Sobre Vana

Jornalista formada pelo Centro Universitário de Osasco - UNIFIEO. Nascida em São Paulo, é fotógrafa amadora em seu tempo livre. Vive hoje no Rio de Janeiro e descobriu uma nova paixão na vida : Viajar. Hoje em dia dedica-se a descobrir o atual mundo que vive, através de viagens, literatura e pelos amigos.

Depois de ter ido para alguns lugares como mochileira aprendi a viajar junto com as pessoas através de suas histórias. E foi assim quando me deparei com meu chefe que completou na semana passada 60 anos. Quem olha para o Dirlei nem desconfia da idade do mesmo, isso porque ele faz questão de trabalhar muito,  mas em contrapartida ele vive muito também. Com essa idade voltou pra faculdade, para fazer aquilo que gosta, pois aquilo que o formaria como grande profissional foi o seu primeiro investimento, que aconteceu anos atrás. Então resolveu sentar na cadeira novamente e completar 5 anos de estudo em Letras na língua alemã. Ele mesmo enfatiza que é interessante a ótica dos alunos quando ele entra em sala, de tio pra lá e tio pra cá, meio desbocado ele vai mostrando pra garotada que de tio ele não tem nada.

Neste encontro que tive com ele, no meio de um bom pé d’agua daqui do Rio, lá estava ele se aprumando para subir numa “motoca irada” que havia comprado pra desbravar algumas regiões do Rio de Janeiro, isso mesmo, nesta idade, e com um excelente cargo em uma grande companhia de nome importante no Brasil meu chefe prefere mil vezes sentir o vento tocar a pele do que ficar num carrão confortável viajando.

Depois que ele ficou sabendo do meu mochilão pela Europa – locais que ele ainda não visitou – andou me inspirando a ir conhecer Machu Picchu. Confesso eu que apesar de ouvir muitas histórias sobre o lugar nunca tive um verdadeiro interesse pelo mesmo, mas a forma com que Dirlei narra os fatos enlouquece qualquer “ouvinte”. – De repente o guia te leva pra subir a montanha, e pra subir a montanha você tem que masticar uma folha com um “negócinho”, é eles dizem que  é a folha de coca que amortece os lábios, eu bem sei que é aquele negócinho…fiquei já mega animado pra subir a montanha. E lá fui eu..do nada o cara pára no meio da trilha, perto das nuvens e fala – Vamos fazer uma oração para o Deus da montanha. Toquem na montanha. Sinta a vibração da montanha – diz o guia, e eu penso comigo – Não é que a porra da montanha está vibrando mesmo? Pois é Vanessinha..a viagem é inesquecível e você verá coisas das quais nunca viu na vida, e sentirá também essa energia do mundo, mas tem que ir e fazer trilha, andar no trem da morte, conhecer as pessoas…conhecer CUZCO! AHHHHHHHH CUZCO! E tome Inkacola..é um negócio doce doce doce…mas bem interessante pra se provar.

Machu Picchu

Ouvindo atenta as histórias vou montando um pequeno roteiro na cabeça. Vou me recordando da trilha do FItz Roy em El Chaltén, eu nem estava animada pra trilha, eu estava era morta! Cansada..com friooooooo muito frioooo! Havia chovido torrencialmente no dia anterior e eu tinha tomado uma boa dose de chuva. Queria ficar é quietinha no quarto do albergue vendo televisão. Mas pensei comigo – Poxa eu gasto uma grana pra vir pra cá fazer aquilo que eu posso fazer no sofá da minha casa? Ah não..eu vou mesmo acordar cedo e sair. Naquele dia chegando próxido da avistação do Sendero do Fitz Roy vi pela primeira vez um lago esverdiado leitoso, efeito esse causado pelo alto resfriamento da água e pela presença de glaciares. Meu olho marejou. Me segurei, olhei pra cima e lá estava o Cerro Torre e logo mais adiante o Fitz Roy com o sol batendo em seu pico…lindo. A natureza enlouquece quando você aprende a ama-la. Então ouvindo as histórais dele ficou complicado não querer ir, ainda mais quando ele diz – Você vai sentir a energia do mundo, pois ultimamente é isso que eu quero sentir mesmo…a energia boa que o mundo todo tem para me oferecer…e que a energia ruim fique bem longe porque eu não quero nada com ela!

