Sobre Vana

Jornalista formada pelo Centro Universitário de Osasco - UNIFIEO. Nascida em São Paulo, é fotógrafa amadora em seu tempo livre. Vive hoje no Rio de Janeiro e descobriu uma nova paixão na vida : Viajar. Hoje em dia dedica-se a descobrir o atual mundo que vive, através de viagens, literatura e pelos amigos.

você abriu a porta do carro e me jogou pela rua. e eu fui descendo ladeira abaixo com todos os meus sentimentos deturpados. quando você julgou que eu não era mais necessária simplesmente acenou e disse vá embora. você não soube me entender. eu não quis te entender. me desculpe. não consigo ainda aceitar que tive que sair da sua vida só porque você não sabia lidar com determinada situação. você me mostrava, como boneca para todos. fazia questão dos beijos mais ácidos em públicos, mas no one-a-one você me ignorava. queria distância . era muito mais interessante a piscina, o dia de sol, do que minha companhia. então eu decidi sair de vez da sua vida. me aprumar pra minha .viver meus dias. minhas noites. e agora você me quer no seu carro de volta. uma noite a mais pra te proporcionar prazer. quer minha mão correndo pelo seu corpo e meu amor pleno explodindo os poros. desculpe. não posso mais. não quero mais. porque não sei lidar com sua carência. não consegui aprender a lidar com a imensa bola de pêlo que forma dentro de você quando se vê sozinho no vazio. e o silêncio anda gritando com você, falando tudo aquilo que eu ignorei. tudo que me perturbava. ele anda dizendo que existe uma felicidade muito maior dentro de mim, principalmente quando estou distante de ti. e agora não adianta dizer te amo. não adianta ligar. não adianta chorar. eu já fui. no dia que você me pediu para ir embora. eu decidi que nunca mais ia voltar pra tua vida.

para Raphael Motta

não quero os terços. nem os quadruplos. nem o eu te amo falso sobre um travesseiro coberto de lágrimas. eu ainda quero, perto de uma janela. você por inteira. não quero os segundos, nem tampouco minutos esvaidos. quero vagarosamente o que era meu, seu sorriso largo. o beijo que nunca mais me esqueci. quero uma mão leve sobre meu peito. e o respirar profundo dos meus pulmões. e eu que ainda posso sentir seus passos saindo de minha vida. levando consigo metade de mim. o que sou eu antes de voltardes? sou metade.

não quero presente. nem presentear eu vou. *quero teu sonho visível (…) quero gotas pequenas molhando a pedra mais alta, quero a música rara, o som doce choroso da flauta. quero você inteira e minha metade de volta
e quando retornar. as tardes que passarão ao lado do toque, nalgum canto qualquer, que ela traga um sorriso, uma lágrima. que ela me faça perder o rumo. incandescer de desejo e aspirar febris tardes de vento ao teu lado.

trecho da música A pedra mais alta do Teatro Mágico

Dramatis Personae:
– Damiano, um músico louco, que possui muitas coisas ruins
– Renata, uma mulher incomodada com algo que ela não sabe ainda
– Sem violão (porque seria óbvio demais e o Costinha disse uma vez em uma entrevista que o que ele mais detestava era os pedidos para ele contar piada, só porque ele era um humorista, capicci?)
– O louco do telefone
– Jussara, menina de 10 anos do 5º andar
– Mãe de Jussara

Dramatis Literae
Damiano e Renata estão sentados no sofá tomando cerveja. ele com a cabeça em temas fáceis da vida (mulher e tristeza), o ela pensando no sangue no meio dela, do filho que ela nunca teve, da vida que nunca teve. Lembra da mãe dizendo: vai se acostumado com o mundo, depois te vira minha filha, te vira, hoje é só barulho de sangue, e logo vem o barulho do mundo e dos homens. Eles estão ali, sem querer nada. sentados diante um do outro, ele prolixo, e ela sem saber o que quer, vai ficar uma emboladeira que no fim das contas não vai sair nada com nada, mas vamos prosseguindo.

No andar de cima, mãe de Jussara na cozinha lavando louça e Jussara, a menina do 5º andar brincando no corredor do prédio com todos os seus brinquedos espalhados no chão, certa que alguém irá cair neles a qualquer momento.

