Sobre Mariana Elis

Profissional crítica, ariana instável, mãe coruja. Gastrônoma e arquiteta frustrada. Futura doula.

É feito de sonhos e pó
A matéria do amor
Que dói, corrói e espanta
Que aflige e acalanta
Que carrega em si
Toda a essência de existir
Ser, estar, pensar, viver
Feliz!

Eu conheço uma flor
Que do mundo se encanta
E prediz para cada ser
A beleza da alma, do medo
De viver por um triz
Em que tudo se acaba
Perde-se, esvai-se e retorna
Matriz

E rebela-se a todo momento
O tempo
Que não existe, não é
O tempo: imaginação
Do ser vivente,
Alucinação da mente!
Como o movimento!

Já que a essência de tudo
É uma só
Não há como transportar-se
para outro lugar

Um único espírito vivo
A tudo contorna e recheia
E ocupa todo espaço
De nada e de matéria.

E é por isso, que somos todos um,
uma única existência!
No tempo, no espaço,
na matéria e na realidade.

A realidade não passa
De uma mentira bem contada.
A maior mentira que
a todas as outras sobrepuja
e passa por verdade.

A verdade mor
que a pensamentos destrói
Que inunda a alma simplista
De seres ditos racionais.

Seres que acreditam-se
Maiores e superiores,
Mas que deixam-se levar
Por suas próprias fantasias.

Seres que crêem no irreal.
O irreal que torna-se
Por si só, o mundo!

O mundo que abrange
O medo, o pavor, o horror
O temer por dias mais
Infelizes!

Mas se nada se faz
Para que tudo se transforme!
As preces não adiantam mais!
As preces nunca resolveram!

Mas, fazer-se de cegos,
surdos, mudos, loucos
Têm sido a saída, a solução
Dos seres que se dizem sábios
Mas que têm seus gênios atormentados
Por não conseguirem fugir
De sua própria imaginação!

Eu odeio o tempo
Porque com ele não posso contar
Eu odeio o dia
Porque é na noite que me sinto eu
Eu odeio as regras
É por isso que sempre as quero quebrar
Eu odeio as ordens
Porque elas só me tiram o que é meu

E o que é meu, é a falta de tempo
Pra fazer o que quero
Usar a noite pra me divertir
E o dia fica só pra dormir

Eu amo o espaço
Porque dele posso me aproveitar
Eu amo a noite
Porque ela me deixa mais feliz
Eu amo a liberdade
Porque dela tiro todo o meu ar
Eu amo a escolha
Porque com ela nada é por um triz

E o que é por um triz, é a sobra de tempo
Pra ficar sem fazer nada pra fazer
Usar a noite pra esperar
E o dia pra se aborrecer!

Morreu
A rosa que você me deu
A fonte que você bebeu
O sonho que você não quis
E ainda há certeza de ser

Sei
Que tudo o que você quiser
Será mais do que eu puder
E nossos sonhos serão reais
E eu verei o luar brilhar
Brilhar, brilhar

No céu
Que a estrela mais bela
Iluminou
E a vida eterna
Se preparou, e projetou
Você em mim

E assim
O mundo conspirará
Sempre a nosso favor

Morreu
A rosa que você me deu
Mas noso amor irá durar
Enquanto houver rosas pra você me dar.

Estava tomando um relaxante banho de espuma, depois de horas de gravação do meu programa de TV. Preparei peixe no jantar, uma receita que aprendi na Espanha, já que minha irmã resolveu ir a um bar com seus amigos depois da aula.
Tomava uma taça de champagne legítimo que havia ganhado de um fã. Repentinamente o interfone toca, e o porteiro anuncia a visita de um amigo que há muito não via. Pedi que autorizasse a subida, e enquanto ele subia pelo elevador somente tive tempo de tomar uma ducha rápida e vestir um robe de seda.
Atendi a porta, mas meu amigo demonstrou-se surpreso diante de meus trajes tão íntimos. Eu pedi-lhe então um momento para me trocar, e vesti um vestido solto do mesmo tecido. Ofereci-lhe champagne e o convidei para acompanhar-me no jantar.
Ele aceitou, um pouco encabulado, afirmando nunca ter me visto tão sensual quanto aquele dia.
Jantamos, bebemos mais um pouco de champagne, e resolvemos assistir a um filme que ele havia acabado de comprar em dvd.
O filme era parado. Não me recordo o nome, e então o papo acabou prevalecendo.
algumas horas depois meu amigo teve que ir embora. Até hoje fico imaginando o que teria contecido se o filme fosse outro, talvez “Infidelidade”.

O vento sopra gelado
Pela janela solitária
De amplitude descomunal
E assobia em uivo assombroso
Tornando a escuridão da noite
E a neblina carregada
Uma cena apavorante
Que atemoriza pobres corações solitários

O vento da solidão
Domina todo o ambiente do quarto vazioSe espalha por todos os cantos
E deixa lembranças de momentos felizes
que já não podem mais regressar

O vento que nunca para, que vai e volta
Forte ou fraco
É agora minha única companhia
A única que não se recusa a me visitar
E congela no meu rosto minhas lágrimas
Que teimam em sempre rolar
O chora da saudade
DA felicidade do que já se foi
Superam por vezes a esperança
De reencontrar aquele amor
Que cehgou como uma brisa
E se foi em uma tempestade.

O vento, companheiros antigo,
acaricia minha pele
tentando consolar, o que o tempo deixou para trás.

O vento, único momento de viver em paz!

Hoje a felicidade bateu em minha porta
pra dizer que apenas um sorriso bastaria
para que ela entrasse e fizesse sua moradia
mas eu havia me esquecido o que era sorrir
e desmanchei em prantos por tentar lembrar
e me esqueci que era a tristeza a dona do meu lar

Hoje o nobre palhaço da alegria
vestiu sua colorida e louca fantasia
e desfilou em minha sala o seu carnaval
mas eu me esqueci que já não enxergo cores
que me deixei levar por todos meus temores
e não podia com a cena gargalhar

Eu sei que todos dizem que depende só de mim
Eu sei que eu nem sempre fui tão só assim
Mas é difícil esquecer que amei você
E você não me amou!

Durmo para esquecer a noite de embriaguês que me levou a cometer tantas insanidades e besteiras das quais sei que me recordarei eternamente, mesmo que essas recordações sejam tão desgostosas a mim.

Bebo para esquecer a mediocridade da vida, a hipocrisia do ser humano e o desrespeito da sociedade. Bebo para conseguir dormir, pois sóbria dano-me a pensar nas bobagens que faço e digo e nas injustiças do mundo!

Penso para não fazer, penso muito antes. Mas faço para não pensar e penso muito depois. De pensar, fazer, beber e dormiré que vale esta vida peregrina!

Durmo durante o dia para beber à noite. E trabalho nesta idéia de pensar e beber para deixar de pensar no que faço. Bebo para faer coisas que não tenho coragem de fazer porque penso antes. Por isso antes de pensar tenho que beber para fazer e depois dormir para esquecer.

Bebo: logo, existo!