Sobre Vana

Jornalista formada pelo Centro Universitário de Osasco - UNIFIEO. Nascida em São Paulo, é fotógrafa amadora em seu tempo livre. Vive hoje no Rio de Janeiro e descobriu uma nova paixão na vida : Viajar. Hoje em dia dedica-se a descobrir o atual mundo que vive, através de viagens, literatura e pelos amigos.

o mais dificil sempre foi me aceitar. aceitar uma beleza recôndita. aceitar um sorriso que por vezes não pertenceu ao momento, e muito menos ao meu corpo. aceitar que neste mundo movido por uma ótica distorcida de beleza eu estava sempre fora do padrão. fora. estar por fora. ser out total. gorda quando o padrão é magrice. cabelos escuros, quando eles ficam loucos pelas loiras. ter peito, quando o que eles querem é bunda. ser inteligente e interessante quando na verdade o que eles queriam era uma menina burrinha pra levar pra cama e poder fazer de gato e sapato. aceitar tudo isso nunca foi fácil.

dai numa segunda qualquer você acorda. e decide fazer parte de um grupo. de pertencer a uma turma mas não dá. porque? porque você é out. Se você curte as roupas não curte o som. se você curte o som. não curte as roupas. se curte o som e as roupas. não curte as idéias. Então você se propõe a se transformar num liquidificador ambulante de mil estilos estilos. se violenta ao saber que você está out. mesmo quando está in. porque mesmo olhando essa cara tapada no espelho todo dia e descobrindo mil formas de olhar o mesmo ponto. ainda não matei a charada.

Você sabe que dias são esses? Eles acontecem as vezes. Sabe? São aqueles dias em que você acorda, pensa em todas as coisas que vai fazer e conforme o dia vai passando o mundo vai desmoronando na sua cabeça…são os chamados dias de murphy – aquele cara idiota que disse que a tendência é que o pão caia sempre com a manteiga virada pro chão..pois é…

Eu me lembro bem daquele dia. No ano retrasado, durante a produção do trabalho de conclusão de curso eu e meus parceiros de trabalho estávamos em uma sinuca de bico: arrumar um laptop para poder fazer as pesquisas em outras faculdades. Como a responsável pelas pesquisas era eu, acabei me virando de todas as formas possíveis para facilitar meu trabalho. Até ai tudo bem, consegui o laptop e agendei uma visita lá na Casper Líbero para fazer a pesquisa. Tudo correu bem, porém eu não consegui terminar toda a pesquisa e tive que retornar no dia seguinte (pelo menos tentei).

No dia seguinte fui trabalhar linda e sorridente preparada para sair e ficar mais cinco horas na tal biblioteca fazendo a tal pesquisa..porém as coisas não estavam correndo como o planejado….(vai vendo o que aconteceu…)

Primeiro sai correndo de casa e esqueci a base para carregar o laptop – tive que comprar uma nova pra poder fazer a pesquisa…mas tudo bem, eventualidades acontecem a todo o momento. Combinei com meu chefe de sair 15 min antes do meu horário para poder chegar na biblioteca a tempo, pois na Casper há um horário limite para a chegada de visitantes. Logo quando estava descendo as escadas rolantes do Conjunto Nacional começou a cair “A CHUVA”..e óbvio eu estava sem guarda chuva…e outra..não podia deixar o laptop molhar porque se ele queimasse eu ia ter 2 problemas na mão..porém não podia ficar ali esperando a chuva passar por causa do horário.

