Sobre Mariana Elis

Profissional crítica, ariana instável, mãe coruja. Gastrônoma e arquiteta frustrada. Futura doula.

Muitas vezes já pensei que estava enganada
Que o que eu queria era que uma mão
Me puxase do abismo que me encontrava
E me salvasse para todo o sempre

Mas o que percebo agora
É que se o abismo existe, eu o criei
E só eu sei o caminho para deixá-lo
Só eu sei escalar suas paredes afiadas

E quando olho pra cima e não vejo o topo
Não me preocupo mais
Porque eu sei que se continuar subindo
Encontrarei a saída e a luz

Às vezes não tenho vontade de deixar
Minhas trevas queridas
que me acolhem e me aquecem
Mas sei que preciso do meu sol

Me dê a mão, me puxe, me chame
para cima
Me dê a ajuda de que preciso
Mas não desvende meus olhos
Pois aqui sou como cega
Tateio meu destino!

O que aconteceria conosco
Se fôssemos nossos ídolos por um dia apenas?
As conseqüências seriam drásticas demais
Não suportaríamos as críticas
Nem escandalizaríamos com nossos atos
Seríamos apenas mortais
em busca de felicidade
Como somos hoje
Só que todos saberiam nosso nome
E saberiam onde viveríamos
E, então nos cobrariam respostas
E nos pediriam posições
E nós apenas diríamos: “Danem-se!”
“Nós queremos diversão!”

Eu ouvi todos vocês, agora peço a palavra!
Todos precisam de mim, se utilizam de minhas águas!
Nasço num lugar bonito, porém nasço fraco!
sinto como se tivesse um dos olhos furados, ao ter uma nascente seca!
Quando tento correr livre, me barram!
Busco o melhor caminho, me limitam.
Carrego vida em meu leito, porém estou doente, estou morrendo!
E se morrer, não haverá água para matar a sede do gado e outros animais, do homem e das plantas.
Se morrer, não haverá achoeiras para serem desfrutadas!
Se morrer, não carregarei areia e outros sedimentos.
Se morrer, todos se vão comigo.
Por isso, peço! Preciso de vocês! Preciso que me salvem, para que continue a lhes dar a vida!

Eu quis abrir os olhos antes do despertador, para não ouvir seu barulho irritante: não deu!
Eu quis pensar que na verdade nem precisaria acordar, mas tinha um propósito maior em tudo, antes de mim estabelecido, e agora era de extrema urgência e importância que ignorasse as leis da gravidade e saísse voando!
Sabia que tudo não passava de um sonho louco, como todos os que tenho todas as noites, mas acho que me enganei!
Acordar na segunda-feira, é como despertar de um pesadelo, com a diferença de que tudo ocorreu neste plano mesmo, e você ainda terá que buscar formas de superar as perdas, e principalmente, o que é ainda pior, explicá-las a quem é devido.
Algumas justificativas, das mais fáceis e usadas, não poderão estar presentes aqui. Eu preciso de extrema criatividade, para convencer, e esquecer das conseqüências, pois se pensar nelas, que é tudo o que tenho feito, eu não digo nada, e acabo piorando a situação.
Acho melhor eu desaparecer!
Adeus, até o ano que vem!
Foi bom estar por aqui neste Mondo!

O caminho de casa até ao trabalho, que demora 15 minutos apenas, parece uma eternidade extendida pela estrada, sem prazo de chegada. Principalmente pela companhia que parece ser a pior possível no mundo: o chefe!
Aquelas mesmas perguntas bestas, aqueles mesmos assuntos deprimentes!
A irritação começa a dar lugar à uma tristeza profunda, uma vontade quase incontrolável de chorar! Um cansaço da vida, uma depressão momentânea!
Imaginar as próximas 9 horas naquele ambiente, transtorna a tal ponto, que começo a ponderar sobre as formas mais agradáveis de morrer. Podia me afogar naquela represa! Podia ser picada por uma cobra com veneno mortal! Podia simplesmente ter um colapso nervoso, podia mesmo! Um ataque cardíaco-epiléptico. Um AVC!
A barriga dói! A cabeça e as costas dóem! As pernas dóem!
Chocolate! Eu só precisava de um pouco de chocolate, um pouco não, muito, muito, muito chocolate!
Uma cólica começa a surgir devagarinho. Mas eu sei que té o fim da tarde ela terá me dominado por completo! Será a dor mais insuportável do mundo! E eu desmaiarei! E acordarei numa maca de hospital, com buscopan sendo injetado na veia!
Ah! que saudades! Saudades da minha infância, da minha avó! Saudades do meu ex-namroado, do meu primeiro amor! Saudaes da inha primeira paixão!
Saudades das minhas amigas, e dos meus amigos!
Saudades da época que só brincava e ia à escola!
Que raiva deste tempo, que não passa! Eu só queria poder chegar em casa, tomar um banho e voltar a dormir!

Acordo, com o som estridente de meu despertador. Por que tenh que ter hora pra acordar?
Com alguma dificuldade, causado pelo sono em excesso, levanto-me da cama, ainda no escuro, tentando entender e buscar razões para todo este ritual diário!
Acendo a luz, e procuro ignorar a dor de cabeça que esta me causa por meus olhos terem se acostumado com a penumbra anterior.
Lentamente, muito lentamente, procuro algo o que vestir. Uma calça jenas que irá me apertar a barriga saliente por todo o dia, uma camiseta que será manchada com o molho do almoço, um sutiã que já não me serve mais, um par de meias de cor extravagante, e um sapato fechado, que esquentará meus pés por todo o dia.
Depois de trocada, tenho que arrumar a bolsa, com as coisas de que irei precisar, dinheiro para o almoço, chaves da sala do escritório e de casa, celular, absorvente higiênico, remédio para eventuais e constantes cólicas, escova e creme dentais, chiclete, relógio de pulso. Isso tudo tem que ser feito em menos de 2 minutos, já que perdi tempo demais me vestindo.
Vou para o banheiro, e visualizo a cara de um ser estressado, deprimido, irritado e com mil e um motivos para odiar o mundo! Lavo o rosto, porém o ser continua lá me encarando com impaciência. escovo os dentes, faço xixi, tento domar a juba capilar que me cobre a cabeça, e depois de alguns segundos de nervoso extremo, resolvo prendê-los mesmo, de qualquer jeito.
Então, encaminho-me para a cozinha, para tentar toamr café da manhã, atnes da fatídica campanhia ressonar pela casa a dentro, anunciando a hora de ir trabalhar.
Nesses dias é melhor evitar cafeína, pois seus efeitos multiplicam o mau humor e o ódio total e aniquilante de toda e qualquer espécie viva.
Alguma fruta cai bem, repõe os líquidos e as fibras!
Ainda restam alguns segundos, para lamentações e vontades quase incontroláveis de mandar tudo pro inferno e voltar pra cama!