Machu Picchu

 

Desculpem o sumiço, aproveitei 8 meses de planejamento e fui fazer minha primeira viagem para o velho mundo. E depois de muito olhar, perceber, cheirar e absorver vim compartilhar algumas experiências com vocês.

Eis a grande descoberta da viagem: muitas expectativas podem fazer com que certos lugares te decepcionem. Aconteceu comigo em Paris. Não, Paris não é feia, não é suja, muito menos decepcionante. A cidade parece realmente ter saído de uma tela de cinema. E tem direitos absolutos de ser chamada de Cidade Luz por tanta luz mesmo que emana. Mas eles tem um sério problema em receber estrangeiros, e olha que brasileiros são bem queridos por eles, porém, no verão acho que a cidade fica tão entupida de turistas que os parisientes ficam com menos paciência ainda, então qualquer coisa é motivo para ouvir um clássico Je ne sais pas (eu não sei).

Torre Eifel iluminada

As estruturas dos albergues deixam bastante a desejar, e os mais próximos da região central são bemmmm caros, normalmente tem curfew (horário em que não é possível sair do albergue) e os cafés da manhã são horríveis. Porém Paris é a cidade da padaria! Então aproveite..coma muitos queijos (e varie..aliás..varie mesmo!). Pare numa banca de frutas e experimente. e se possível coma um clássico Croque-Monsieur é o mais famoso sanduíche francês. Se for viajar no verão eduque o nariz. É isso mesmo, no verão é complicadinho pois parisiense não gosta muito de tomar banho, então eles tem um cheirinho meio forte..rs..mas algo extremamente necessário a dizer eles são educados, e muito. Pra tudo é Bonjour, Bonsoir e Merci…então faça o favor de ser educado, você ganhará pontos com eles.

Como eu sou metropolitana de natureza descobri que a minha segunda casa no mundo fica em Londres. Isso mesmo. Um lugar onde é possível dizer com liberdade da expressão: VIVA A DIFERENÇA. E diferença mesmo! Você pode andar de ponta cabeça pelado que ninguém vai te olhar, pelo menos não os londrinos. Eles não estão nem ai com o mundo, são bem tranquilos com a diferença. Lá as casas são bem fofas e sem falar que a cidade tem um clima muito gostoso. Fui abençoada por ter pego dois lindos dias de sol, algo raríssimo em Londres. Mas ver a cidade cheia de vida com o sol me fez me apaixonar ainda mais. Sem falar que os tranportes públicos são muito bem sinalizados, uma das melhores malhas metroviárias do mundo e muito bem sinalizadas. Mesmo que você não conheça a cidade é fácil pegar um ônibus de dois andares pra dar uma conferida na cidade pelo ônibus, diferente do metro. Porém se você está com pressa..ande de metro..ele te levará em todos os lugares da cidade. Além disso há um esquema para conhecer cidades próximas por até 5 pounds. Isso mesmo, você pega um ônibus de viagem e paga 1 pond, as vezes, e outras até 5, porém você pode ir até Brighton. Ou até outras cidades, esse serviço é oferecido por duas cias:National Express e pela Megabus. Vale a pena conferir para fazer passeios diferentes.

O albergue que fiquei lá foi um dos que eu mais gostei, o Palmers Lodge. Apesar dele ficar um pouco distante da área central de Londres, ele fica num bairro chamado Swiss Cottage, bem próximo do Hampstead, um dos bairros nobres de Londres, onde é possível encontrar pequenos e gigantescos palácios, um inclusive tem uma gigante bailarina na frente em homenagem a primeira pessoa que morou nele. Além disso, estamos em Camden Town, onde há vários pubs bacanas. O albergue tem várias barganhas como um bar otimo e barato, é possível também comprar bilhetes de metro direto no albergue, eles tem uma espécie de convênio com a 3a. melhor balada do mundo Ministry of Sound. Normalmente paga-se 15 Pounds pra entrar, porém o albergue consegue por 6! Além do albergue ser grande, as camas vem com uma cortina pra você ter sua privacidade, o albergue conta ainda com uma IMENSA sala de descanso, , e uma cozinha que serve almoços e jantares por 5 pounds, outra coisa que você não encontra em Londres..pois comer fora significa gastar um pouco mais. Cuidado com a comida..os londrinos adoram uma pimentinha..rs..mas é bem comum ter peixe com batatas.

