Sobre Vana

Jornalista formada pelo Centro Universitário de Osasco - UNIFIEO. Nascida em São Paulo, é fotógrafa amadora em seu tempo livre. Vive hoje no Rio de Janeiro e descobriu uma nova paixão na vida : Viajar. Hoje em dia dedica-se a descobrir o atual mundo que vive, através de viagens, literatura e pelos amigos.

se me calo, é como se permitisse todos os demônios virem a tona.
como se uma febre invadisse o corpo.

se me calo , é como me conformar. sentir a guerra se iniciar dentro de mim.

se tenho que calar-me, por uma obrigação qualquer, descompassadamente o pensamento invade o dia. e já não existirá hora tranquila, nem pensamento vazio. tudo será tomado de uma espécie de desespero momentâneo. como se a vida fosse acabar no próximo segundo. como se o tempo fosse me matar na próxima virgula.

e nem se escrevo me acalmo. sinto a vida esvair-se.

mas, me calo por medo de te ferir, e por isso dentro de mim mesma me corto inteira. despedaço. porque é muito mais fácil refazer-me depois com o tempo. não saberia fazê-lo por ti. nem remediaria tua vida.

mas enquanto sou, não deveria eu temer tanto perder-te. porque se me calo e me perco. vejo que você não vai querer me um dia procurar.

Photo by Thomas Rusch

as vezes eu falo rápido, tanto que não acompanho meu pensamento e me perco. uma coisa eu sei nunca serei uma só. eu sou muitas. a lua nem precisa mudar para o meu humor alterar. sou o tipo de pessoa que você conhece fácil, mas para me conquistar são outros quinhentos. gosto de ler livros fáceis, mas amo mesmo os difíceis. aliás desafios sempre fazem com que eu me sinta mais viva. amo abraçar meus amigos. e percorro o mundo para dar meus abraços aqueles que realmente merecem. minha mãe e eu temos vários conflitos mas ela é a única pessoa em quem eu realmente confio. meu espírito de liderança já me fez chorar mas a maior parte das vezes é ele que me faz melhor. pessoas inteligentes me atraem. e muito. já me decepcionei muito com uma pessoa que eu amei demais. já me senti infeliz sozinha. se você me ver quieta, muito quieta, cuidado, uma guerra interna está sendo travada. meu silêncio GRITA comigo. adoro me perder dentro de quebra cabeças. passo horas a fio uvindo música e em alguns momentos elas contam a história da minha vida. minha risada é contagiante. me deixa te contagiar? gosto de dormir de meias. detesto passar calor. eu falo a noite enquanto durmo. minha última memória maravilhosa neste momento está relacionada a um dia muito próximo onde algumas pessoas totalmente diferentes de mim me mostraram como podemos ser diferentes e iguais. escrever pra mim é uma terapia. eu amo receber mensagens no telefone.as vezes eu me perco na caminho. by the way eu não tenho o menor senso de direção. eu converso comigo mesma em inglês. eu sempre quis ter um labrador patudo mas o que eu tenho é uma linda fox paulistinha que está comigo há 12 anos. as vezes o vazio do meu peito é grande e eu choro sem porque. mas você pode ter me conhecido um dia feliz. eu falo com pessoas estranhas de dentro do ônibus. na verdade eu falo com pessoas estranhas em qualquer lugar e isso é algo que pode realmente mudar meu dia. O Teatro Mágico mudou minha forma de ver as coisas e eu me sinto mais inteira comigo mesma. adoro dançar. mesmo que sozinha. tenho cara e jeito de mala metida mas não sou. eu sorrio sem medo. as verdades me salvam. e as vezes minhas palavras somem. de-sa-pa-re-cem. DETESTO MESMO gente falsa. não gosto de não pertencer mais a certas turmas. acho que uma coisa que não deveria acontecer na vida de ninguém é esse afastar natural dos amigos. eu já me embreaguei uma vez. e também fiz amor em cima do capô do carro. amo fotografia mas não tenho máquina e desconfio agora que não sei fotografar. eu já pensei em ser Mariah Carey, depois e um tempo eu queria ser artista de circo, hoje eu acho que sou eu mesma e ainda bem, é muito bom quando a gente se encontra.

eu preciso de uma paz incomensurável para sobreviver. preciso de uma certa paz alienatória só para sucumbir a um desejo estranho de alguma felicidade iniciante.
eu preciso de uma paz real. nada dessa sujeira colocada debaixo do tapete.
de uma paz esfoliante que faz com que aquilo que me incomoda vá embora.
eu preciso dela para dormir calorosamente sem medo de me perder.
de te perder. de perder algo.

eu preciso de uma paz. dessa qual eu não precise viver num casulo,
na qual eu possa sentir o tempo. eu quero sentir a chuva cair. lavar a alma. brincar em paz com meus romances. ler cartas de amor verdadeiro.

de tanto precisar de paz sou capaz de uma guerra. da guerra mais suja. da guerra que mantém vivo algo chamado amor. e alguém me disse que preciso vencer esta guerra. para ter a paz que tanto necessito.