Cena 1
Renata – Damiano.o que fazes? o que pensas?
Damiano – Que poderia juntar todas as coisas menos ruins e fazer um disco…nao sei..não sei na verdade. Re, pega outra Bohemia pra mim?
Renata: ok. Bohemia? Lembrei da música triste.
Damiano: Qual? A do Nelson?
Renata: Sim, essa mesmo. “boêmia..aqui mi tens de regresso” Ai credo, Pára.
Damiano: boa musica
Renata: Voltamos?
Damiano: pra onde?
Renata: onde vc quer voltar?
Damiano: pro sofá?
Renata: isso..de volta pro sofá
Damiano: tem bohemia?
Renata: sim..tem..perai

Cena 2
Damiano: Rê?
Renata: oi.
Damiano: fiz uma coisa aqui
Renata: o que?
Damiano: mas acho que está uma boa merda. nem vou te mostrar

(silêncio. ela levanta do sofá e fica uns minutos parada. em silêncio. ele olha ela com aquela camiseta velha do deep purple. toda suja rasgada. desfeita. Ela em silêncio)

Jussara do 5º andar: Mãeeeeeeeeee, manhêeeeeeeeeeeee posso brincar no parquinho…mãeeeeeeeeeeeeeeeee MAEEEEEEEEEEEEE, posso?
Mãe de Jussara: Não Jussara, você acabou de tomar banho. Fica quieta menina.
Jussara do 5º andar: Mãe então deixa só eu pegar meus brinquedos no meio do corredor?????? Deixaaa vaiiiiii
Mãe de Jussara: Fica quietinha ai Jussara pra mãe terminar de limpar a cozinha..quietinha

(Jussara começa a gritar e chorar no quarto)

Damiano: ei. hummm
Renata: oi, calma. estou me recompondo. me mostra
Damiano: recompondo de que?
Renata: acabei de ter um lampejo de pensamento. Mas não interessa, me mostra o que você fez.
Damiano. Não, me conta sobre seu lampejo. mas nao vou te mostrar não..tras outra bohemia?
Renata: então.algo me irrita. não sei o que é. irrita. incomoda. pifa. algo me deixa doida. não não sou eu. não é você. não é o emprego. não é o amor. não é a família. nem doença. nem tia. nem pia. nem nada. não sei. entende? sei lá. algo me deixa incipiente. restrita. fulaninha da silva sauro. sabe?
Damiano: eu sou o que seu?
Renata: não sei. o que somos?
Damiano: bem…nao sei. nos conhecemos ha qto tempo?
Renata: há muito tempo.você já sabe disso! não se lembra?

(ele prolixo, nem se lembra. Ela com cólica lembra que não sabe o que quer. Não quer conversar sobre o passado. O passado lhe sobe as paredes do estômago, como a cólica que lhe comia a alma neste momento)

Cena 3
Damiano:Re.. qdo foi que nos conhecemos?
Renata: eu peguei carona contigo.vc estava indo atrás da música, e eu atrás de um rumo
Damiano: aí vc me chamou pra tua casa. Estávamos perdidos
Renata: sim..
Damiano: o que é que te incomoda? Estamos perdido e já basta
Renata: me diz o que vc escreveu. mesmo sendo uma merda vai.
Damiano:Re.. nao vou mostrar nao..sei lá. Tá muito ruim
Renata: Que droga Dami. Mostra porra.
Damiano começa cantar baixinho, sem guitarra, nem violão, só lá olhando pro nada”não quero saber mais disso.. éramos um só… o que aconteceu?”
Renata: não sei. nos perdemos. você se perdeu também
Damiano continua: “atravesso a rua, e nada resta, já é hora de ir pra casa, ver televisão com os amigos”
Renata: vou ali do lado descabelar e já volto. vou des-ca-be-lar. vou me rebelar.revelar.
Damiano sem perceber os manifestos de Renata preenche o vazio com mais um verso “e mandar fazer pipoca.. e esquecer de tudo!