Vana em Londres

Volto na próxima pra mostrar mais algumas impressões que tive da viagem!

 

Fontana de Trevi – Roma - Italia
Fontana de Trevi – Roma - Italia

Muitas pessoas me perguntam porque eu escolho determinados lugares para viajar. Bem, como sou uma pessoa que gosta muito de cinema e música, normalmente minhas viagens começam deste “start”. Vou linkando as cidades em que eu vi tal filme e gostaria de passar por lá – Como é o caso de La Dolce Vitta e minha futura visita a Fontana de Trevi na Italia, ou o filme An Education que me inspira sempre a pensar em uma Paris diferente, não a Cidade Luz para turistas, mas para os intimos, e por isso tenho buscado indicações de lugares onde os parisienses gostam de ir e não onde os turistas querem estar.

An EducationMontar o roteiro de uma viagem está ligado também ao gosto peculiar e particular – ou até as por suas curiosidades. Há pessoas que desejam ver as praias do mundo, então montam seus roteiros baseados em que praias poderão visitar. E a busca pela variação também tem seu encantamento, pois propicia a sensação de conhecer mais aquilo que se gosta. Claro que o conhecimento do lugar propicia um melhor aproveitamento daquele determinado momento, há muitas informações nas entrelinhas.

Outras pessoas – os que gostam de Rock por exemplo, não vão querer perder a oportunidade de passar por exemplo por Abbey Road, onde os Beatles gravaram. E pensam até em que período viajar, caso seja possível pegar a turnê daquela banda que até hoje não esteve no Brasil.

Os motivos que levam alguém a visitar um lugar além de fortaleceram a busca para garantir que sua passagem seja inesquecível, tornam o lugar parte de nós e a sensação de que nossa alma também pertence aquele lugar fica mais evidente. E como disse no primeiro texto, nossa alma, muitas vezes enclausurada nas nossas rotinas do dia a dia, volta mais revigorada quando lembra que o mundo todo que a rodeia (mas não necessariamente está próximo) faz parte dela.

Recentemente uma grande amiga resolveu fazer um Mochilão pela Argentina, muito movida pelo meu mochilão. A resposta que recebi dela foi – Ah, é bonito, mas sei lá, não era nada mágico. Qual foi o problema deste roteiro? Ela havia escolhido o lugar por uma indicação de outra pessoa, sem se questionar se ela mesma queria estar lá. A situação não poderia ter sido diferente, porque aquele lugar ao qual ela visitava não fazia parte dos desejos internos da mesma. Ele era bonito, diferente, mas não a atraia. Logo em seguida conversamos bastante -e como sei que ela AMA vinho, perguntei como foram os passeios por Mendoza, na Argentina. Naquele momento vi os olhos dela brilharem! Ela havia se apaixonado por Mendoza, tanto que passou uma manhã toda buscando informações sobre vinhos antes de fazer as visitações, e que isso fez com que ela aproveitasse ainda mais os passeios! Bingo! Foi ai que ela mesma percebeu que só conseguiu descobrir o que queria da viagem bem próximo do final. O triste é que ela não podia apertar o botão voltar pra mudar tudo, porém ela aprendeu uma ótma lição.Ou seja, hoje quando ela montar um outro roteiro vai se lembrar dos momentos que se divertiu mais, e com certeza esses momentos estarão ligados ao gosto pessoal que ela tem.

Não há arrependimentos óbviamente em uma viagem, mesmo neste caso, mas nada mais inspirador do que ligar a “fome com a vontade de comer”. Por isso se for procurar fazer uma viagem diferente, ligue suas “visitas” ao seu gosto pessoal, procure ir a lugares que te inspiram ou que te deixam curioso (a)

E já que estamos falando de gostos, queria saber como seria o roteiro de vocês. Se hoje você tivesse o dinheiro necessário para ir viajar, para onde iria? E porque?

Cinque Terre – Italia
Cinque Terre – Italia

 

 

Você pode achar besteira a frase acima, já que pra qualquer pessoa viajar é necessário um certo planejamento: o planejamento de quando tirar férias, ajustar a agenda pessoal pra viajar, separar o dinheiro para a viagem, que tipo de lugar ir (e que roupa levar), para onde ir. Sim, é verdade! Tudo que eu citei até agora faz parte de um planejamento, porém estou falando de outro tipo de planejamento, sobre como se planejar com antecedência para que a viagem saia mais $$$ barata!

