Cultura

A saga Ripley

Por ter a oportunidade e o tempo disponível, arrisquei-me a assistir a série “Alien”. Confesso que foi com desconfiança logo de cara de que iria acabar repudiando. O que encontrei foram 4 filmes completamente diferentes.*

Alien – Ridley Scott (1979)

O primeiro filme da série é um suspense bacaninha, que usa de inteligência e criatividade, com cenas surpreendentes para contar a história da tripulação que encontra um devastador monstro alienígena. Envolto em mistério, a trama cativa e prende o espectador até o fim.

Aliens – James Cameron (1986)

Lançado 7 anos depois do primeiro filme, este possui características marcantes da década em que foi realizado, os anos 80s, e apresenta muita ação, uma heroína imbatível contra um vilão poderoso, o exército americano e seus soldados com ego de super humanos e um dramalhão absurdamente descartável. Parece ser o típico filme de James Cameron.

Alien 3 – David Fincher (1992)

O suspense retorna, mas com muita violência e sangue escorrendo pela tela afora. Com a evolução dos efeitos especiais, o alien aqui aparece como um animal faminto e acuado, associado ao demônio. O interessante é o uso da câmara para mostrar o ponto de vista do alienígena, deixando uma sensação de tontura no espectador, o que contribui para o embrulho no estômago.

Alien Resurrection – Jean Pierre Jeunet (1997)

Mais um filme típico do diretor. Jeunet transformou o suspense em sci-fi, a heroína em super herói, o vilão em arqui rival, e atribuiu ao personagem artificial as emoções que faltam aos humanos. Ripley finalmente chega à Terra, ou ao menos seu DNA. Dispensável!

 

* Não considerei o Aliens Vs. Predator

 

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A mão direita

Experimente colocar um violão no colo de uma criança. Tudo que ela faz (e tudo que ela consegue fazer) é o famoso quem-qué-pão. Isso porque toda a noção que ela tem de violão é a movimentação da mão direita (a mão que vai sobre o corpo do violão – pode ser a esquerda, para os canhotos) sobre o instrumento.

(mais…)

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21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Acaba nesse domingo (22/08) a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que teve como homenageados Monteiro Lobato e Clarice Lispector.

Depois de andar por umas boas 3 horas pelo pavilhão do Anhembi, segue minhas impressões.

-Homenageados: o stand destinado a Monteiro Lobato estava ok, não mais do que isso. Com informações sobre a vida do autor que qualquer interessado acha na internet, o ponto alto foi ver a primeira edição de “As reinações de Narizinho” com correções feitas pelo autor. Clarice Lispector… zero…isso mesmo, quer dizer, uma das salas destinadas as palestras do evento tinha seu nome, fora isso apenas no stand de uma editora um espaço destinado aos livros de Clarice, sem nada de muito extraordinário, nem os preços.

-Preços: algumas pechinchas, outros preços iguais aos das livrarias.

-Variedade: muitos stands, editoras diversas e títulos dos mais variados dentro dos mais variados temas… ponto positivo!

-Localização: fácil acesso de carro, ônibus e metrô.

Fiz umas comprinhas bacanas, livro de Fonoaudiologia por R$ 10,00, livrinhos de crônicas natalinas e guia sobre curiosidades lusitanas por R$ 3,00 e o tão esperado “Comprometida” da autora Elisabeth Gilbert (continuação de “Comer, Rezar, Amar” por R$ 24,00… fiquei feliz!

 

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Comprar pronto ou mandar fazer, eis a questão!

Para todo músico que se preze, o instrumento é muito mais que um objeto de madeira, metal ou material sintético. É uma extensão do seu próprio corpo, o veículo que dá voz às idéias de quem o toca, e por isso sua escolha deve ser feita com muito cuidado. Acústicos ou elétricos, instrumentos podem ser classificados em duas categorias: instrumentos de série e instrumentos custom made, com prós e contras que devem ser levados em conta na hora da compra.

A maioria dos instrumentos que vemos por aí são de série, produzidos em escala industrial segundo as especificações do fabricante. Em outras palavras, o som da marca. O preço dos instrumentos de série varia de acordo com a qualidade do material utilizado em sua fabricação, mas fator que realmente determina o preço de um instrumento é o peso que a sua marca possui no mercado. E é este fator que garante a grande vantagem dos instrumentos de série: o preço de revenda. A desvalorização dos modelos usados mais comuns é baixa em relação aos novos e os modelos top de linha valorizam (e como valorizam!) com o passar dos anos. Vide o caso do guitarrista André Christovam (ex-Golpe de Estado), que comprou um apartamento com o dinheiro da venda de sua Fender Stratocaster 1962.

