Sobre rafaellima

Rafael Lima é estudante de jornalismo

Cara, não querendo ser estraga prazer ou coisa do tipo, lá vem ele. De novo. Esqueça tudo o que conhece ou aprendeu. Ele é intolerante, insolente e megalomaníaco. Sim, ele que tudo vê e tudo sabe. Ele. Não se iluda com os livros de Kafka, Sartre ou mesmo os de culinária que ele carrega debaixo do braço. Se a discussão se enveredar por um lado mais, digamos, real e árduo (idéias que façam você e o meio em que vive se moverem, meu caro), pronto, o assunto acaba voltando para o lançamento do último filme do novo cinema tanzaniano (tá bom, admito, é o efeito Copa do Mundo). Por quê é tão importante se afirmar como uma pessoa culta, mas sem uma consciência social e política realmente importante, ou mesmo interessante? E todo esse conhecimento vale alguma coisa de verdade, ou é apenas status perante outras pessoas que não são ligadas nesse “mundinho descolado legal único de minha vida”?  Será que o não votar é tão descolado assim? E colocar a culpa dessa situação (sua, do país, tanto faz, você faz parte de todas) em alguém, estrategicamente falando, com uma porção de palavras bonitas e frases feitas de grandes pensadores, (alternativos, é claro!) também é ser legal?

Esse culto ao cérebro anabolizado de idéias e conceitos vagos podia muito bem ser proibido (por quem, eu não sei, mas que deveria ser feito rápido, deveria), pois mostra um dos piores comparativos que eu já vi na vida: O que é pior, uma pessoa culta, inteligente, que sabe que pode mudar o panorama da sua sociedade, mas que nada faz (sem motivo aparente, apenas não o faz) ou o ser humano que nada faz, pelo simples motivo de não saber o poder que tem, ou por não ser descolado o suficiente?

Mas vamos deixar de lado todo esse papo de ser adulto, chato e responsável, o que vale é garantir o lugar na fila para comprar o último disco do coral banda jazz-rock-samba-soul Nasci em Montevideo (é, se a ortografia está certa eu não sei, mas que é descolado, é!).  Não me leve a mal, mas estou indo embora, antes que eu fique culto demais!

 

Reclamar de tudo e de todos, mas sem sair de cima da nossa zona de conforto (isso mesmo meu querido, o seu precioso sofá!), está virando um dos esportes favoritos do brasileiro. Talvez esteja virando não, com certeza, é a nova mania nacional.

Imagina só se eu, importante e preguiçoso (e presunçoso também, por que não?), vou sair de meu trono pessoal, para fazer valer os meus direitos? Jamais o faria, mas não por ter de brigar por algo, mas por medo de perder a novela, sabe? As últimas semanas e os próximos capítulos serão imperdíveis, então, não terei muito tempo de participar daquela passeata por um transporte público melhor, ou ainda, corrida para arrecadar fundos para o lar-asilo-escola panamenho Señor Gutierrez. O trocar de canais do controle remoto (da TV ou do meu cérebro, hein?) já me desgasta demais.

Mas prometo praticar algum esporte ainda esta semana, mas só após os jogos de futebol e a análise da rodada, que por sinal, vai ser mais curta, pois aquele repórter chato vai entrevistar um político qualquer, candidato a algum cargo sem importância (aliás, alguém aí quer ser presidente? Temos uma vaga para preencher!). Mas, depois dessa coisa sem sentido, vai rolar algum filme, tipo desses em que o cara vira um herói nacional, só porque lutou contra algum vilão ou regime governamental tirano! Onde já se viu isso? Só em filme mesmo, e olha, já to cansado de tanta agitação. Talvez só aquela bebida energética do comercial para me ajudar a espantar o já recorrente cansaço que me assola. Pode ser que eu saia para comprar uma lata, mas só depois de saber o que vai ter de bom na programação (ah, que deve ser minha, só pode!). Será que tem diet?