Há 3 anos atrás quando eu buscava um lugar para viajar nas minhas férias fiquei abismada com os valores dos pacotes. Tudo bem que os lugares que eu queria visitar eram maravilhosos: Florianópolis, Arraial d’Ajuda, Maceió e Argentina. Porém, o meu orçamento não me permitia comprar esses luxos, isto porque a maior parte dos pacotes de Agências de Viagens, são curtos (de 2 dias há 8 dias) e custam caro, pois oferecem a você um sonho: viajar para um lugar desconhecido sem se sentir sozinho, onde não é preciso se preocupar com detalhes. No valor dos pacotes normalmente tudo está incluso: passeios, voos, almoços, jantares e um turismo um pouco diferencido do que eu venho propondo nesta sessão.

Turismo de pacote normalmente funciona assim: Eles te buscam no aeroporto, te deixam no hotel. Você toma aquele café maravilhoso e na saída tem um ônibus te esperando. Dai você vai até o local do passeio com um guia que conhece tudo do lugar e compartilha contigo algumas informações. Ele fala, fala, fala. Você ouve, ouve ouve (uma hora obviamente você vai parar de ouvir) e se cansa. Entre um momento e outro você senta, levanta e tira fotografias. Muitas vezes as pessoas acabam indo para lugares que não queriam estar, porque? Bem, porque como disse o vendedor no dia em que você decidiu comprar o pacote: Está incluso no pacote! Então aquilo que você se programou para ser as suas tão sonhadas férias, passa a ser mais uma obrigação a cumprir.

Pois bem. Em busca de algo diferente do que os pacotes me propunham, e com o bolso não tão cheio que me permitisse esse luxo, descobri que é possível planejar uma viagem inteira sozinha! E o melhor de tudo: com o dinheiro que eu gastaria para passar 5 dias em determinado lugar era possível passar: 30 dias! Perfeito não é mesmo? Quem olha este texto até o presente momento, pensa que estou trazendo aqui uma fórmula mágica de felicidade, pois não se trata disso. Planejar uma viagem sozinho (a) dá trabalho, muitas vezes é um pouco cansativo, mas prometo que a recompensa virá! Ainda mais quando você estiver ao lado do Sena – em Paris, num piquenique com queijos e vinhos se sentindo parte da paisagem.

Planejar uma viagem sozinho (a) envolve procurar passagens mais baratas – e normalmente elas devem ser compradas com antecedência. Procurar acomodações – seja em albergues, hotéis ou b&b (bed and breakfast – cama e café) antecipadamente para que o custo saia mais barato. isso significa que eu vou ter que ficar em lugares ruins? Não! De forma alguma, alguns albergues  – também conhecidos mundialmente por Hostels, colocam hotéis no chinelo. Oferecem serviços especializados como quartos só para mulheres, cafés continentais, lavanderia. A diferença é que você pode optar em ficar em quartos compartilhados, que são mais baratos. Mas estes lugares também tem quartos para casais (não se acanhe, você não terá que dividir seu marido/namorado com ninguém!). Hoje eles possuem tão boa referência e bons atendimentos que são citados até mesmo naquela revista de viagem que você vive namorando na banca. Além destes detalhes também é necessário procurar um bom guia de viagem (livros/revistas) e dicas na internet para os passeios.

Sabemos que na internet há informações sobre tudo. Falando em viagens então é possível encontrar vastas informações de lugares com preços bem acessíveis e dicas preciosas – dicas essas que só tem, quem já foi. Dicas de albergues, restaurantes, passagens, como se locomover, para onde ir, como sair do roteiro tradicional do turismo local e conhecer lugares diferentes. Além das dicas, você encontra as histórias dos locais que irá visitar, e conhecer o lugar onde se vai garante um melhor aproveitamento do passeio, pois enxerga-se a história por trás da parede, ladeira ou paisagem.

O fato é que este planejamento antecipado vai garantir uma folga pro seu bolso e um descanso pra sua mente – mas somente depois que tudo estiver planejado heim!  Pois quem decide as férias uma semana antes de viajar paga o preço, ou pelo pacote ou pela falta de planejamento, com a certeza que a viagem sai mais cara.

