Mariana Elis

Os preparativos para a Copa da África

Pela primeira vez na história uma Copa do Mundo de Futebol será realizada no continente negro. O país escolhido: África do Sul. Há 15 anos atrás a África do Sul sediava pela primeira vez uma outra Copa do Mundo, a de Rúgbi. Na época o evento foi usado como estratégia de união dos povos sul africanos, uma vez que a democracia se restaurara após o fim do regime segregacionista conhecido como Apartheid.

O Apartheid separou as etnias (não apenas negros e brancos, mas as etnias negras entre si, as brancas entre si e os outros povos). Depois de uma conquista recente dos territórios do norte do país os brancos passaram a ter domínio legal sobre as terras antes pertencentes às tribos negras. Com isso construíram suas cidades nos moldes europeus, onde só era permitida a entrada de negros que ali trabalhassem quase como escravos. Por outro lado, os negros começaram a construir suas cidades também. Assim existiam as cidades-brancas e as cidades-negras.

É claro que as cidades-negras não foram construídas da mesma maneira que as cidades-brancas. Os negros não possuíam recursos para tal. Com isso, a maioria dessas cidades evoluiu para o que hoje é conhecido por townships, semelhantes às favelas brasileiras, com a diferença de não estarem dentro de uma cidade e sim serem a própria cidade. São, portanto, enormes e diversas favelas no interior do país.

Com a ascensão dos negros ao poder, com a eleição de Mandela em 1994, houve a esperança de que as cidades-negras fossem alvo de melhorias, urbanização, infra-estruturação. Ledo engano! Sentindo-se traídos então pelo novo regime, dito comunista, os habitantes dessas cidades-negras ou townships (ambos termos pejorativos) resolveram boicotar a Copa do Mundo de 2010.

Diante das mazelas em que vivem, do abandono de suas cidades pelo governo, da falta de infra-estrutura básica há 16 anos prometida e da construção de grandes estádios, da reforma das rodovias que ligam as principais cidades¹ e da obra milionária de instalação de cabos de fibra óptica para melhorar o acesso à Internet (pré-requisitos exigidos pela FIFA), os moradores das townships decidiram causar tumultos nas filas de compras de ingressos. Decidiram atirar pedras aos ônibus que conduzirão os espectadores dos jogos do estacionamento ao estádio. Decidiram entrar em greve dos serviços básicos (coleta de lixo, transporte, etc.) pondo em risco a boa realização do espetáculo do futebol em terras africanas.

Meu marido comentou e eu assino embaixo: “O fracasso da Copa da África ofuscará o fracasso da Copa do Brasil!”

Nota: ¹As estradas e os estádios são obras grandiosas. Além disso começou a ser construído o Gautrain (uma referência a Gauteng a província onde se situa Johannesburg e Tshwane, antiga Pretoria), um trem que liga as duas cidades. Faltando cerca de 40 dias para o início do Mundial, e as obras ainda estão a ser completadas (se isso ocorrer).

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Os preparativos para a Copa da África

Pela primeira vez na história uma Copa do Mundo de Futebol será realizada no continente negro. O país escolhido: África do Sul. Há 15 anos atrás a África do Sul sediava pela primeira vez uma outra Copa do Mundo, a de Rúgbi. Na época o evento foi usado como estratégia de união dos povos sul africanos, uma vez que a democracia se restaurara após o fim do regime segregacionista conhecido como Apartheid.

O Apartheid separou as etnias (não apenas negros e brancos, mas as etnias negras entre si, as brancas entre si e os outros povos). Depois de uma conquista recente dos territórios do norte do país os brancos passaram a ter domínio legal sobre as terras antes pertencentes às tribos negras. Com isso construíram suas cidades nos moldes europeus, onde só era permitida a entrada de negros que ali trabalhassem quase como escravos. Por outro lado, os negros começaram a construir suas cidades também. Assim existiam as cidades-brancas e as cidades-negras.