Os instrumentos custom made, como o nome já diz, são fabricados sob especificação do músico. Materiais, design e pegada escolhidos a dedo em prol de um som com personalidade única. Um grande exemplo é a Red Special, a lendária guitarra do mestre das seis cordas Brian May (Queen), que foi construída pelo próprio May e seu pai, utilizando materiais incomuns como madeira retirada de uma lareira e peças de uma motocicleta. Entretanto, possuir um pássaro de canto único possui um preço alto: fabricar de uma guitarra custom made é, na maioria das vezes, muito caro e demorado. E ainda existe o fator revenda! Se seu instrumento custom madenão for feito por um luthier renomado, revendê-lo pode ser bem complicado.

Comprar pronto ou mandar fazer, eis a questão! Escolha com cuidado suas armas, pois o seu som (e a saúde do seu bolso) dependem disso.

 

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Vento Terral – faixa a faixa

Vento Terral é uma banda paulista formada por Rodrigo Alarcon (vocais), Zachi (guitarras), Mancini (violão), Marcus Vinicius (baixo) e Neto (bateria), com músicas lisas, bonitas,fluentes…como a água do mar fica quando recebe o vento que vai do continente em sua direção…o vento terral!

Linha de frente: Faixa de abertura do CD, Linha de frente trás a dualidade de quem vive na cidade cinza, agitada e apressada, com a cabeça na calmaria, natureza, beleza da vida.

Alguém sempre tem razão: “outras verdades em meio a sua”…porque afinal alguém sempre tem razão, mesmo que a sua própria e que essa razão não sirva para o outro.

6X8: Com uma letra que nos faz pensar sobre nossa rotina, sem ser maçante, sem cair na mesmice e prestar atenção na lama e no fogo que nos cerca.

Ilha Azul: Uma melodia que te leva para a Ilha…verão…se fechar os olhos tenho certeza que sentirá a areia nos pés e a brisa quente de fim de tarde na praia que mais gosta!

Em Cena: Essa faixa conta com a participação de Fabíola Mourinho que com sua voz suave faz par perfeito com a voz forte, porém lisa-limpa de Rodrigo nos levando a algo etéreo. Propositalmente (acredito eu) terá partes da música que você irá dar uma sambadinha!

Brasil: Sou suspeita para falar dessa música que é a minha favorita…desde de gravações anteriores a do CD em questão. A letra reflete o verdadeiro espírito do brasileiro , por mais que alguns (poucos) discordem. A guitarra ganha destaque nessa faixa que fecha muito bem o CD.

Para quem ficou curioso e quiser conferir as faixas, elas estão disponíveis nohttp://www.myspace.com/ventoterral.

 

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Mantenha o Sistema

Mantenha o SistemaLivro de George Orwell (editora Hemus, 257 páginas, com tradução de Maria Judith Martins), conta a história de Gordon Comstock, um jovem escritor (cuja família patrocinou com esforço seus estudos), que abre mão de um “bom emprego” em uma agência de publicidade e passa a trabalhar como vendedor em uma pequena livraria. A narrativa, dada em Londres, tem como foco central a revolta do rapaz contra o sistema capitalista e a maneira que é afetado pelas conseqüências de suas próprias decisões, abordando conflitos psicológicos, emocionais e sociais, além da degradação física.

O personagem principal não é um herói a quem passamos a admirar – talvez por ser demasiadamente humano, com todos os defeitos do ser – e Orwell claramente não teve a intenção de explorar outras possibilidades para abdicar do sistema capitalista, a não ser o exemplo na vida de Gordon (este sim, explorado minimamente em todas as fases).

Apesar disto, o livro se mostra interessante e convidativo. Abre inevitavelmente os olhos do leitor para uma realidade que afeta o mundo, sem fronteiras. Faz refletir sobre o destaque que o dinheiro tem na vida das pessoas, a dependência provocada por ele e o estrago que sua falta pode causar.

