Sobre Mariana Elis

Profissional crítica, ariana instável, mãe coruja. Gastrônoma e arquiteta frustrada. Futura doula.

Verdade seja dita, não há como passar muito tempo sem que as angústias comecem a aparecer na sua vida. Você segue uma vida tranqüila, faz as cosias que gosta e que tem que fazer e acha que está tudo indo bem, que você está realizado, mas então aparece aquele sentimento do qual todos temos medo: o próprio medo!

Então começamos a duvidar de nossas realizações. Começamos a achar que é impossível tudo estar tão bem e pensamos que mais cedo ou mais tarde algo vai dar errado e estragar tudo.

Aí é que começam as angústias. Você se angustia por tudo o que faz na vida, tudo parece muito repetitivo, cansativo, e você tem vontade de fazer algo diferente e não sabe o quê. Então decide que a melhor maneira de esquecer tudo é “encher a cara”, “tomar umas” e aí sai com sua “galera”, vai para um bar, boate, ou coisas do gênero, onde pode se embriagar à vontade e chama isso de diversão.

Mas será que você está realmente se divertindo? Ou está apenas divertindo aos outros, falsos amigos que riem do seu estado físico deplorável, depois de tanto beber? Do que eles tanto riem se tudo o que você sente é a cabeça rodar, o estômago revirar, e vomitar toda hora? Isso é muito engraçado, né?

Mas do que você reclama? Quando é com eles, você faz parte do grupinho que fica tirando sarro e fazendo piadinha! E as gracinhas se estendem ao dia seguinte, quando há marcas de agulha no seu braço, ou você levou aquela bronca por tardar pra chegar em casa.
Por isso, toda diversão é subjetiva. E para se divertir vale tudo! Será?

Não sei bem se tenho me divertido ultimamente. Fica uma espécie de vazio que nunca se completa! Não sei se são as companhias, ou os lugares, mas parece que algo falta.
Mas mesmo com essa falta, é possível dizer que tenho momentos alegres e descontraídos, que me permitem sorrir, ou até mesmo gargalhar desesperadamente. Porém, esses momentos têm se tornado cada vez mais raros. As pessoas não compreendem meu jeito ¿diferente¿ de ser.

Dizem não ter preconceito, mas olham torto quando estou com outro homem em momentos de afeto explícito. Por que é proibido mostrar a todos o quanto se ama alguém? Por que importa tanto se somos do mesmo sexo ou não?

Não posso sonhar com uma vida a dois com meu garoto, pois dizem que é ridículo um casamento entre nós. Mas por que? Ao deveriam ficar felizes por ter eu encontrado meu verdadeiro e único amor?

Mas tudo o que afirmam é que as “bichas” só fazem isso por diversão!

Esta tela branca e fria do computador que leva minha inspiração embora, não tem perdão! Passo o dia procurando temas sobre o qual escrever, penso em mil cosias, mas quando sento em frente a esta máquina e tento me adequar ao teclado para escrever o que gostaria, pronto: BRANCO! Aí não tem jeito tenho que recorrer ao papel e à caneta, para conseguir ao menos um pouco do que tinha imaginado. Sou uma grande imaginadora, mas não consigo colocar tudo tão bem assim no papel também. Aí o caso é diferente, não é a inspiração que falta, mas sim a preguiça que me consome. É porque este é um dos meus pecados capitais preferidos de cometer. Logo seguido da gula e da luxúria, que afinal sobre meu ponto de vista são quase a mesma coisa!

Aliás esse negócio de pecado é relativo. Você pode ser o maior preguiçoso do mundo, mas não pecar em mais nada, enquanto pode cometer todos os pecados de uma vez, mas em porcentagem pequena cada. Aí o que é pior? Pecar de um pouco de tudo ou só um pecado por vez em exagero? Segundo a teoria exagero nunca é bom, talvez o ideal sejam os pequenos pecadinhos do dia-a-dia, aqueles que ninguém identifica.

Mas nada disso importa na era do simulacro! Onde você não é você e sim o que os outros esperam que você seja, mas não importa se você é feliz! Você finge que gosta do seu trabalho, das pessoas que convivem com você, e finge que está tudo bem do jeito que está, e finge que é feliz assim! “O poeta é um fingidor, fingi tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente!” Fernando Pessoa é o poeta que disse as coisas mais interessantes que alguém poderia dizer, e por isso é sempre tão citado. “Tudo o que sei é que nada sei!”

Pois é, eu sou uma que vive citando-o, porque é incrível como as palavras de outras pessoas se encaixam tão bem em minha pessoa! E não escreve só poesia bem, como prosa também. Ele e todos seus heterônimos, um poeta de múltipla personalidade, um gênio que pode assumir quantas figuras pode e quis, para escrever sobre tudo o que pretendeu escrever. Por mais diferentes que fossem seus escritos.

Por isso pode-se entender que simulações são na verdade nada mais que poesia. Fingir-se ser alguém, é ser alguém poeticamente.Teoria interessante, mas que não nos alivia do peso que a necessidade de ser de verdade nos recai sobre o ombro. Por que há a necessidade de parar de fingir? Por que não podemos apenas nos contentar em viver das ilusões que criamos? Por isso mesmo, nós criamos cada um uma ilusão que não bate com a ilusão do outro, e por isso surge o conflito e percebemos que a realidade é bastante diferente do que pensávamos. Mas talvez a realidade não exista. O que exista seja uma ilusão mais convincente para a maioria.

Pois é, para quem não conseguia escrever na tela branca e fria do computador, eis que apresento minhas teorias infundadas de maluca consciente que sou.

Adeus, meu bem!
Que por partires meu coração, parto eu em direção ao mar, para que este me leve em suas ondas e brumas de espuma branca para o reino do amargor da solidão eterna da morte.
Adeus, amor!
Que por deixaste claro que não era amor real o que sentías por mim, deixou-me claramente a sós em pânico na vida perdida da ilusão que eu mesmo criei, e acreditei.
Adeus, minha vida!
Que por fugires de mim como se eu fosse algum monstro, fujo da vida para que esta realidade para mim insuportável não atormente mais a mente que te escreve em despedida!
Adeus!

Estréia! Esta palavra traz bons fluídos para o dia de qualquer cidadão mondano, que agora possui uma nova responsabilidade em seu dia-a-dia. E a primeira vez tem que ser marcante para que hajam outras vezes, por isso, estou nervosa com este post. Escrever não é fácil, principalmente para algumas pessoas que não tem certos costumes que auxiliam na escrita, como ler bastante e gostar de adquirir sempre novos conceitos culturais (Exemplos: viajar, ouvir música, assistir a uma exposição artística, etc.). Porém, escrever é sempre mágico, quando você consegue obter um bom resultado, agradar aos leitores e a si próprio.
Não é papel fácil o de agradar a tanta gente, claro. Mas o principal fator é deixar livre as interpretações, procurar fazer com que o texto seja subjetivo para cada indivíduo, o que é interessante para analisar depois, através dos comentários, o quão diferente são as visões que cada um teve de seu texto. E mesmo que sejam visões negativas, é gratificante! Pois, você percebe que seu texto não é unânime. E “toda unanimidade é burra!”.