Depois de pensar durante 30 segundos resolvi seguir meu instinto cara de pau e acabei pedindo para um rapaz muito simpático me dar uma “carona” no guarda-chuva dele. Mesmo apertando o passo do tal moço, acabei me molhando muito, mas tinha ainda 2 min para entrar na biblioteca e terminar o trabalho. O problema é que a moça da portaria não deixou mesmo eu entrar..dizendo que o horário havia terminado. Eu tentei – juro que tentei de diversas formas convencê-la que eu precisava entrar naquela biblioteca aquele dia, mas nada no mundo convenceu a tal mulher..e meu desespero estava cada vez maior. Acabei desistindo e fui para outra biblioteca, a do CCSP. (a única coisa boa é que depois deste trampo todo a chuva havia acabado)….mas

Obviamente que o trânsito não..e por conta do maledeto eu ainda estava na Paulista depois de uma hora do ocorrido acima. Desisti mais uma vez e voltei ao trabalho, achei que seria interessante aproveitar o tempo que restava da tarde para revisar a pesquisa…

O problema é que o tal laptop não ligava! De jeito nenhum..comecei a chorar..a entrar em desespero já vendo o quanto sombrio iria ser meu futuro…Crente que nada mais poderia acontecer fui embora pra casa..

Fiquei mais de 30 min esperando o ônibus, e quando ele veio estava lotado! Mas depois de tanta eventualidade…isso não me abalaria, afinal o que mais poderia acontecer? Foi ai que eu decidi procurar o meu bilhete..procurei, revirei a bolsa, abri mala, abri o laptop, revirei bolsos..nada..o tal bilhete único* havia simplesmente sumido..desaparecido. Eu falava..como assim? Meu Deus porque isso? Pra que esse castigo todo!! Sorte que sou uma pessoa bastante comunicativa e uma amiga minha estava no ônibus, me salvando naquela ocasião.

Decidi conversar com ela sobre tudo que ocorrera e ela riu muito….hoje eu também dou risada do ocorrido. Logo depois dela descer, depois de uns 3 pontos o ônibus resolveu quebrar e fiquei mais 30 min esperando outro…Cheguei em casa, tomei banho e resolvi dormir, afinal de contas..nada mais poderia ocorrer na minha cama não é mesmo?

* bilhete único é uma espécie de bilhete que carregamos na lotérica com dinheiro e passamos no validador do ônibus que cobra nossa passagem..ele é uma grande salvação aqui em SP (principalmente pra mim)

abriu a bolsa e mastigou a última bala. mordeu a mesma e sentiu ela destroçando dentro da boca. desfazendo. (meta congluências). se deliciava naquele momento. havia só um pensamento dentro dela. o silêncio da rua era maior do que a sonoridade absorta dos carros. era quase um prazer gentil pra ela. mastigava e relembrava dos quinze minutos antes. subiu lânguidamente as escadas. havia colocado um vestido vermelho. algo quase vulgar. sentia os olhares na rua sobre seu decote incoerente. colocou o salto mais confortável, pensara que deveria correr depois. subiu o elevador. aprumou-se diante do espelho. sorriu. havia vestido uma calcinha toda de renda. pequena. seus seios fartos faziam até o sutien 44 parecer pequeno. era gosto de chocolate seu corpo. esperou um pouco, tocou na porta levemente como se pudesse sentir o que havia do outro lado. contou cinco. era o tempo necessário. abriu a porta. despiu-se, mas não totalmente, as pequenas partes ainda faziam parte do conjunto. abriu a bolsa e foi direto no quarto. quando abriu a porta transformou-se em qualquer coisa. menos nela mesma. aderiu a cama junto com Carlos e Ana, não era mais Renata. permitia-se aquele desejo estranho apenas uma vez. enquanto isso. o ódio lhe tocava a garganta e quase nem sentia as mãos tocando seu corpo. tudo nela era quente. mais quente do que a luxúria exposta dos amigos. sentia pudores. invadiam seu corpo toda ira, toda angústia. e sorria. nada ali era ela. só o ódio. a raiva. ira. deslizou até o canto da cama e esfaqueou primeiro Ana, Carlos sem entender, confuso contudo achou que era apenas mais uma brincadeira e abriu o peito. Renata nem refletiu. Teve o primeiro orgasmo ali, quando fez com que sua faca possuísse o corpo de Carlos. Deixou escorrer todo o sangue e diante dos olhos dele viu a vida esvair. Levantou-se, apossou-se da água quente que lhe lavava a pele. O cheiro de chocolate já não existia. Vestiu-se e saiu, rindo com todos os olhos. Perto da calçada abriu a bolsa..pegou a bala e mastigou…

no dia seguinte talvez você não entenda o líquido que desce garganta abaixo. e que queima. é provavel que também não entenda que todas as histórias tem fim. e também que algumas tomam rumos diferentes.
pode ser que você não consiga enxergar por detrás do vidro embaçado daquele carro, enquanto alguém faz amor.
é bem provavel que você não acredite em coincidência e tente desmistificar o fato da pessoa ao lado não ter a mesma visão que a sua.

