Vana

don’t get lost

não se perca.
o único plano que podemos fazer de verdade
(verdade mesmo!)
é deixar a vida na mão do destino.
o resto não passa de um livro
sem páginas
esperando para ser
preenchido

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.brincos

e foi de um amasso meio dado no domingo que acabei me lembrando deles. dai cheguei em casa e fui fuçar nas minhas coisas soltas. achei alguns. histórias? algumas várias. tenho algumas que fariam qualquer um ficar vermelho vermelho de ler. mas é melhor não divulgar. alguns eu perdi dançando. outros eu perdi na pressa de encontrar com alguém. outros..bem outros se perderam no meio de mãos, rostos e bocas. esses sim são os melhores. aquele que a gente perde e só se dá conta quando está dentro do carro voltando pra casa. dai a cabeça faz um esforço danado pra saber onde foi que ele se perdeu…mas não funciona. o instinto está tão aguçado pelo efeito açucarado que é se perder nas mãos e nas coxas de alguém que nem depois de muito esforço conseguimos dar conta onde é que foi parar aquele brinco. Teve alguns que eu até chorei por perder. não que me senti arrependida. mas poxa…havia gostado tanto do tal brinco que eu sabia que ele me faria falta. Mesmo porque ele combinava muito bem com aquela roupa que eu adorava vestir. ainda me lembro do brinco branco grande que perdi numa parede estranha de algum lugar. logo depois dançando uma amiga disse – Ué..cadê seu outro brinco, então eu pensei rápido..Nada amiga..isso aqui é pra fazer moda e não é que a tal moda pegou…acho que acabei fazendo de certa forma um hit..rs..

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cordas

então está bem
a gente se amarra bem forte
e se segura
- tá amarrado?
- tá sim…bem forte
blz…agora o furacão pode passar…

Ei…vai dar tudo certo. viu?

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.blossom

pois é. acabou. não vou mais ter de chegar em casa numa sexta feira correndo, ter uma hora pra descansar e depois me arrumar de novo para ir trabalhar. não vou mais aturar você gritando no meu ouvido que você odeia tanto as pessoas que eu gosto. que você detesta a música que eu escuto. não vou mais nem ter que ouvir seus chiliques. nem seus trambiques achando que és a pessoa mais correta do mundo. não vou ter que ser condizente com seu pensamento pequeno que tudo é uma droga e que nada vai mudar. desta vez não vou precisar esperar até amanhecer o dia para poder ir embora. não vou tomar banho de chuva no ponto de ônibus 5 horas da manhã imaginando como teria sido se eu tivesse dançado só mais uma com aquele carinha interessante. nem vou mais curtir baixinho as canções que gritavam dentro de mim e nem vou me privar de cantar só porque o seu ouvido é tão sensível a isso.

vou poder gostar de verdade do som que sai daquele instrumento musical. também não vou poder mais esbanjar dinheiro no final de semana. não vou poder contar com aqueles R$40,00 sagrados das noites torturosas de sexta e sábado. vou ter que me apertar durante o mês, só até eu ser promovida mesmo – e isso tão logo vai acontecer. diferente. muito diferente de você, eu não vou esperar que as coisas aconteçam, eu não vou ficar aguentando aquilo que eu não suporto. não vou conviver com gente que eu detesto. vou agora mesmo me levantar deste tombo da vida e dar a volta por cima, enquanto você fica ai….reclamando.

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/out.

o mais dificil sempre foi me aceitar. aceitar uma beleza recôndita. aceitar um sorriso que por vezes não pertenceu ao momento, e muito menos ao meu corpo. aceitar que neste mundo movido por uma ótica distorcida de beleza eu estava sempre fora do padrão. fora. estar por fora. ser out total. gorda quando o padrão é magrice. cabelos escuros, quando eles ficam loucos pelas loiras. ter peito, quando o que eles querem é bunda. ser inteligente e interessante quando na verdade o que eles queriam era uma menina burrinha pra levar pra cama e poder fazer de gato e sapato. aceitar tudo isso nunca foi fácil.

dai numa segunda qualquer você acorda. e decide fazer parte de um grupo. de pertencer a uma turma mas não dá. porque? porque você é out. Se você curte as roupas não curte o som. se você curte o som. não curte as roupas. se curte o som e as roupas. não curte as idéias. Então você se propõe a se transformar num liquidificador ambulante de mil estilos estilos. se violenta ao saber que você está out. mesmo quando está in. porque mesmo olhando essa cara tapada no espelho todo dia e descobrindo mil formas de olhar o mesmo ponto. ainda não matei a charada.