É claro que as cidades-negras não foram construídas da mesma maneira que as cidades-brancas. Os negros não possuíam recursos para tal. Com isso, a maioria dessas cidades evoluiu para o que hoje é conhecido por townships, semelhantes às favelas brasileiras, com a diferença de não estarem dentro de uma cidade e sim serem a própria cidade. São, portanto, enormes e diversas favelas no interior do país.

Com a ascensão dos negros ao poder, com a eleição de Mandela em 1994, houve a esperança de que as cidades-negras fossem alvo de melhorias, urbanização, infra-estruturação. Ledo engano! Sentindo-se traídos então pelo novo regime, dito comunista, os habitantes dessas cidades-negras ou townships (ambos termos pejorativos) resolveram boicotar a Copa do Mundo de 2010.

Diante das mazelas em que vivem, do abandono de suas cidades pelo governo, da falta de infra-estrutura básica há 16 anos prometida e da construção de grandes estádios, da reforma das rodovias que ligam as principais cidades¹ e da obra milionária de instalação de cabos de fibra óptica para melhorar o acesso à Internet (pré-requisitos exigidos pela FIFA), os moradores das townships decidiram causar tumultos nas filas de compras de ingressos. Decidiram atirar pedras aos ônibus que conduzirão os espectadores dos jogos do estacionamento ao estádio. Decidiram entrar em greve dos serviços básicos (coleta de lixo, transporte, etc.) pondo em risco a boa realização do espetáculo do futebol em terras africanas.

Meu marido comentou e eu assino embaixo: “O fracasso da Copa da África ofuscará o fracasso da Copa do Brasil!”

Nota: ¹As estradas e os estádios são obras grandiosas. Além disso começou a ser construído o Gautrain (uma referência a Gauteng a província onde se situa Johannesburg e Tshwane, antiga Pretoria), um trem que liga as duas cidades. Faltando cerca de 40 dias para o início do Mundial, e as obras ainda estão a ser completadas (se isso ocorrer).

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No tempo de um beijo no rosto

Ele sorriu para ela como se fossem dois estranhos. Ela retribuiu. Com um ar “sem-graça” ela se dirigiu a ele e o cumprimentou, sentindo o peso da obrigação de fazê-lo. Ele até que a recebeu agradavelmente, e no curto espaço de tempo de um beijo no rosto, assim mesmo, sem palavras, aquela antiga e arrebatadora paixão de outrora faiscou nos olhos e nos corações de ambos.

O corpo dela se aqueceu como que tomado por uma febre súbita. O dele estremeceu. Naqueles poucos instantes em que estiveram próximos depois de tanto tempo, sentiram-se novamente pertencentes um ao outro.

O perfume dela inebriou os pensamentos dele. A textura de sua pele o fez sentir o mundo rodar. O toque das mãos dele em seus braços a fez sentir como se flutuasse. O calor de seu hálito a enrubesceu. Várias recordações passaram pela mente dos dois. Da primeira vez que se viram na praia, no verão de três anos atrás. Do primeiro beijo no píer do hotel na noite enluarada. Do dia em que conheceram os pais um do outro. Da primeira vez que passaram uma noite juntos. Da primeira briga por motivos bobos. Dos planos para o resto da vida. Dos nomes que escolheram para os filhos que gostariam de ter. Dos aniversários, natais, festas de fim de ano. Da sempre constante atração sexual. Das loucuras, dos ciúmes. Todo o passado recente e maravilhoso de duas vidas tornadas uma lhes iluminou naqueles poucos instantes, no tempo de um beijo no rosto.

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O ato de amor maior do Sr Hildebrando

Sr Hildebrando passou toda a maior parte de sua vida acumulando riquezas. Trabalhou duramente desde a mais tenra idade para conseguir conquistar todos os seus sonhos de consumo. Sonhos estes que ía cada vez mais depositando sobre objetos cada vez mais extravagantemente caros.

Possuía uma coleção invejável de quase tudo o que há para se invejar neste mundo.

Porém, faltava algo para que “Seu” Hildebrando se sentisse plenamente feliz. Faltava-lhe amor.

