Sobre Mariana Elis

Profissional crítica, ariana instável, mãe coruja. Gastrônoma e arquiteta frustrada. Futura doula.

1 GOALJunte Jessica Alba, Matt Damon, Shakira, John Legend, Pelé, Bono Vox e Rainha Rânia apoiando uma causa, qual seria ela? Aproveitando a edição africana da Copa da FIFA foi criada uma iniciativa interessante: 1GOAL, Education for all.

A Campanha reúne artistas, jogadores de futebol e outras personalidades mundiais com a intenção de realizar uma petição que sensibilize os governos de toda parte do planeta a investir no acesso à educação para todos. Ao menos a educação básica.

A idéia é reunir o máximo possível de assinaturas on-line no sitewww.1goal.org e apresentar a petição aos governantes. Diz a petição “This World Cup I support 1GOAL: Education for All and call on world leaders to provide education for 72 million children worldwide by 2015”. (Nesta Copa do Mundo eu apoio 1GOAL: Educação para todos e convoco os líderes mundiais a prover educação para 72 milhões de crianças ao redor do mundo até 2015).

Participe você também. Basta acessar o supra citado site e realizar sua assinatura. Você pode ainda optar por receber atualizações sobre a campanha.

Até agora foram 14.918.675 assinaturas, e contando…

 

A Copa terminou com um saldo positivo para a África do Sul. A promessa de apoio do presidente da FIFA Joseph Blatter para qualquer cidade sul-africana que se candidatar a realização dos Jogos Olímpicos de Verão. Segundo Blatter, um país capaz de sediar uma Copa do Mundo de Futebol é igualmente capaz de realizar os Jogos Olímpicos.

São três cidades que poderiam se candidatar: Durban, Johanesburgo e Cidade do Cabo. Durban é a capital dos esportes da África do Sul, e possui boa infra-estrutura esportiva, desconheço sua infra-estrutura urbana. Johanesburgo, por outro lado, possui boa infra urbana, e igualmente desconheço sua infra-estrutura esportiva. Cidade do Cabo seria o meio termo entre as duas opções anteriores.

É difícil prever qual destas seria realmente candidata, mas há uma tendência maior por Durban, por possuir essa característica desportiva mais acentuada que as outras duas.

Além disso, a África do Sul se mostrou competente na realização do grande evento. Houveram falhas estruturais e organizacionais, mas o balanço final foi de sucesso. Os atentados previstos não ocorreram, ou foram minimizados pela festa. Os casos de crimes contra os turistas apresentaram índices reduzidíssimos, diante da população destes presente no país.

Os sul-africanos se mostraram hospitaleiros e felizes em receber em sua terra tantos povos. Houve um sentimento geral de que o aumento de turistas aumentará conseqüentemente a renda no país, além de desmistificar a África do Sul como a terra do Apartheid, da Aids e do estupro.

Aos que vieram assistir a Copa, puderam encontrar uma excelente variedade de atrativos naturais e culturais a serem visitados, por um preço acessível. Parques e reservas de animais, privadas ou públicas; museus que contam desde a história belicosa do país, até a história da navegação mundial; cadeias montanhosas que permitem visuais magníficos, com esplendidas quedas d’água e trilhas; e experiências riquíssimas, como: mergulhar com tubarões brancos, brincar com filhotes de leões, “apostar corridas” com guepardos, conhecer onde viveram os primeiros hominídeos, passear nas costas de um elefante, entre outras coisas.

Confesso que estava pessimista, mas essa experiência me permite imaginar que a Copa do Brasil será também um sucesso, e que os investimentos realizados para a sua realização retornem com o aumento de visitantes ao país. Vamos enxergar longe! E que assim seja.

 

A África do sul está colorida. Bandeiras de todos os 32 países que participam desta edição da Copa do Mundo de Futebol se espalham por esquinas, avenidas, supermercados, shopping centers e lojas de todo o tipo. Os Sul-Africanos manifestam por toda a parte sua receptividade aos espectadores do evento, sejam eles de qualquer origem. Mas há quase uma unanimidade na torcida: Bafana Bafana. Não porque eles acreditem ser a melhor seleção, ou a que mais merece ganhar (em termos de bom futebol), mas devido ao seu grande orgulho sul-africano.

Não é difícil para eles torcerem para sua seleção. O futebol não é o esporte favorito por aqui, a maioria das pessoas não entende nada das regras desse esporte e não se interessa em assistir os jogos. Eles apenas torcem.