Pra começar o seu “planejamento” ou melhor, pra começar a montar o “pacote de viagem dos sonhos” vão aqui alguns passos:

  1. Monte um roteiro. imagine-se no lugar e pense no que quer fazer
  2. Compre um guia de viagem – de preferência aos que são voltados pra quem não quer gastar muito
  3. Divida tudo em 3 partes: Calendário de dias – com uma descrição do que você quer fazer em cada dia de sua viagem, Transporte – para saber como você irá se locomover de um lugar para o outro e Hospedagem – Para saber onde você irá ficar durante a sua viagem.
  4. Seja audacioso! Não voe baixo: Se você quer ir a Paris, porque não visitar outros lugares? Dar aquela esticadinha em Londres ou em Cote D’azur. Com antecedência é possível achar passagens por até 50 reais para estes lugares
  5. Não pense que você está criando uma rotina, roteiros são apenas guias daquilo que queremos, provavelmente você irá mudar algo na sua viagem! Permita-se esses momentos!
  6. Divirta-se. Faça aquilo que te der na telha, mesmo que seja tirar um cochilo debaixo da rede ou um dia inteiro na cama, estas são as suas férias, porque não fazer o que VOCÊ quer?

É bom saber que mesmo com todo esse planejamento a gente costuma dizer que a viagem só começa mesmo, quando perdemos os Mapas…

Sites de ajuda:

  • Mochileiros (dicas de quem é escolado em viajar)
  • Skyscanner (pesquisa de voos em Low Cost)
  • Hostelworld (pesquisa de albergues e B&B)
  •  

    Mulher viajando
    imagems por www.corbis.com

     

 

Não conheço uma pessoa no mundo que não goste de viajar. Isto porque viajar possibilita sair de onde estamos agora e conhecer outros lugares, pessoas, espaços. Viajar significa dar uma “brecha” nos nossos loucos dias de trabalho e estudo e sermos um pouco egoístas: pensar SÓ em nós mesmos. Viajar abre a janela da nossa alma, é como comer uma comida nova ou respirar um perfume novo, arriscar-se sair da rotina e nos permitir pegar um outro caminho, uma área “totalmente desconhecida”.

Há quem viaje com os livros, onde cada leitura proporciona encontros com o outro e com nós mesmos. Há quem precise apenas se sentar, abdicar-se do barulho e uma nova viagem começa, a viagem interna, uma espécie de viagem do pensamento. Bem, eu? Eu gosto é de colocar minha velha mochila surrada nas costas com aquilo que preciso para viver alguns dias, algumas poucas roupas, uma barraca, um saco de dormir, uma boa música e sair mundo afora. Então para compartilhar com o mundo essa experiência nova, que normalmente me permito fazer sozinha, vou colocando ela em pedaços de papel e compartilho. Seja através dos blogs ou até mesmo da fotografia, vou recortando o mundo novo que visito e guardo, na certeza que aquelas fotografias ou palavras não são só imagem pra mim, mas cheiro, toque e muita degustação.

Há quem pense que para viajar é preciso muito. Na verdade precisa-se de disposição e nada mais. É possível montar roteiros pequenos de viagem, como um final de semana, e torná-los tão inesquecíveis quanto aquela viagem dos sonhos pela França, Bariloche ou a India. Viagens são muito mais as escolhas que fazemos do que os lugares que visitamos. E claro, aquilo que você permite entrar no seu mundo. Quanto mais aberto estamos para nossas viagens, mais momentos mágicos podem nos surpreeender. É o toque mágico do outro em nossa nova histórias. Nestes momentos deixo que o outro conte a história pra mim. No meu caderno novo, branco em folha, sem muito se preocupar com as linhas deixo que ele vá rasurando, permito que ele faça um rascunho desta nova “”nossa”” história. E quando, mesmo que sozinhos indo viajar, nos deparamos com outras pessoas para dividir…ai que tudo fica melhor. Me lembro nitidamente de estar perdida dentro da cozinha no albergue lá em Manaus quando uma menina de 16 anos local me disse – Ah mas você vai comer sozinha? Nada disso..vamos juntar nossas coisas, chamo mais algumas pessoas e assim teremos conversas para uma tarde toda. E aquela tarde, até hoje na minha vida, se tornou uma recordação amorosa, um deleite e uma inspiração. É uma das que me recordo com mais prazer. Ou quando sem nenhuma vergonha na cara pedi a uma senhora lá em Belém do Pará para subir em seu telhado para fotografar o Círio de Nazaré. Não só ela cedeu o telhado como me acolheu, e ainda sim depois durante uma hora de muito choro (por minha parte) ela decidiu sentar e orar. E ouvindo suas orações meu coração começou a se acalmar. Até que em determinado momento ela parou e disse: Agora vamos tomar um café, pois sua alma já está calma outra vez.