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Dias “morpheticos”

Você sabe que dias são esses? Eles acontecem as vezes. Sabe? São aqueles dias em que você acorda, pensa em todas as coisas que vai fazer e conforme o dia vai passando o mundo vai desmoronando na sua cabeça…são os chamados dias de murphy – aquele cara idiota que disse que a tendência é que o pão caia sempre com a manteiga virada pro chão..pois é…

Eu me lembro bem daquele dia. No ano retrasado, durante a produção do trabalho de conclusão de curso eu e meus parceiros de trabalho estávamos em uma sinuca de bico: arrumar um laptop para poder fazer as pesquisas em outras faculdades. Como a responsável pelas pesquisas era eu, acabei me virando de todas as formas possíveis para facilitar meu trabalho. Até ai tudo bem, consegui o laptop e agendei uma visita lá na Casper Líbero para fazer a pesquisa. Tudo correu bem, porém eu não consegui terminar toda a pesquisa e tive que retornar no dia seguinte (pelo menos tentei).

No dia seguinte fui trabalhar linda e sorridente preparada para sair e ficar mais cinco horas na tal biblioteca fazendo a tal pesquisa..porém as coisas não estavam correndo como o planejado….(vai vendo o que aconteceu…)

Primeiro sai correndo de casa e esqueci a base para carregar o laptop – tive que comprar uma nova pra poder fazer a pesquisa…mas tudo bem, eventualidades acontecem a todo o momento. Combinei com meu chefe de sair 15 min antes do meu horário para poder chegar na biblioteca a tempo, pois na Casper há um horário limite para a chegada de visitantes. Logo quando estava descendo as escadas rolantes do Conjunto Nacional começou a cair “A CHUVA”..e óbvio eu estava sem guarda chuva…e outra..não podia deixar o laptop molhar porque se ele queimasse eu ia ter 2 problemas na mão..porém não podia ficar ali esperando a chuva passar por causa do horário.

Depois de pensar durante 30 segundos resolvi seguir meu instinto cara de pau e acabei pedindo para um rapaz muito simpático me dar uma “carona” no guarda-chuva dele. Mesmo apertando o passo do tal moço, acabei me molhando muito, mas tinha ainda 2 min para entrar na biblioteca e terminar o trabalho. O problema é que a moça da portaria não deixou mesmo eu entrar..dizendo que o horário havia terminado. Eu tentei – juro que tentei de diversas formas convencê-la que eu precisava entrar naquela biblioteca aquele dia, mas nada no mundo convenceu a tal mulher..e meu desespero estava cada vez maior. Acabei desistindo e fui para outra biblioteca, a do CCSP. (a única coisa boa é que depois deste trampo todo a chuva havia acabado)….mas

Obviamente que o trânsito não..e por conta do maledeto eu ainda estava na Paulista depois de uma hora do ocorrido acima. Desisti mais uma vez e voltei ao trabalho, achei que seria interessante aproveitar o tempo que restava da tarde para revisar a pesquisa…

O problema é que o tal laptop não ligava! De jeito nenhum..comecei a chorar..a entrar em desespero já vendo o quanto sombrio iria ser meu futuro…Crente que nada mais poderia acontecer fui embora pra casa..

Fiquei mais de 30 min esperando o ônibus, e quando ele veio estava lotado! Mas depois de tanta eventualidade…isso não me abalaria, afinal o que mais poderia acontecer? Foi ai que eu decidi procurar o meu bilhete..procurei, revirei a bolsa, abri mala, abri o laptop, revirei bolsos..nada..o tal bilhete único* havia simplesmente sumido..desaparecido. Eu falava..como assim? Meu Deus porque isso? Pra que esse castigo todo!! Sorte que sou uma pessoa bastante comunicativa e uma amiga minha estava no ônibus, me salvando naquela ocasião.

Decidi conversar com ela sobre tudo que ocorrera e ela riu muito….hoje eu também dou risada do ocorrido. Logo depois dela descer, depois de uns 3 pontos o ônibus resolveu quebrar e fiquei mais 30 min esperando outro…Cheguei em casa, tomei banho e resolvi dormir, afinal de contas..nada mais poderia ocorrer na minha cama não é mesmo?

