Sobre Mariana Elis

Profissional crítica, ariana instável, mãe coruja. Gastrônoma e arquiteta frustrada. Futura doula.

I’m affraid of death
I was curious
Curious about that
I’ve tried a lot of times
I’ve tried a lot to find the true
People said I’m crazy
I’m down
Suicidal
But I was just trying to find the true
The true about death

Era de se esperar que aquela fúria interna que mantinha explodisse em algum momento, de preferência inoportuno, e a transformasse de mulher tranquila em monstro degenerado isolada na dor dos seus arrependimentos.

E aconteceu como nunca imaginara, ou como sempre desejara inconscientemente, mas de uma forma mágica e realmente modificadora, que transmitiu ao mundo toda aquela angústia há muito enrustida e espremida dentro de um ser não tão pequeno, porém nem muito grande para contê-la por muito mais tempo.

Foi de toda uma intensidade que não sobrou mais espaço para histórias a serem contadas, acabou de vez com vidas inteiras, porém não era tão imprevisível já que tudo o que é vivo tende a morrer algum dia.

A morte para alguns é uma espécie de salvação, e foi assim que procurou encarar como sua rendição depois de tanto tempo desperdiçado com bobagens necessárias e cansativas.

Agora o mundo era só dela, e os desafios ainda maiores para que superasse o fato de ser sua maior e principal vítima.

Agora era enfrentar tudo de cabeça erguida e pagar as contas daquela explosão, além das contas do mês que chegam antes do fim do mesmo e levam todos os sonhos embora.

A vida enche! Bom que a gente morra aos pouquinhos!

Desde a primeira vez que me vi assim
Tão distante da realidade e da normalidade
Desde que me tornei o que sou, maldita
Desde que me vejo assim
Não tenho tido tempo pra fazer o que você faz
Não tenho tido tempo pra pensar no que lhe dizer
Pra que você procure me entender
Porque não é isso que eu espero de você
Eu espero que você desapareça da minha frente
E me deixe viver minha vida em paz!

Cheiros, toques, viagens, lembranças
É bom saber que se tem história
É bom lembrar que se tem memória
Perdidas pela casa afora

Os sentidos se aguçam em busca de mais
Em busca de sentimentos pessoais
Daqueles que dividem este lar

E o encontrado é o comum
O que já sabia, mas não lembrava
O que não entendia e ninguém explicava
O que era rotina e virou saudade

Por vezes cheguei a pensar estar enclausurada dentro de algo irreal, que era totalmente vazio e puramente mágico. Mas, esta magia era perturbadora, afinal, sempre fui grande fã da realidade.
Porém, este mundo fantástico me desprendia de temores reais que sempre assisti. Esta utopia me tornava personagem da minha própria vida. Era com se houvessem duas pessoas presas em um único corpo. E este era pequeno demais para ambas. Como morar com alguém indesejável que sempre se intromete nos seus assuntos.
Esta briga incessante pelo domínio, esta guerra quase que permanente tiravam meu sono. Era preciso que uma delas fosse eliminada. E qual? A mais fraca, claro!
Prós e contras pesados aprendi que ambas eram fortíssimas e que esta disputa seria incessante, talvez eterna.
Então, enveredava eu por caminhos obscuros atrás de uma, e por pátios iluminados acompanhando a outra.
Fazia, dizia e via coisas estranhas, macabras, horrendas, assustadoras e temíveis. Tanto para uma quanto para outra.
E o que percebia-se dessa jornada era a infelicidade que esta inimizade me causava. Vivia em estado de leve torpor, pois era difícil identificar quem vivia em mim a cada momento. Resolvi deixá-las de lado. E deixei-as.
Mas cada uma delas era eu em essência e espírito. Então deixá-las era deixar de existir. E a existência era então meu único prazer.
Escolhi a vida, e essas duas que se entendam!

Não respeito quem me destrata
eu não quero cometer outra burrada
Tenho medo do futuro que me aguarda
Tenho ódio do tempo que perdie que não volta.

Eu só tenho paz com meus amigos.
Não há mais motivos para não sorrir.
Tenho tudo o que preciso
Mas ainda quero ter alguem que seja só meu.

Não sei se já amei algum dia
Não dá pra ter certeza de nada que se sente.
A verdade ´pe que nunca saberemos
e a vida existe mesmo
Ou se estamos fora da realidade
Há mentiras por toda a parte

De ilusão se faz o mundo
Só se está perto da verdade
Quando você fecha os olhos
E não vê mais nada
Além de suas pálpebras fechadas.