Jussara do 5º andar corta a sintonia de Damiano. Depois de descobrir que chorar não faz efeito mira da cama pro chão um pulo, e continua a pular. E a gritar. pular e gritar. Grita tudo que pode. Renata e Damiano olham pra cima. Foi bom ter perdido aquele filho.

Renata: Dami para de cantar essa canção maluca poxa.

(silêncio)

Damiano:viu? sabia que nao ia gostar…
Renata: não é isso.
Damiano:então..
Renata: pra onde vamos?

Renata pensa “ele não me entende mais…Eu fiquei de sobreviver. Estupidez isso de querer voltar sempre para algum lugar. Para onde você quer voltar? De onde você veio? Eu quero você”
Damiano: Esquece isso. esquecer de tudo.. das coisas desse mundo
Renata: ai meu deus, vou-me embra
Damiano: nao
Renata: vou é me escafeder-se de vez. Me perder de vez
Damiano:espera…
Renata: vc é louco dami
Damiano:talvez
Renata: eu sou louca e estamos perdidos demais.
Damiano:talvez
Damiano:”ponha isso na cabeça, pois é o que te resta”
Renata: Para de cantar essa merda de música Damiano! Mas que droga!

Cena 4
(o telefone toca). Silêncio. Dois toques. Jussara berra mais uma vez.

Renata: não deixa tocar
Damiano: nao atende Rê
Renata: eu atendo
Renata: Alo.
Damiano: NAOOOOOOO. não atende. droga..
Renata: é o louco. Fala louco. Que cê quer? Não. Nós não vamos mais. Onde estamos? Não sei , onde você está?
Louco: estou do outro lado da esquina, desistiu de fugir comigo Rê?
Damiano: o que ele quer?
Renata: não..as coisas não estão bem. não está nada bem
Renata: eu vou embora Louco, vou embora, sumir de você, do Dami..de todos
Damiano: Não. Não vai
Renata: toma Dami o telefone
Louco: Rê..calma o que houve? Alô? Rê?
Damiano: Alô? Quem é?

Tu tu tu tu tu tu
Jussara puxa o fio do telefone no andar de cima achando que ele serve pra ela pular corda. Mais uma distração antes de derrubar o prédio com seus gritos.
Mãe de Jussara: Jussaraaaaaaaaaaaaaaa, pára menina. Será o benedito CRISTO que você não consegue ficar parada drogaaa! JUSSARAAAAAAAAAA CALADAAAAA! Vai desce…

Jussara desce as escadas e antes de chegar no térreo encontra um urso no meio do caminho.

Damiano:se eu pedir pra você ficar?
Renata: vou embora
Damiano: se eu pedir com jeitinho..? Segurando a sua mão?
Renata: Pára Dami, você só me deu carona porque sabia que ia me comer, que ia me curtir, que ia se divertir. Foi bom por um tempo. Mas você é prolixo demais, eu sou perdida demais, e estamos todos fora do rumo.

Final
Renata bate a porta, não percebe o brinquedo de Jussara no meio do caminho, tropeça e escorrega na escada, cai e morre.
No primeiro andar um pouco de sangue escorre. Jussara coloca a mão no chão e grita: TINTAAAAAAAAAAAA!!!! E segue o caminho do sangue pra ver se acha outras cores.

Damiano grita: Re!!! Não Rê??? Eu te amo porra! REEEEEE
Desesperado entra dentro de casa
Descobre que está com muita sede. O corpo de Renata no corredor lhe dá sede. Vira o copo de cerveja muito rápido.
Engole seco
Morre engasgado.

O louco do outro lado da linha pensa: as imundas coisas desse mundo, as coisas minhas e suas… desse mundo. Acho que isso dá uma canção.