* bilhete único é uma espécie de bilhete que carregamos na lotérica com dinheiro e passamos no validador do ônibus que cobra nossa passagem..ele é uma grande salvação aqui em SP (principalmente pra mim)

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Renata

abriu a bolsa e mastigou a última bala. mordeu a mesma e sentiu ela destroçando dentro da boca. desfazendo. (meta congluências). se deliciava naquele momento. havia só um pensamento dentro dela. o silêncio da rua era maior do que a sonoridade absorta dos carros. era quase um prazer gentil pra ela. mastigava e relembrava dos quinze minutos antes. subiu lânguidamente as escadas. havia colocado um vestido vermelho. algo quase vulgar. sentia os olhares na rua sobre seu decote incoerente. colocou o salto mais confortável, pensara que deveria correr depois. subiu o elevador. aprumou-se diante do espelho. sorriu. havia vestido uma calcinha toda de renda. pequena. seus seios fartos faziam até o sutien 44 parecer pequeno. era gosto de chocolate seu corpo. esperou um pouco, tocou na porta levemente como se pudesse sentir o que havia do outro lado. contou cinco. era o tempo necessário. abriu a porta. despiu-se, mas não totalmente, as pequenas partes ainda faziam parte do conjunto. abriu a bolsa e foi direto no quarto. quando abriu a porta transformou-se em qualquer coisa. menos nela mesma. aderiu a cama junto com Carlos e Ana, não era mais Renata. permitia-se aquele desejo estranho apenas uma vez. enquanto isso. o ódio lhe tocava a garganta e quase nem sentia as mãos tocando seu corpo. tudo nela era quente. mais quente do que a luxúria exposta dos amigos. sentia pudores. invadiam seu corpo toda ira, toda angústia. e sorria. nada ali era ela. só o ódio. a raiva. ira. deslizou até o canto da cama e esfaqueou primeiro Ana, Carlos sem entender, confuso contudo achou que era apenas mais uma brincadeira e abriu o peito. Renata nem refletiu. Teve o primeiro orgasmo ali, quando fez com que sua faca possuísse o corpo de Carlos. Deixou escorrer todo o sangue e diante dos olhos dele viu a vida esvair. Levantou-se, apossou-se da água quente que lhe lavava a pele. O cheiro de chocolate já não existia. Vestiu-se e saiu, rindo com todos os olhos. Perto da calçada abriu a bolsa..pegou a bala e mastigou…

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frag. mentos

no dia seguinte talvez você não entenda o líquido que desce garganta abaixo. e que queima. é provavel que também não entenda que todas as histórias tem fim. e também que algumas tomam rumos diferentes.
pode ser que você não consiga enxergar por detrás do vidro embaçado daquele carro, enquanto alguém faz amor.
é bem provavel que você não acredite em coincidência e tente desmistificar o fato da pessoa ao lado não ter a mesma visão que a sua.

no dia seguinte pode acontecer de uma gota de chuva cair e você sentir que tem um maremoto dentro de ti, então ela se torna insignificante por fora, mas gigantesca por dentro. pode ser que nenhuma verdadeira guerra esteja acontecendo, mas que no meio de tudo isso você esteja apontando a arma para alguém desarmado.

no dia seguinte de qualquer vida, perante qualquer pessoa, daqui algum tempo, ou no instante agora você pode se arrepender das promessas e das verdades momentâneas que disse sobre alguém. não haverão pedidos de desculpas. e você nunca irá saber realmente como as pessoas irão te observar. ninguém – nem você mesmo – saberá ao certo como é, como deveria ser, ou como poderia ter sido.

mas no dia seguinte. a única certeza que temos, são os fragmentos obtusos ou largos deixados sobre um quarto escuro dentro da alma d’agente

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a.zulejos

se nada disso parece pronto é que os projetos seguem a desordem
não estavam assim quando sai, até talvez sempre esteve e eu que não sei
ou sei de tudo

se não há traços salgados não há um motivo para não estar no chão da sala e subliminar, segundas, terceiras, quartas intenções
e você teceu uma estratégia no caminho da locadora
assim ó:
andando nós dois, na cor dos passos
em São Paulo.as nove horas da noite
voce grita. sai mais alto que o som dos carros
quando se irritam e mais baixo do que o barulho das luzes
quando se apagam
.
(assinatura)

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w.alking

“E de tanto calar, eu me solto
arrebento o peito e grito.
esperneio. não sei calar.

E de tanto doer eu sangro
e do meu sangue vermelho ácido
plaquetas de amor

E de tanto morrer é que eu vôo
me faço viagem dos continentes
sou rio
margem
miragem
sou ventre

E de tanto querer eu não tenho
Não venço
Não morro
Só espio
candidamente a cinza
e entorpecida tarde que
c
a
i

Amanheço gélida
Fria descompassada
E o lençol esquenta
o que nada mais esquenta
ocupa o vazio
do que não preenche

De tanto
ser
o que eu nunca
fui”

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Vana

Sobre
Jornalista formada pelo Centro Universitário de Osasco - UNIFIEO. Nascida em São Paulo, é fotógrafa amadora em seu tempo livre. Vive hoje no Rio de Janeiro e descobriu uma nova paixão na vida : Viajar. Hoje em dia dedica-se a descobrir o atual mundo que vive, através de viagens, literatura e pelos amigos.
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