existem esses serem iluminados, por que não haveriam de existir os que estão fadados ao fracasso? É a lei natural. Sorriam e alegrem-se, caros mancebos!

Pensem bem, nobres amigos, às vezes a resposta pra tanta lamentação, injúria, depressão e inquietação está na incapacidade de assumir a condição de fracassado. Não perca mais tempo brigando contra as leis naturais. A aceitação dessa condição é o caminho mais digno. Não desperdice ao menos isso, pois ao fracassado resta ao menos uma coisa: a dignidade.

Sejam bem vindos ao fracasso!

(E que o último a sair apague a luz…)