É tão pequeno seu conhecimento sobre o assunto, que alguns chegam a arriscar que a final será disputada por Brasil X EUA. Chute fácil. Brasil é a seleção mais famosa, e os EUA sempre se dão bem em qualquer esporte, qualquer competição, etc. Com exceção, é claro, do futebol masculino. Mas isso, os sul-africanos na média geral, nem imaginam!

A hospitalidade sul-africana é fator importante para esta Copa. Considerando falhas graves da infra-estrutura receptiva do país para o evento. A ausência de transportes públicos faz com que se criem imensos congestionamentos nos arredores dos estádios nos dias dos jogos. Não há opção além de ir de carro. Não há ônibus de circulação municipal nas cidades (com exceção dos recentemente e mal instalados), não há táxis (a não ser nos aeroportos), não há metrô.

Além disso, a falta de UH’s – unidades habitacionais (vagas em hotéis e pousadas, etc.) – fez com que a organização do evento realocasse moradores de bairros bons das cidades, para usar suas residências como UH. O problema é que uma casa não possui necessariamente a infra-estrutura que um hotel deveria oferecer.

Mas como todo evento, as falhas da organização e de infra-estrutura são corriqueiras. Sempre haverá algo que não funcionará como o previsto. Torçamos para que os problemas dessa Copa da África sejam menores que seu sucesso! E que o espetáculo fique por conta do bom futebol!

Pela primeira vez na história uma Copa do Mundo de Futebol será realizada no continente negro. O país escolhido: África do Sul. Há 15 anos atrás a África do Sul sediava pela primeira vez uma outra Copa do Mundo, a de Rúgbi. Na época o evento foi usado como estratégia de união dos povos sul africanos, uma vez que a democracia se restaurara após o fim do regime segregacionista conhecido como Apartheid.

O Apartheid separou as etnias (não apenas negros e brancos, mas as etnias negras entre si, as brancas entre si e os outros povos). Depois de uma conquista recente dos territórios do norte do país os brancos passaram a ter domínio legal sobre as terras antes pertencentes às tribos negras. Com isso construíram suas cidades nos moldes europeus, onde só era permitida a entrada de negros que ali trabalhassem quase como escravos. Por outro lado, os negros começaram a construir suas cidades também. Assim existiam as cidades-brancas e as cidades-negras.

É claro que as cidades-negras não foram construídas da mesma maneira que as cidades-brancas. Os negros não possuíam recursos para tal. Com isso, a maioria dessas cidades evoluiu para o que hoje é conhecido por townships, semelhantes às favelas brasileiras, com a diferença de não estarem dentro de uma cidade e sim serem a própria cidade. São, portanto, enormes e diversas favelas no interior do país.

Com a ascensão dos negros ao poder, com a eleição de Mandela em 1994, houve a esperança de que as cidades-negras fossem alvo de melhorias, urbanização, infra-estruturação. Ledo engano! Sentindo-se traídos então pelo novo regime, dito comunista, os habitantes dessas cidades-negras ou townships (ambos termos pejorativos) resolveram boicotar a Copa do Mundo de 2010.

Diante das mazelas em que vivem, do abandono de suas cidades pelo governo, da falta de infra-estrutura básica há 16 anos prometida e da construção de grandes estádios, da reforma das rodovias que ligam as principais cidades¹ e da obra milionária de instalação de cabos de fibra óptica para melhorar o acesso à Internet (pré-requisitos exigidos pela FIFA), os moradores das townships decidiram causar tumultos nas filas de compras de ingressos. Decidiram atirar pedras aos ônibus que conduzirão os espectadores dos jogos do estacionamento ao estádio. Decidiram entrar em greve dos serviços básicos (coleta de lixo, transporte, etc.) pondo em risco a boa realização do espetáculo do futebol em terras africanas.

Meu marido comentou e eu assino embaixo: “O fracasso da Copa da África ofuscará o fracasso da Copa do Brasil!”

Nota: ¹As estradas e os estádios são obras grandiosas. Além disso começou a ser construído o Gautrain (uma referência a Gauteng a província onde se situa Johannesburg e Tshwane, antiga Pretoria), um trem que liga as duas cidades. Faltando cerca de 40 dias para o início do Mundial, e as obras ainda estão a ser completadas (se isso ocorrer).