 

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Manual do músico profissional – Volume I: Sobrevivendo ao barzinho

O seu quarto já não é grande o suficiente para o seu talento? As rodinhas de violão já não dão o mesmo barato que costumavam dar? Seus vizinhos já não chamam a polícia quando você começa a tocar? Talvez seja hora de atender ao chamado do banquinho e alçar vôos mais altos noite afora! Mas não se iluda achando que é só sentar no banco e ir tocando, a noite é traiçoeira e os incautos são devorados vivos antes mesmo do primeiro refrão. Pensando nos pobres pés inexperientes dos jovens membros da Geração Coca Zero, ávidos por seus primeiros passos no caminho do músico profissional, resolvi passar adiante o conhecimento que adquiri colhendo alguns louros (e muitos pepinos!) através deste pequeno guia de como sobreviver na selva dos bares da vida. Não saia de casa sem ele!
1. O INSTRUMENTO

Quando se pensa em música de bar, a maioria das pessoas visualiza uma pessoa sentada em um banquinho, cantando e tocando violão. Ok, essa é uma cena muito comum na maioria dos bares, mas não é regra. Pode-se ter mais de um músico e outro instrumento que não seja o violão, desde que seja um instrumento harmônico (ou seja, um instrumento que possibilite tocar acordes. É por isso que vocês nunca verão em um bar um show de trombone de vara e voz ou coisa parecida), como o piano, por exemplo. Se você toca um instrumento harmônico e não canta, arrume um vocalista. Se você canta e não toca instrumento algum, arrume um instrumentista. Se você canta e toca piano, procure um bar que tenha o instrumento ou arrume uma boa equipe de carregadores que não cobrem muito caro, porque isso vai sair do seu cachê. Ou arrume um teclado, é uma solução mais barata. O que realmente importa é que o instrumento harmônico que você vai levar para o bar não pode ser nem muito vagabundo nem top de linha, porque um instrumento vagabundo não vai produzir um bom som e um instrumento top de linha é muito visado e pode lhe ser roubado na saída do trabalho. Escolha com sabedoria.

2. O EQUIPAMENTO DE SOM

Há música ao vivo em pelo menos 70% dos bares do país, mas menos de 30% desses estabelecimentos possuem o equipamento necessário para que se tenha música. E 100% desses proprietários dirão que cada músico gosta de trazer seu próprio som (como vocês sabem, nada me deixa mais feliz do que carregar caixas de som, mas não estamos falando de mim aqui), logo, se você foi contratado para tocar em um estabelecimento que possui som próprio, erga as mãos e agradeça à sua divindade favorita pela graça alcançada. Se você não conseguiu esse feito raro, como a maioria de nós, meros mortais, é bom investir em equipamento. Infelizmente o preço do equipamento completo é um tanto alto para quem está começando. Alugar parte do equipamento e comprar o essencial (o seu instrumento harmônico, um microfone e bons cabos) é uma opção, mas isso pode sair do seu cachê. Ou não, depende do seu acordo com o dono do bar. Tente sempre jogar essa pepinosa para cima dele!

3. O REPERTÓRIO

Uma coisa que todo músico tem que colocar em sua cabeça antes de acomodar suas nádegas no banquinho é que, apesar dele se considerar um artista, a maioria das pessoas que estão no bar está pouco se fodendo para isso. Com amor, carinho e Sazón, claro! A maioria das pessoas vai aos bares para beber, namorar, encontrar os amigos, paquerar e, por acaso, você está lá fazendo o fundo musical para isso tudo, mais ou menos como um rádio que atende pedidos. Então não fique chateado se as pessoas não aplaudirem todas as músicas que você tocar, porque isso não quer dizer que eles não estão gostando da sua apresentação ou que não estão prestando atenção. Você já viu alguém aplaudindo um rádio toda vez que toca a música que essa pessoa gosta? Escolha as músicas com sabedoria e eles aplaudirão! Misture os sucessos atuais com os clássicos, toque no repertório aquela música que não é tão conhecida assim, mas que faz as pessoas balbuciarem a letra. Todo mundo gosta de um repertório com surpresas, mas dentro de um contexto. Tocar Metallica no meio de apresentação de samba é, por exemplo, o tipo de surpresa que você deve evitar ao máximo. Se você compõe suas próprias músicas, toque-as e diga que são suas! Mas com parcimônia. Lembre-se sempre: enquanto seu nome não estiver escrito com letras garrafais nos letreiros das grandes casas de show, ninguém vai pagar para ouvir um show autoral seu no bar. Talvez sua mãe, seus amigos e aquela menina ruivinha que é secretamente apaixonada por você desde a 6ª série, mas a maioria das pessoas não vai pagar e são essas as pessoas que você precisa agradar para pagar as suas contas. Então, bota o galho dentro e toca Raul!