Um dia, por um motivo específico que não vale a pena contar (pelo menos não por agora), “Seu” Hildebrando decidiu reunir em uma viagem espetacular em um de seus espetaculares navios, todas as pessoas que lhe pareciam, de algum modo, especiais!

Convidou a todos os membros de sua família por quem possuía profunda admiração – propositadamente, Hildebrando esqueceu-se daqueles entes de quem não gostava nem um pouco – , os amigos que sempre lhe apoiaram e acompanharam (desde as mais remotas aventuras), os funcionários mais competentes, os artistas mais talentosos, enfim todas as pessoas deste mundo que ele gostaria de ter sempre a seu lado.

O Convite especial foi entregue em mãos pelo comboi de mordomos e motoristas, especificamente contratados para a nobre missão. Era confeccionado em papiro à maneira dos antigos, e as letras nele contidas eram bordadas em ouro por artesãos escolhidos a dedo: irrecusável!

E assim, o foi! No dia marcado por “Seu” Hildebrando, compareceram ao porto todas pessoas mais queridas pelo excêntrico milionário, enquanto câmaras fotográficas e de TV, além dos ausentes da lçista de convidados, registravam todo o embarque pomposo e festejado por inúmeros fogos, que fariam Copacabana delirar.

Os passageiros eram recebidos por uma tripulação impecável composta por jovens e belos rapazes e moças oriundos de toda a parte do planeta, para “agradar a gregos e troianos”, conforme o anfitrião repetia sorridente.

Já a bordo, foi servida a primeira refeição, eram doze pratos, desde a primorosa entrada até a requintada sobremesa, passando por carnes variadas e apetitosas, saldas refrescantes, sopas acolhedoras e massas “de lamber os beiços”.

Tudo acompanhado dos melhores vinhos, espumantes e brandies momo mandava a tradição da culinária francesa dos tempos de VAtel e Luiz XV.

Havia até uma pequena reprodução de Versailles no restaurante gigantesco do transatlântico.

Após a refeição, a diversão! Um baile primoroso ao som de diversas danças típicas tocados por uma banda formada pelos melhores instrumentistas vivos da época.

As damas apresentavam-se vestidas, penteadas, maquiadas e perfumadas com extremo bom gosto para o deleite dos cavalheiros. Estes, todos “emping”uinzados” para deixar todo o brilho a elas, “como manda o figurino”.

A festa durou até altas horas da noite, quando “Seu” Hildebrando interrompeu a música para um breve discurso, aplaudidíssimo, no começo.

- “Meus queridos e amados! Durante quase toda a minha vida, minhas grandes preocupações resumiam-se em acumular todos os bens materiais que me parecessem, nem que por apenas um breve momento, interessantes! E, como todos podem observar nesta gloriosa noite: fui bem sucedido neste peculiar propósito!”

“Porém, flatou-me algo! Faltou-me acumular um bem que não se compra: o amor!”

“Por isso, reuni-vos aqui esta noite, para acumular todo o amor a mim possível neste mundo, neste momento que me é tão assombroso.”

“Caros amigos! Descobri recentemente um mal terrível em meu organismo, que me levará desta vida definitivamente!”

Aqui, Hildebrando faz uma pausa propícia para o “Oooohhh!!!” que se seguiu. E, emocionado, prossegue:

- “Sim, muito pesaroso! Contudo, nestes últimos dias andei observando com amis interesse esse mundo em que vivemos, e percebi desastres tenebrosos! Guerras violentas, assassinatos sangrentos e um profundo desrespetido pela vida!”

“Por isso, tomei esta decisão de trazer-vos até aqui hoje e com todo o amor que carrego em meu ser, presentear-vos com o maior dom divino: A MORTE!”

Fez-se um silêncio espantoso e espantado, expressões cobertas pela dúvida espalharam-se por todo o salão. Não houve tempo para pânico, às exatas 00:00 horas, ao soar das 12 badaladas do imenso relógio-cuco do saguão, o navio do Sr. Hildebrando explodiu, levando com ele todos os seres que ele mais amava na vida.

