O resultado comprova qualquer tese
Há tempos pessoas desprovidas de criatividade e competência pregam que o futebol bonito, bem jogado, perdeu espaço para o jogo mais pragmático. Ex-jogadores medíocres apostam que um grupo de bons moços dedicados valem mais do que o talento e a qualidade técnica. Pegam exemplos isolados e fora de contexto para provar que essa é a tendência. Mas não é. Não existe regra geral, ou verdade absoluta. Todo resultado é possível, com qualquer alternativa de jogo, desde que seja equilibrada e ponderada. Porém, apostar na qualidade técnica ainda é o que distingue os grandes times dos medíocres.
E na Seleção Brasileira, especificamente, é muito mais inteligente, para o técnico, apostar no futebol ofensivo e nos talentos individuais. Porque quando se aposta em futebol de resultado, e o resultado não vem, não sobra nada. A história já absolveu Telê Santana e idolatra seus times. Mas o Dunga, não.

foto retirada de http://vinhotintoefutebol.files.wordpress.com/
Está faltando é bola ao futebol brasileiro
Mick Jagger foi o mão-de-pau da copa. Felipe Melo é um ogro equino. O Dunga é da mesma família perissodátila, e seu time era limitado, sem opções que acrescentassem algo tecnicamente. Pra ajudar, os jogadores que poderiam desequilibrar andam em má fase há tempos, ou em más condições físicas. Tudo isso é verdade. Mas o Brasil perdeu porque a Holanda era melhor, e ponto. Como conseguimos deixar que a Holanda tivesse um time melhor que o nosso, é algo que cabe profunda análise, mas a razão principal pouco brasileiro gosta de admitir: a safra é ruim!
Está faltando talento, está faltando craque! Não havia nenhum em nosso time. Kaká teve bons momentos, e deve muito ao seu vigor físico (que na Copa estava debilitado), mas nunca foi brilhante. Robinho, antigamente, se não era garantia de eficiência, ao menos levava um pouco de acrobacia aos campos. Mas após fracassar no Real Madrid, no Manchester City, e voltar como mero coadjuvante ao Santos, nem isso ele consegue mais.
Ademais, falta um camisa 10, um cérebro armador, um grande articulador. E não é a seleção quem ressente disso. Não é que o Dunga tivesse muita opção (apesar de que muitas eram muito melhores que Julio Baptista), é o futebol brasileiro que está carente desse tipo de jogador. E como faz diferença. Basta lembrar que o último campeão brasileiro deve muito de sua campanha a um camisa 10 típico, que mesmo veterano e limitado fisicamente, fez toda a diferença. Curiosamente, nem brasileiro é.
A Copa também provou a diferença que é capaz de fazer um meio de campo cerebral. Sneidjer, pela Holanda, Schweinsteiger e Müller, pela Alemanha, e Iniesta e Xavi, pela Espanha, são autênticos “camisa 10″, independente da camisa que usem.
Nós temos um jogador assim. Talvez o único. Alex, ex-jogador do Palmeiras e Cruzeiro, atualmente no Fenerbahçe da Turquia, é tão ou mais cerebral que os citados acima. E nunca sequer foi convocado pelo Dunga. Como atenuante ao ex-técnico da canarinho, vale lembrar que ele, também conhecido como Alexotan, por suas “apagadas” durante as partidas, nunca vingou com a amarelinha, em outras oportunidades.
Ainda assim, é muito pouco. Falta talento. Como eu disse, a safra é ruim. Ronaldinho Gaúcho já foi esse jogador, mas há tempos não é sequer regular. Talvez o Ganso seja, em 2014, essa peça importante ao time. Mas ainda não é. E é preciso mais.
E não me venham falar em Neymar ou Pato, que ainda nada fizeram de realmente importante no futebol. Estou falando de jogadores de verdade. Tomara que eles cheguem lá. E que principalmente, surjam novos talentos. Urgente.
Renovação?
Tão logo o Brasil foi eliminado da Copa, Ricardo Teixeira, o senhor Todo Poderoso e intocável do futebol brasileiro, apressou-se em dispensar toda a comissão técnica, incluindo os eternos Américo Faria e José Luiz Runco.
Claro que a saída do Dunga era inevitável e necessária, mas a pressa com que isso foi definido teve muito mais relação com desavenças comerciais e a necessidade do mandatário da CBF em se livrar do ônus da eliminação precoce na Copa.
Agora ele clama por renovação. Renovação, de fato, só quando o Sr. Teixeira entregar o próprio cargo, o que obviamente não acontecerá antes de 2014.
Renovação!
Se o discurso é de renovação, então que seja algo novo de fato, e não ficar tentando repetir receitas de sucessos anteriores. Cada Copa tem seu contexto, cada técnico tem seu jeito de trabalhar, e cada selecionado tem suas características. Já tentaram de todas as formas repetir o trabalho feito em 94. Dunga mesmo vivia tentando reviver aquele time. Só esqueceram de uma coisa importante que tínhamos naquela Copa: Romário!

foto retirada de http://blogs.jovempan.uol.com.br/nilsoncesar
Quando falam em Felipão, sinto que estamos caindo no mesmo erro. Insistir em receita vencida. É esperar pra ver…
São tantas emoções…
Que me desculpem os mais críticos e exigentes, mas não dá pra dizer que essa Copa foi ruim. Há sempre uma emoção diferente, a cada jogo! Das quartas-de-finais em diante, o único jogo em quem não houve emoção e disputa até o apito final foi no massacre alemão sobre a Argentina. O que, convenhamos, principalmente para nós brasileiros é algo longe de ser tedioso ou chato. E que amante do futebol não irá lembrar do desfecho do duelo Uruguai x Gana, ou do segundo tempo entre Paraguai x Espanha?
Deu Zebra?
Copa maluca? Resultados absurdos? Nem tanto. A final será entre dois times que figuravam em qualquer Top 5 de favoritos para a Copa, nas opiniões de especialistas e amantes do futebol. A Espanha, aliás, foi apontada como principal favorita durante os últimos dois ou três anos. Antes mesmo da conquista da Eurocopa. Só perdeu um pouco este posto após o fracasso na Copa das Confederações, o que não significa nada. Ainda assim, era a favorita de muitos, ou no mínimo estava entre as favoritas. E a Holanda, bom, basta dizer que eles têm dois dos três principais destaques da última decisão da UEFA Champions League. Não é, definitivamente, uma zebra.
As maiores surpresas da copa foram a eliminação da Itália e a campanha do Uruguai. Mas a Itália não estava bem, realmente. Quem acompanha sabe. Apenas esperava-se que conseguisse ir mais adiante pela sua tradição, e pelo grupo fraco que pegou na primeira fase. E o Uruguai caiu no grupo da morte, mas com a França em péssima fase, só precisou ganhar apertado do México, e da frágil anfitriã, pra cair na chave mais fácil da Copa, até as semifinais.