Pela primeira vez na história uma Copa do Mundo de Futebol será realizada no continente negro. O país escolhido: África do Sul. Há 15 anos atrás a África do Sul sediava pela primeira vez uma outra Copa do Mundo, a de Rúgbi. Na época o evento foi usado como estratégia de união dos povos sul africanos, uma vez que a democracia se restaurara após o fim do regime segregacionista conhecido como Apartheid.

O Apartheid separou as etnias (não apenas negros e brancos, mas as etnias negras entre si, as brancas entre si e os outros povos). Depois de uma conquista recente dos territórios do norte do país os brancos passaram a ter domínio legal sobre as terras antes pertencentes às tribos negras. Com isso construíram suas cidades nos moldes europeus, onde só era permitida a entrada de negros que ali trabalhassem quase como escravos. Por outro lado, os negros começaram a construir suas cidades também. Assim existiam as cidades-brancas e as cidades-negras.

É claro que as cidades-negras não foram construídas da mesma maneira que as cidades-brancas. Os negros não possuíam recursos para tal. Com isso, a maioria dessas cidades evoluiu para o que hoje é conhecido por townships, semelhantes às favelas brasileiras, com a diferença de não estarem dentro de uma cidade e sim serem a própria cidade. São, portanto, enormes e diversas favelas no interior do país.

Com a ascensão dos negros ao poder, com a eleição de Mandela em 1994, houve a esperança de que as cidades-negras fossem alvo de melhorias, urbanização, infra-estruturação. Ledo engano! Sentindo-se traídos então pelo novo regime, dito comunista, os habitantes dessas cidades-negras ou townships (ambos termos pejorativos) resolveram boicotar a Copa do Mundo de 2010.

Diante das mazelas em que vivem, do abandono de suas cidades pelo governo, da falta de infra-estrutura básica há 16 anos prometida e da construção de grandes estádios, da reforma das rodovias que ligam as principais cidades¹ e da obra milionária de instalação de cabos de fibra óptica para melhorar o acesso à Internet (pré-requisitos exigidos pela FIFA), os moradores das townships decidiram causar tumultos nas filas de compras de ingressos. Decidiram atirar pedras aos ônibus que conduzirão os espectadores dos jogos do estacionamento ao estádio. Decidiram entrar em greve dos serviços básicos (coleta de lixo, transporte, etc.) pondo em risco a boa realização do espetáculo do futebol em terras africanas.

Meu marido comentou e eu assino embaixo: “O fracasso da Copa da África ofuscará o fracasso da Copa do Brasil!”

Nota: ¹As estradas e os estádios são obras grandiosas. Além disso começou a ser construído o Gautrain (uma referência a Gauteng a província onde se situa Johannesburg e Tshwane, antiga Pretoria), um trem que liga as duas cidades. Faltando cerca de 40 dias para o início do Mundial, e as obras ainda estão a ser completadas (se isso ocorrer).

Ele sorriu para ela como se fossem dois estranhos. Ela retribuiu. Com um ar “sem-graça” ela se dirigiu a ele e o cumprimentou, sentindo o peso da obrigação de fazê-lo. Ele até que a recebeu agradavelmente, e no curto espaço de tempo de um beijo no rosto, assim mesmo, sem palavras, aquela antiga e arrebatadora paixão de outrora faiscou nos olhos e nos corações de ambos.

O corpo dela se aqueceu como que tomado por uma febre súbita. O dele estremeceu. Naqueles poucos instantes em que estiveram próximos depois de tanto tempo, sentiram-se novamente pertencentes um ao outro.

O perfume dela inebriou os pensamentos dele. A textura de sua pele o fez sentir o mundo rodar. O toque das mãos dele em seus braços a fez sentir como se flutuasse. O calor de seu hálito a enrubesceu. Várias recordações passaram pela mente dos dois. Da primeira vez que se viram na praia, no verão de três anos atrás. Do primeiro beijo no píer do hotel na noite enluarada. Do dia em que conheceram os pais um do outro. Da primeira vez que passaram uma noite juntos. Da primeira briga por motivos bobos. Dos planos para o resto da vida. Dos nomes que escolheram para os filhos que gostariam de ter. Dos aniversários, natais, festas de fim de ano. Da sempre constante atração sexual. Das loucuras, dos ciúmes. Todo o passado recente e maravilhoso de duas vidas tornadas uma lhes iluminou naqueles poucos instantes, no tempo de um beijo no rosto.