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I’m affraid of death
I was curious
Curious about that
I’ve tried a lot of times
I’ve tried a lot to find the true
People said I’m crazy
I’m down
Suicidal
But I was just trying to find the true
The true about death

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Feridas da Alma

Era de se esperar que aquela fúria interna que mantinha explodisse em algum momento, de preferência inoportuno, e a transformasse de mulher tranquila em monstro degenerado isolada na dor dos seus arrependimentos.

E aconteceu como nunca imaginara, ou como sempre desejara inconscientemente, mas de uma forma mágica e realmente modificadora, que transmitiu ao mundo toda aquela angústia há muito enrustida e espremida dentro de um ser não tão pequeno, porém nem muito grande para contê-la por muito mais tempo.

Foi de toda uma intensidade que não sobrou mais espaço para histórias a serem contadas, acabou de vez com vidas inteiras, porém não era tão imprevisível já que tudo o que é vivo tende a morrer algum dia.

A morte para alguns é uma espécie de salvação, e foi assim que procurou encarar como sua rendição depois de tanto tempo desperdiçado com bobagens necessárias e cansativas.

Agora o mundo era só dela, e os desafios ainda maiores para que superasse o fato de ser sua maior e principal vítima.

Agora era enfrentar tudo de cabeça erguida e pagar as contas daquela explosão, além das contas do mês que chegam antes do fim do mesmo e levam todos os sonhos embora.

A vida enche! Bom que a gente morra aos pouquinhos!

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Jogos de Guerra

JOGO: WAR
OBJETIVO: CONQUISTAR 280 TERRITÓRIOS
JOGADOR: GEORGE W. BUSH

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Maldita

Desde a primeira vez que me vi assim
Tão distante da realidade e da normalidade
Desde que me tornei o que sou, maldita
Desde que me vejo assim
Não tenho tido tempo pra fazer o que você faz
Não tenho tido tempo pra pensar no que lhe dizer
Pra que você procure me entender
Porque não é isso que eu espero de você
Eu espero que você desapareça da minha frente
E me deixe viver minha vida em paz!

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Redescoberta

Cheiros, toques, viagens, lembranças
É bom saber que se tem história
É bom lembrar que se tem memória
Perdidas pela casa afora

Os sentidos se aguçam em busca de mais
Em busca de sentimentos pessoais
Daqueles que dividem este lar

E o encontrado é o comum
O que já sabia, mas não lembrava
O que não entendia e ninguém explicava
O que era rotina e virou saudade

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Da dupla personalidade!

Por vezes cheguei a pensar estar enclausurada dentro de algo irreal, que era totalmente vazio e puramente mágico. Mas, esta magia era perturbadora, afinal, sempre fui grande fã da realidade.
Porém, este mundo fantástico me desprendia de temores reais que sempre assisti. Esta utopia me tornava personagem da minha própria vida. Era com se houvessem duas pessoas presas em um único corpo. E este era pequeno demais para ambas. Como morar com alguém indesejável que sempre se intromete nos seus assuntos.
Esta briga incessante pelo domínio, esta guerra quase que permanente tiravam meu sono. Era preciso que uma delas fosse eliminada. E qual? A mais fraca, claro!
Prós e contras pesados aprendi que ambas eram fortíssimas e que esta disputa seria incessante, talvez eterna.
Então, enveredava eu por caminhos obscuros atrás de uma, e por pátios iluminados acompanhando a outra.
Fazia, dizia e via coisas estranhas, macabras, horrendas, assustadoras e temíveis. Tanto para uma quanto para outra.
E o que percebia-se dessa jornada era a infelicidade que esta inimizade me causava. Vivia em estado de leve torpor, pois era difícil identificar quem vivia em mim a cada momento. Resolvi deixá-las de lado. E deixei-as.
Mas cada uma delas era eu em essência e espírito. Então deixá-las era deixar de existir. E a existência era então meu único prazer.
Escolhi a vida, e essas duas que se entendam!

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Mariana Elis

Sobre
Profissional crítica, ariana instável, mãe coruja. Gastrônoma e arquiteta frustrada. Futura doula.
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