São nessas experiências que sua alma percebe que o mundo todo pertence a ela, que não há fronteiras. As fronteiras existem porque nós mesmos construimos elas. Quando você quebra essa barreira inexistente, novos caminhos surgem. Mas caminhar nele depende de você. Normalmente nosso medo nos impede de continuar. Mas é claro! Há tanta coisa nova para descobrir! Quem não temeria? Mas como somos muito sedentos de conhecimento, novos lugares e novas pessoas, acabamos movidos pela chama da curiosidade, e alguns – não todos claro – descobrem que ao compartilhar com o outro e viajar sozinho, descobrimos muito de nós mesmos: do que gostamos, o que queremos e como queremos viver pelos próximos 20 anos. Aliás viver é algo bem presente em viagens. Pois não estamos preocupados em bater metas ou matar o dragão da vez em nossa rotina de trabalho. Não existem provas nem trabalhos escolares. Existem apenas os planos de onde eu quero ir, onde irei comer, com quem irei. Nem as roupas são uma preocupação, mas sim a experiência de vida cravada em cada uma dos próximos momentos.

Cada vez mais levo a crer que as pessoas deveriam viajar todos os dias. Alguns poucos minutos de liberdade para si. Esse exercício, que parece ser bobo, libertaria muuitas almas, e assim elas não desaprenderiam a pedir. Ficar tanto tempo caladas fez com que elas desaprendessem a pedir. Vivem com aquilo que oferecemos. E depois somos nós que dizemos que a vida passou bem diante dos nossos olhos. e fomos apenas expectadores dela, quando deveríamos ter nos esforçado para nos tornarmos os atores principais.

Venha você também viajar comigo e descubra mais sobre si mesmo.

eu me perco. simplesmente quando ele me olha meio de lado. surrupiado. roubado. ou quando deitada ele se deleita da minha pele e me enche de beijos. eu me encontro quando percebo que minha metade é assim, humana demais. que ferve demais. grita. não se acalma. eu me disperso, quando ele chega manso. ou quando com palavras me enche de rubor. eu me importo, quando estas podem ser mais fortes do que aquilo que eu suporto. são tão duras que me faltam algumas para a resposta. eu fico inebriada, anestesiada ao ser despida com os jeito malandro ou quando ele se encaixa em meus quadrantes. com seu jeito de homem menino que me encanta. sou menina, criança quando ele me gasta, irrita, só pra me fazer montar uma careta na face. a gente se diverte, ri a beça mas silencia. cala. e nosso silêncio desta vez não grita. ele cala com a gente. eu me despedaço, quando vejo que logo termina. que tão logo não vou sentir seu gosto em minha saliva, que não vou manter-me quente logo de manhã e percebo que não cabe em mim mais o que tanto lutei pra não ter. esse amor bandido surrado, vedado e sincero que com ele vem e tanto me satisfaz.5

1. desprender-se das coisas. deixar com que elas vão embora. com que as pessoas tomem seus próprios rumos.

2. saber que estar sozinha é apenas mais uma fase. mais uma fase para conhecer a si mesma. e provavelmente uma longa fase, pois é preciso muito tempo para se conhecer.

3. saber que planos não devem ser feitos. nunca. deixar tudo na mão do destino. esquecer-se do amor. endurecer na queda. acreditar que um dia de cada vez é a melhor coisa que pode acontecer. lembrar que corações feridos costumam ferir também. muito mais do que corações saudáveis.

4. não abrir a guarda para chavões e cantadas antigas. parar de achar que beijos são a porta para relacionamentos. lembrar que sexo só é bom mesmo quando se está de plena consciência que não irá durar – muito diferente de fazer amor. a

5. gir um pouco mais com a cabeça,e menos com o coração – e me lembrar sempre do quanto isso é quase impossível.

6. querer gente de verdade perto.

7. me alimentar de presente. libertar-se do passado.

8. escrever quantas vezes for necessário: eu me amo.