Sr Hildebrando passou toda a maior parte de sua vida acumulando riquezas. Trabalhou duramente desde a mais tenra idade para conseguir conquistar todos os seus sonhos de consumo. Sonhos estes que ía cada vez mais depositando sobre objetos cada vez mais extravagantemente caros.

Possuía uma coleção invejável de quase tudo o que há para se invejar neste mundo.

Porém, faltava algo para que “Seu” Hildebrando se sentisse plenamente feliz. Faltava-lhe amor.

Um dia, por um motivo específico que não vale a pena contar (pelo menos não por agora), “Seu” Hildebrando decidiu reunir em uma viagem espetacular em um de seus espetaculares navios, todas as pessoas que lhe pareciam, de algum modo, especiais!

Convidou a todos os membros de sua família por quem possuía profunda admiração – propositadamente, Hildebrando esqueceu-se daqueles entes de quem não gostava nem um pouco – , os amigos que sempre lhe apoiaram e acompanharam (desde as mais remotas aventuras), os funcionários mais competentes, os artistas mais talentosos, enfim todas as pessoas deste mundo que ele gostaria de ter sempre a seu lado.

O Convite especial foi entregue em mãos pelo comboi de mordomos e motoristas, especificamente contratados para a nobre missão. Era confeccionado em papiro à maneira dos antigos, e as letras nele contidas eram bordadas em ouro por artesãos escolhidos a dedo: irrecusável!

E assim, o foi! No dia marcado por “Seu” Hildebrando, compareceram ao porto todas pessoas mais queridas pelo excêntrico milionário, enquanto câmaras fotográficas e de TV, além dos ausentes da lçista de convidados, registravam todo o embarque pomposo e festejado por inúmeros fogos, que fariam Copacabana delirar.

Os passageiros eram recebidos por uma tripulação impecável composta por jovens e belos rapazes e moças oriundos de toda a parte do planeta, para “agradar a gregos e troianos”, conforme o anfitrião repetia sorridente.

Já a bordo, foi servida a primeira refeição, eram doze pratos, desde a primorosa entrada até a requintada sobremesa, passando por carnes variadas e apetitosas, saldas refrescantes, sopas acolhedoras e massas “de lamber os beiços”.

Tudo acompanhado dos melhores vinhos, espumantes e brandies momo mandava a tradição da culinária francesa dos tempos de VAtel e Luiz XV.

Havia até uma pequena reprodução de Versailles no restaurante gigantesco do transatlântico.

Após a refeição, a diversão! Um baile primoroso ao som de diversas danças típicas tocados por uma banda formada pelos melhores instrumentistas vivos da época.

As damas apresentavam-se vestidas, penteadas, maquiadas e perfumadas com extremo bom gosto para o deleite dos cavalheiros. Estes, todos “emping”uinzados” para deixar todo o brilho a elas, “como manda o figurino”.

A festa durou até altas horas da noite, quando “Seu” Hildebrando interrompeu a música para um breve discurso, aplaudidíssimo, no começo.

– “Meus queridos e amados! Durante quase toda a minha vida, minhas grandes preocupações resumiam-se em acumular todos os bens materiais que me parecessem, nem que por apenas um breve momento, interessantes! E, como todos podem observar nesta gloriosa noite: fui bem sucedido neste peculiar propósito!”

“Porém, flatou-me algo! Faltou-me acumular um bem que não se compra: o amor!”

“Por isso, reuni-vos aqui esta noite, para acumular todo o amor a mim possível neste mundo, neste momento que me é tão assombroso.”

“Caros amigos! Descobri recentemente um mal terrível em meu organismo, que me levará desta vida definitivamente!”

Aqui, Hildebrando faz uma pausa propícia para o “Oooohhh!!!” que se seguiu. E, emocionado, prossegue:

– “Sim, muito pesaroso! Contudo, nestes últimos dias andei observando com amis interesse esse mundo em que vivemos, e percebi desastres tenebrosos! Guerras violentas, assassinatos sangrentos e um profundo desrespetido pela vida!”

“Por isso, tomei esta decisão de trazer-vos até aqui hoje e com todo o amor que carrego em meu ser, presentear-vos com o maior dom divino: A MORTE!”

Fez-se um silêncio espantoso e espantado, expressões cobertas pela dúvida espalharam-se por todo o salão. Não houve tempo para pânico, às exatas 00:00 horas, ao soar das 12 badaladas do imenso relógio-cuco do saguão, o navio do Sr. Hildebrando explodiu, levando com ele todos os seres que ele mais amava na vida.