4. O TEMPO DA APRESENTAÇÃO

Não existe uma regra exata para o tempo de uma apresentação de bar, geralmente combina-se antes com o proprietário. A maioria das casas pede entre duas e quatro horas de música, mas há locais que pedem uma hora e já vi alguns pedindo seis horas de show. Se você tem amor aos seus tendões e pregas vocais, fuja das maratonas como o Felipe Melo foge de quem assistiu Brasil x Holanda. Se o dono do bar não estipular uma duração, sugira uma apresentação de três horas com um intervalo de trinta minutos no meio. Nem muito curto nem muito longo, na medida.

5. O CACHÊ

Por último, o tópico mais controverso: a hora do biro-biro. A tabela de cachês do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro diz que, atualmente, todo músico que se apresenta na noite carioca deve receber R$362,00 por apresentação. Antes que você diga “Uau! Com quatro trabalhos fixos por semana, em pouco tempo eu posso comprar um carro, uma casa e propor casamento à menina ruivinha”, a coisa não é bem por aí. Infelizmente o músico profissional não é tão valorizado no Brasil e não é todo dia que recebemos esse valor. Muitas casas trabalham com couvert artístico, que em 90% dos casos é uma forma que os proprietários têm de tirar o seu da reta na hora de pagar o músico. Se você conseguiu arrumar um trabalho que paga a tabela do seu estado ou um valor fixo bem próximo desse número, erga as mãos e agradeça à sua divindade favorita pela graça alcançada. Se você arrumou um trabalho que pagará seu cachê através de couvert artístico, é bom saber contar. Contar o número de pessoas que entraram na casa durante a apresentação e multiplicar pelo valor do couvert para ter uma idéia geral de quanto vai cair no seu bolso e contar com a sorte para que o dono do bar seja honesto e repasse toda a grana.

Por enquanto é só, p-pessoal!

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Sonho de Uma Noite de Verão

Sonho de Uma Noite de Verão

foto retirada do site www.objetivo.br

Obra de William Shakespeare (Objetivo, 71 páginas, adaptação e apresentação Izabel de Lorenzo), uma agradável comédia com cenário dividido entre Atenas e um bosque próximo, que tem seu enredo recheado pela convivência harmoniosa entre a realidade dos homens e a fantasia dos mitos gregos e célticos.

Dois jovens que se amam e querem se casar, são impedidos pela rigidez do pai da moça – que já a havia prometido a outro rapaz – e pelas leis da cidade, em que a desobediência acarretaria na morte da moça ou no seu confinamento em um convento.

No desenrolar da história, entre o desejo de se libertar das grandes repressões sociais e viver este amor, ocorrem diversos encontros e desencontros amorosos entre outros casais, todos com divertidas intervenções dos espíritos mágicos.

Há também um grupo de artesãos que ensaiam precariamente a fim de representar uma peça para um importante casamento no palácio, onde os noivos recebem o espetáculo com consideração, pois “… às vezes a simplicidade e o silêncio dizem mais do que a eloqüência planejada…”.*

Para resolver os desencontros e trapalhadas, os elfos fazem com que todos sintam a sensação de ter tido apenas um sonho, confuso, mas com final feliz. Destes em que temos delírios febris como em uma noite bem quente de verão.

*Frase retirada do livro.

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Deus não deu o rock’n'roll a você…

Ah, meus tempos… Quando eu era moleque, aprendi a amar o rock seguindo os passos do meu pai. Em plena década de 60 era ele um rebelde por se recusar a cortar os cabelos, desobedecendo ordens de padres que dirigiam um tradicional colégio católico no Rio de Janeiro. Outra lição tirei, sem dúvida, das telas de cinema. Referências, das melhores, não faltaram.

Ah, os musicais… Na época do meu pai, havia A Hard Day’s Night, o primeiro filme de longa-metragem estrelando o quarteto de Liverpool. Depois, veio Rock’n'Roll High School, filme no qual uma jovem luta pelo rock no seu colégio com a ajuda dos Ramones. E o que dizer de The Wall, clássico subversivo do Pink Floyd?

Porra, o rock era transgressor até na tela de cinema!