no dia seguinte pode acontecer de uma gota de chuva cair e você sentir que tem um maremoto dentro de ti, então ela se torna insignificante por fora, mas gigantesca por dentro. pode ser que nenhuma verdadeira guerra esteja acontecendo, mas que no meio de tudo isso você esteja apontando a arma para alguém desarmado.

no dia seguinte de qualquer vida, perante qualquer pessoa, daqui algum tempo, ou no instante agora você pode se arrepender das promessas e das verdades momentâneas que disse sobre alguém. não haverão pedidos de desculpas. e você nunca irá saber realmente como as pessoas irão te observar. ninguém – nem você mesmo – saberá ao certo como é, como deveria ser, ou como poderia ter sido.

mas no dia seguinte. a única certeza que temos, são os fragmentos obtusos ou largos deixados sobre um quarto escuro dentro da alma d’agente

se nada disso parece pronto é que os projetos seguem a desordem
não estavam assim quando sai, até talvez sempre esteve e eu que não sei
ou sei de tudo

se não há traços salgados não há um motivo para não estar no chão da sala e subliminar, segundas, terceiras, quartas intenções
e você teceu uma estratégia no caminho da locadora
assim ó:
andando nós dois, na cor dos passos
em São Paulo.as nove horas da noite
voce grita. sai mais alto que o som dos carros
quando se irritam e mais baixo do que o barulho das luzes
quando se apagam
.
(assinatura)

“E de tanto calar, eu me solto
arrebento o peito e grito.
esperneio. não sei calar.

E de tanto doer eu sangro
e do meu sangue vermelho ácido
plaquetas de amor

E de tanto morrer é que eu vôo
me faço viagem dos continentes
sou rio
margem
miragem
sou ventre

E de tanto querer eu não tenho
Não venço
Não morro
Só espio
candidamente a cinza
e entorpecida tarde que
c
a
i

Amanheço gélida
Fria descompassada
E o lençol esquenta
o que nada mais esquenta
ocupa o vazio
do que não preenche

De tanto
ser
o que eu nunca
fui”

Você me dá tesão. não dos poucos. em doses cavalares. há muito tempo. e depois que fiz o que fiz. cheguei até perder o sono. confessei aos poucos. baixinho na timidez de um computador o que sentia por você. sentia sem ao menos sentir sua mão vagarosamente em meu rosto. ou um beijo demorado. longo. daqueles em que a morte instantânea do ar se torna macia e deliciosa. não queria que fosse assim. poderia ter sido no café. com você me comendo com os olhos. e eu saciando uma sede vascular. podia ter sido no meio de uma tarde, com qualquer coisa no som e nos ouvindo em silêncio. ouvir o que o corpo pede (melhor dizer clama) parei pra pensar no toque suave de suas mãos. que gosto tem tua boca? passei horas outro dia pensando. maldade pensar. e seu nome na lista dos conectados no msn. janela. eu queria mesmo é uma janela pra estar ai. bem próximo, tão próximo que o meu corpo é o seu corpo encostado no meu. maldito tempo e distância (ou melhor timidez) e você ali, parado na mesa do lado tomando sopa pelos dentinhos da frente. eu na outra ponta. observando. certeza? nenhuma, e se não for, pago o mico? Pago. Não pago? Indecisão geminiana terrível. queria você próximo dos meus quadrantes, queria você esquentando o corpo nesta tarde fria e chuvosa de São Paulo.