Para além do que se ouve existe um som
À delicadeza de um olhar um aspecto enibriante
Às pontas dos dedos aquilo que escrevo – é pra lá que eu vou

Onde vigia e vinga um pensamento está uma idéia,
Ao transmutante conter de sua alegria uma outra alegria,
Na ponta dos pés a areia ou o piso gelado
Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim.
E só retorno para ver como estão as coisas.
Se continuam mágicas (ou não)
Realidade? eu não quero, nem espero. É para lá que eu não vou.
É para mim que vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe.

Depois da alcova é para a realidade que eu vou.
Por enquanto eu só sonho.
Um belo Sonho fatídico.
Mas depois – depois tudo é real.
E a alma livre procura um canto para se acomodar.

É a mim que eu anuncio. Não sei bem ao certo o que digo, mas digo
É para o meu pobre nome que eu vou. E vou amar
Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes.
Mas são verdes de tão escuros que na fotografia saem negros.
Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.

A extremidade de mim estou eu.
Eu, implorante, eu que necessito, que peço, que choro, e que lamento
Mas também canto. E procuro dizer palavras.
Palavras ao vento? que importa, os ventos trazem elas de volta, essas que possuo.
Eu à beira do vento.
Cadê a tua alma? está a beira de teu corpo? Eu estou à beira e meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós

Acordar sorrindo por qualquer motivo
Ter alguém que te aquece o lado direito da cama
Esquecer do tempo
Perder a hora
Contar os minutos
Dormir, acordar, dormir, acordar
Fazer amor de manhã cedinho, de madrugada, no meio da tarde
Tomar café acompanhado (a)
Alguém que te surpreende o dia com a frase: Te amo!
Bilhetes, recados, promessas, sonhos…
Individualidade respeitada
Carinho no rosto
Beijo no ombro
Direito a discutir, argumentar
Perder….ganhar…
Somar..multiplicar…jamais dividir…
Descobrir formas diferentes de amar
Não ter pressa…jamais
Ou ter muita pressa
Prazer sem fronteiras
Mãos entrelaçadas no caminho de casa
Abraços saudosos
Fotografias recortadas, muralizadas que dizem quase tudo
Ou não precisam simplesmente dizer nada
Amar assim.
Sem pressupostos
Sem covardia
Abrir o peito
E deixar o golpe entrar.

as vezes eu me perco. percorro. transporto.
capiciosamente me desfaço.
corro pelo seu universo.

as vezes sou arma. que atira sem pensar.
sou a dor do parto.
as vezes sou silêncio. sou cadência desmedida.
lágrima corrompida.
as vezes não sei o que sou.
e peço para não saber.
peco para não sangrar.
desmaio para entender.

as vezes sou sono. raio de sol. janela indiscreta.
não quero nada. e ao mesmo tempo tudo.
sou muito daquilo que quero ser. pouco daquilo que deveria.
não me pertenço. e nem pertenço a ninguém.

as vezes quero ser a criança sem medo.
o gato com sono. quero ser
o cão tomando sol.
as vezes mulher meretriz, santa de altar.
as vezes nada.

na maior parte das vezes eu não quero ser.
mas sim sentir.
vibrar. cantar.
gritar.
si-len-ci-ar.

as vezes eu quero só a morte.
mas também desejo ardilosamente a vida.”

o mouse pisca. tela branca. escrevo um pouco. devaneio. me perco (ou não) e delete para as palavras. elas vão sumindo e cada vez se torna pior tentar escrever. escapam. o que será que aconteceu. ontem mesmo elas estavam aqui. ansiosas pra sair. talvez fosse aquela ânsia do passado. vou acabar fugindo daqui. tela branca. um janela do msn pisca. amigos querendo falar. amores antigos querendo saltar. no fundo uma receita. tem algo no fogo e eu aqui sentada tentando escrever. como é que pode elas não virem!! como podem todas as palavras saltarem assim do precipício. quero todas elas aqui. me lembro que adoro abraços. e cheiros. sorrisos também. um sorriso me veio a mente e sorrio. não gosto das fotografias. sorrisos tardios, daqueles de esconderijo. como ser aeromoça. tudo está bem. mesmo que o avião esteja caindo. não posso ser egoísta. este era para ser um texto de vocês, não meu. vou fugir. calma….já volto. tem uma música estranha de fundo. o rádio ligado. e eu nem escuto. me dei férias hoje. (quer parar de falar de você). silêncio. desisto. o mouse piscando na tela branca do bloco de notas me faz endoidecer. me desculpem. vou fugir. como elas..ir embora..fui