Aí, inventaram High School Musical. E vieram os subprodutos.

Não é de hoje que a maioria das grandes produções musicais que apregoam o rock desafinam sempre que a tal atitude do gênero é posta à prova. Quando adolescentes pegam guitarras, baixos e microfones, o que sai nos alto-falantes são composições melosas, em acordes menores, que falam sobre desilusões amorosas. E tudo é tão bem equalizado, tão bem produzido, tão bem coreografado, que se torna inverossímil. Bom para vender trilha sonora a um público que se acostumou a consumir os enlatados de gravadora.

Não se engane: o rock adolescente de verdade é feito por desajustados. Nasce na garagem, com instrumentos comprados em prestações pelos pais, plugados em caixas improvisadas, com som distorcido, guitarras no talo e vocal incompreensível. As letras falam de qualquer bobagem. Porque poeta jovem de verdade, só Casimiro de Abreu e seus contemporâneos da segunda geração da poesia romântica.

O rock é do diabo. O terror das mães, que queimavam discos em fogueiras. Paul Stanley estava de cara limpa, ou seja, desconfigurado, perturbado e sem moral alguma quando escreveu “God Gave Rock’n'Roll To You”.

Então, pequenos roqueiros, ouvidos e olhos bem abertos!

“Se Sexo é o que Importa só o Rock é Sobre Amor” (Bidê ou Balde)

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10 filmes para serem vistos a dois – e não é pornografia!

Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas. Vai além, e conclui que se não fossem ridículas, não seriam cartas de amor. Há quem transfira os belos versos do poeta português para a sétima arte. Gente que caiu na armadilha da indústria cinematográfica e aprendeu, ao longo dos blockbusters, a se resignar com romances repletos de clichês que duvidam da capacidade intelectual do espectador.

Não se enganem: nem todo o filme de amor é ridículo. Vou além: se forem ridículos, peçam o dinheiro de volta na bilheteria. Apresento-lhes, pois, uma pequena lista com 10 filmes de amor que não subestimam o espectador. Bons roteiros, bons atores e quase nada de clichês baratos e romanescos.

Filmes para ver juntinho, debaixo do edredom. Ou não. Filmes para discutir a relação. O bacana é vê-los a dois.