Jussara sobe. Enocntra seu brinquedo, recolhe, vê a porta entreaberta e encontra dois corpos, um do lado de dentro e um do lado de fora. Em cima da mesinha de cabeceira muitas revistinhas do Cebolinha e uns papéis com algumas palavras que ela ainda não entende. Ao lado dessas coisas todas um pote de balas. Passa a mão no pote, nas revistas e toca subir enquanto sua mãe berra do 5º andar.

trilha sonora adjacente: nobre vagabundo, daniela mercury

The End

Agradecimento mais que especial a Fe Barão pela ajuda neste post e pela companhia no msn enquanto eu delirava na história…

as vezes, quando sobra um pouco de amor próprio, eu penso que o dia vai acabar muito mais rápido do que começou. a grande verdade é que eu não sou boa o bastante sozinha. parece que nasce de um momento para o outro uma oficina de erros, e eles chegam e se apossam de mim. um a um vão sentando e apontando todos os meus erros. é uma auto flagelação, autodestruição. como estar feliz quando se está prestes a perder tudo. é o último passo antes do precipício. a última nota daquela canção que a gente ama. é o último gole. os últimos erros. e se chove dentro de mim? aqui tudo é uma tempestade. já nem sei mais se quero fugir. as vezes penso que não. tudo passou. sorrisos inteiros. tardes boas. vozes ao telefone. e o vazio. um imenso. enorme. gigante vazio. tudo aqui tá vazio.

ele achou que eu fosse idiota. uma idiota qualquer com quem ele poderia farrear um pouco, tirar uma lasca sabe? achou que eu era a menininha que espera o príncipe encantado no cavalo branco. achou que pelos beijos e pelo largo abraço eu não iria perceber que ele estava sim me usando. coitado. ele achou. no fundo não percebeu que meus doces beijos molhados eram mais uma forma de saciar uma sede que em mim permanece viva: desejo. só o desejo. vontade de sentir prazer e só. nada mais. levantar, recompor, vestir-me e escafeder-se. Ele achou que eu esperaria telefonemas na tarde seguinte, papos longos no msn. achou errado. não suportaria bater longos papos no msn. sua safadeza me cansa, tanto quanto seus trocadilhos ordinariamente comuns. o telefonema na tarde seguinte só me lembraria do detalhe: não quero pertencer a ninguém. não posso. sou larga e espaçosa demais para caber em seus braços baby. ele achou que o que eu queria era subir mais uma vez no seu apartamento e gastar o desejo, achou errado, eu só queria pegar meu cd e ouvir aquela canção toda minha. achou que eu me apaixonaria, só esqueci de dizer que não acredito mais em amor, muito menos esse, que você insiste em me dar por conta de uns beijos trocados, de uma carícia maldita.

Eu abri a janela
Olhei a lua lá fora
sem querer roubei o brilho dela
agora posso arrumar minhas malas
e ir embora
largo tudo amanhã
dou inicio a uma nova vida
sem você
somente eu mesma
sem janelas
nem portas
nem frestas
apenas eu
e a lua

Ana Lúcia estava a beira do poço de um desejo. Sentia-se com o pensamento amarrado, emaranhado em congluências infinitas. Sentia-se como infinitas borboletas dentro do estômago, perdidas, debatendo-se para achar a saída. Como se fosse sucumbir ao seu desejo. Mas estava parada. Observava seu desejo e fazia com que o sentimento todo expandisse pelo seu corpo. Era uma única sensação, que não durava nada, nem mesmo um milésimo de segundo. E Jorge estava ali. deliberadamente sentado escutando um som qualquer. Estava apoiado no tronco da árvore, apoiando a vida no colo. Lendo algo qualquer. Mal sabia ele o que causava em Ana Lúcia. O que Jorge sabia é que havia optado em ser um fruto da árvore vida. Gostava de saber que estava vivendo. Provava todas as bocas e salivas que almejava. Não disperdiçava nada. Estava lá saboreando a manhã em que estivera com Renata. Jorge queria ser devorado enquanto estivesse maduro. Era como o suco da fruta que escorre pela lateral do lábio das fêmeas que agora lhe vinham na cabeça. Nenhuma gota desperdiçada. Provar da vida. Sugar tudo que ela podia lhe conceder. Ana quase desejava provar o gosto do fruto. Quase. Era doce demais perdurar aquele momento pra sempre. Estar diante do desejo e lhe corromper. Não ceder. Estar diante do desejo e provocar seu corpo. Como o segundo que antecede todos os beijos. Antes de concluir-se, podia provar da arte finita, poderia simplesmente vibrar, cantar e estremecer pela última vez seus flagelos. era assim que sentia-se. E Jorge queria ser devorado, antes de apodrecer lentamente pendurado num galho qualquer da árvore chamada vida.