Brilho eterno de uma mente sem lembrança Brilho eterno de uma mente sem lembrança (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), de Michel Gondry
Ouso aqui escrever que este filme é a mais bela e instigante história de amor já levada à tela grande. Aí você me pergunta: “melhor que Casablanca?”. E eu respondo, sem titubear, usando advérbio de intensidade: “muito melhor!”. O roteiro, de Charlie Kaufman, é absurdamente incrível. Conta a história de um homem que, após descobrir que sua ex-namorada se submeteu a um tratamento que eliminou as lembranças do finado relacionamento, decide fazer o mesmo. Jim Carey interpreta com bastante contundência dramática o pobre protagonista. É de arrancar lágrimas do espectador mais durão.
Apenas o fim (500) dias com ela ((500) Days of Summer, 2009), de Marc Webb
Sim, é possível fazer uma comédia romântica engraçada, emocionante e, ao mesmo tempo, ousada. O roteiro de (500) dias com ela é uma pequena aula sobre o tema. Acompanhamos o período do relacionamento entre o casal citado no título, em ordem completamente aleatória – do primeiro encontro à separação, passando pelas reviravoltas. Trilha sonora descolada, fotografia caprichada, montagem eficiente e elenco afinado, com a queridinha Zooey Deschanell (um ícone das comédias românticas inteligentes) fazendo par romântico com o outrora petiz Joseph Gordon-Levitt.
Hiroshima, meu amor Hiroshima, meu amor (Hiroshima, mon amour, 1959), de Alain Resnais
Filme de amor também pode ser denso, angustiante e, no fim das contas, revolucionário. Alain Resnais, um dos grandes expoentes do cinema francês, é o autor deste filme antibelicista que fala sobre o relacionamento intenso entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês. O casal se encontram durante as filmagens de uma produção pacifista na cidade arrasada pela bomba atômica. Lançado em 1959, a produção é até hoje considerada uma das obras mais profundas sobre o amor e a tolerância em tempos de guerra.
Apenas o fim Apenas o fim (2008), de Matheus Souza
Dirigido por um estudante de cinema da PUC-Rio, este filme comprova que o cinema nacional tem muito a oferecer. Uma boa ideia, bons atores e uma câmera na mão bastaram para que Matheus Souza filmasse a bela história de uma jovem que decide se mudar para o exterior e comunica a decisão ao então namorado. Prestes a dar cabo à relação, os dois passam uma tarde juntos reavaliando o namoro. Mesmo quem não é carioca representante da classe média-alta da Zona Sul vai se sentir envolvido com o belíssimo roteiro.
Prova de Amor Prova de amor (All the real girls, 2003), de David Gordon Green
Eu escrevi ali em cima que Zooey Deschanell era figurinha fácil em comédias românticas. Na verdade, Prova de amor não chega a ser uma comédia. Está mais para drama romântico. E o mais importante: um drama romântico inteligente. Ambientado no interior dos Estados Unidos, conta a história de um jovem que se vê apaixonado pela irmã mais nova do melhor amigo. Obviamente, a relação do casal coloca não só a amizade em xeque, como também gera uma série de conflitos existenciais. Um belo filme, com ritmo mais cadenciado, argumento denso, sequências bastante sensíveis e diálogos muito bem trabalhados.
Amantes Amantes (Two lovers, 2008), de James Gray
Joaquin Phoenix alegou que este foi seu último trabalho no cinema. Se a afirmação do ator vier a se confirmar, ele encerrou sua carreira com chave de ouro. Amantes é um excelente filme. Denso, angustiante e inteligente. O roteiro conta a história de um jovem judeu, abandonado pela noiva, que tenta retomar a rotina após ser internado por tentar cometer suicídio. De uma hora para outra, se vê diante de um impasse amoroso: viver uma aventura com a misteriosa vizinha loira (Gwyneth Paltrow, nada mal, hein?); ou se deixar acomodar num relacionamento mais conservador com a filha de amigos dos pais. O desfecho é dolorosamente brilhante.
De olhos bem fechados De olhos bem fechados (Eyes wide shut, 1999), de Stanley Kubrick
Me lembro que, depois da sessão desta obra complexa e polêmica do mestre Kubrick, muitos casais discutiram a relação ainda no foyer do cinema. Inclusive, nem o relacionamento do casal protagonista, Tom Cruise e Nicole Kidman, passou incólume por essa experiência cinematográfica devastadora. O filme conta a história de um homem que conhece uma suposta organização secreta que promove luxuosas orgias em uma mansão. Filmaço! Uma aula de direção. E um roteiro fantástico, capaz de deixar qualquer casal com uma pulga atrás da orelha.
Manhattan Manhattan (1979), de Woody Allen
Quando Woody resolve fazer cinema erudito, pode se tornar prolixo e pedante a certas plateias. Em Manhattan, assim o faz. Porém, o roteiro não deixa de ser bacana, tratando com humor bastante contundente os caminhos inesperados dos relacionamentos amorosos. Aqui, um homem bem casado resolve empurrar a amante, com quem acabou de romper o caso, para o melhor amigo. Fotografia p&b caprichada, locações encantadoras, trilha sonora refinada e aquela infindável enxurrada de referências sobre arte e filosofia.
Antes de Amanhecer Antes de amanhecer (Before sunrise, 1995), de Richard Linklater
Na minha modesta opinião, Richard Linklater é atualmente o cara que mais bem trabalha os diálogos. Prova disso é o belíssimo e irrepreensível roteiro de Antes do amanhecer: simples, estiloso e encantador. O filme conta a história de um sujeito estadunidense que conhece uma jovem francesa num trem, em trânsito pela Europa. Atraídos um pelo outro, eles têm apenas até o sol nascer para tentar viver uma paixão. Ganhou uma continuação, Antes do pôr-do-sol, igualmente bacana.
O império dos sentidos O império dos sentidos (Ai no corida, 1976), de Nagisa Oshima
Eu escrevi lá no título que não ia ter pornografia nessa lista. E não tem mesmo. Por mais que Império dos Sentidos desperte a curiosidade de muita gente pela polêmica que gerou ao ser lançado, não há nada de gratuito em suas quase duas horas de projeção. Há sim, cenas bastante ousadas, mas nada é gratuito. Aliás, trata-se de uma obra bastante amarga e violenta, que mostra o sexo e o amor de forma bem perversa. Ou seja, o clima pode estar favorável, o edredom confortável e o vinho bem envelhecido, mas os olhos dificilmente vão desgrudar da tela.

 

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