Futebol

Os méritos do campeão

O melhor elenco (pelo menos do meio para frente), o melhor técnico, o melhor jogador… Dessa vez, nem a enorme capacidade do Fluminense de desperdiçar chances históricas seria capaz de tirar esse título das Laranjeiras. Ganhou o melhor. O time que soube investir no começo e no meio do campeonato, que peitou a CBF e manteve seu técnico, convidado para a comandar a seleção. E que teria atropelado e disparado muito antes, não fossem tantos os problemas com lesões dos principais jogadores. Menos um.

Conca saiu desse campeonato como campeão, como melhor jogador e como único a participar das 38 rodadas. Um feito para poucos. E que o argentino consegue levar sem perder a humildade e o caráter. Muricy sempre quis trabalhar com Conca em seus times. Tentou pelo São Paulo por diversos anos seguidos. Tentou novamente pelo Palmeiras. Mas teve que ir ele mesmo diretamente para onde Conca estava para que esse encontro fosse possível. E o resultado é o que todos vimos. E Muricy sempre esteve certo. O que é mais uma prova irrefutável de sua competência. Em seis anos, quatro títulos e um vice-campeonato, por três times diferentes. Ainda que eu goste do trabalho do Mano Menezes, sem dúvida a seleção perdeu muito com o “não” de Muricy…

O Brasileirão 2010 será lembrado pelos meias hermanos bons de bola e decisivos, pela artilharia do outrora limitado Jonas, pelas malas brancas cruzeirenses, pelas “entregadas” dos rivais corinthianos, mas sobretudo por ter vencido o melhor. E quem há de negar?

 

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O melhor jogador do Brasil

O Brasileirão 2010 vai se aproximando do final, e pela pontuação atual, aBola de Ouro (prêmio da Revista Placar ao melhor jogador do campeonato) ficará entre Conca, do Fluminense, ou Montillo, do Cruzeiro. O que significa dizer que o melhor jogador do Brasil não é brasileiro! E pior, o segundo também não! E pior ainda, são argentinos!

Se esticarmos a análise para o ano todo, dá pra incluir ainda um terceiro argentino entre os cinco melhores: D’Alessandro (Ganso e Neymar, pelo que fizeram no primeiro semestre, completariam a lista).

Consumado este fato, ficará escancarado algo que eu já venho dizendo desde o fracasso na Copa: a safra é ruim! Há quem defenda nosso futebol, buscando na economia a justificativa do sucesso dos hermanos em terras tupiniquins. Com vantagens financeiras em relação ao nosso vizinho, conseguiríamos buscar os destaques de lá, enquanto os nossos vão para a Europa. Não é verdade. Os melhores deles também estão na Europa, e brilhando mais que os brasileiros, em média. E os que brilham aqui, sequer costumam ser convocados pela seleção deles (exceção feita ao D’Alessandro, às vezes). Enquanto isso, a 10 da canarinho deve ser vestida pelo Douglas no próximo duelo contra nosso arquirrival.  Nada contra o Maestro, ótimo jogador, mas apenas coadjuvante no Brasileirão. Ou alguém aqui trocaria qualquer um dos três hermanos por ele?

Por falar em Douglas, ele e Ganso são as exceções dessa espécie cada vez mais rara em nosso futebol: o meia armador clássico. O cara que atua pelo centro do campo, muitas vezes de costas para o gol adversário, antevê as jogadas, controla a bola com habilidade e encontra espaços entre dois ou três marcadores, para achar companheiros em situações claras de gol. É um problema de formação de jogadores. No Brasil, não estimulam mais esse tipo de jogador. Podam na base, jogando os mais habilidosos para as beiradas do campo, ou transformando-os em brucutus marcadores, em corredores, ou em jogadores-táticos. Que porcaria é essa de jogador-tático? A regra é o mercado europeu. Cria-se aqui o que se pede lá fora. Há clubes brasileiros cujos técnicos de base são italianos! Vê se pode!

Enquanto isso, nas terras de Dom DieguitoJuan Román continuam brotando enganches magníficos, produto número um de exportação no Mercosul, e deleite dos amantes do futebol.

Por sorte, nosso futebol de resultados continua garantindo nossa supremacia no confronto direto, e é só nisso que posso apostar para o duelo do próximo dia 17, no Qatar.

 

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O “mondo redondo” de 2014

A decepção que o Quartel de General Dunga nos trouxe na última Copa foi de certo modo amenizada com a expectativa que daqui a quatro anos o mundo voltará os olhos para o Brasil, que com uma geração recheada de bons nomes como Neymar, Ganso, Coutinho, David Luiz, Pato e Cia possam fazer um Mundial bonito de se ver e hexacampeão, trazendo a alegria de um povo sofrido, batalhador e “circense”.

Circense? Sim! Sendo a principal forma de lazer nos quatro cantos do país, toda vez que a bola rola, a gente costuma se esquecer do mundo que aparece à nossa volta. E que a cartolagem no futebol, junto com os políticos dos nossos próximos quatro anos pode trazer um quadro lastimável de desorganização, interesses privados e principalmente, muito desvio de verba pública.

O fato de o governo federal financiar estádios de futebol já é ruim por si só, já que o brasileiro tem necessidades do cotidiano bem maiores, como falta de boa educação nas escolas, saneamento básico e médicos nos hospitais. Mas levando-se em consideração que dentre os 12 estádios, nove serão bancados com dinheiro estatal a coisa fica ainda mais complicada. Já não bastasse isso ser um absurdo por si só, estádios como os de Brasília, Cuiabá e Manaus já estão confirmados como elefantes brancos* e não trarão o mínimo lucro e fará com que a nossa economia caia um pouco mais. E fora os que ainda podem ser, como no caso de Recife, já que nenhum dos três principais clubes de Pernambuco (Sport, Santa Cruz e Náutico) possuem receita financeira suficiente para bancar um estádio de primeira linha. Mesmo os que serão usados constantemente em jogos, ainda demorarão anos e anos para recuperar os “zilhões” que serão gastos com isso.

Detalhe: só falamos de estádios, porque se for falar de sistema de transporte – desde aeroporto até metrôs -, rede hoteleira, e estradas, a coisa vai nos trazer ainda mais gastos. Levando-se em consideração todo o rombo financeiro que se terá em todos esses quesitos, e saber que o governo que tratará disso é o mesmo envolvido em centenas de escândalos políticos em oito anos, será mesmo que dá para acreditar, principalmente nesses lugares mais “escondidos” como Amazonas e Mato Grosso que não haverá contas de políticos aumentando, assim como o número de cuecas GG para dar espaço também para os reais que entrarão naquele monte de intimidades?

E você? Ainda acha que um país ainda emergente como o Brasil lucrará mais do que perderá em dinheiro com essa Copa? Será que um país ainda subdesenvolvido com um dos maiores índices de desigualdades sociais do mundo deveria mesmo financiar uma Copa quando seu povo necessita de bens do cotidiano que poderiam ser bem mais benéficos? É nosso dinheiro que construirá tudo isso, e são nossos impostos – tão baixo né?! – que, a partir do fim de 2011 e começo de 2012, deverão aumentar ainda mais com a construção dessas obras e cumprimento  – ou não – de promessas feitas nesse ano.

Pensaremos, concluiremos, e principalmente investigaremos, rumo a igualdade social, aos interesses do povo, e claro, Rumo ao Hexa!

*: Elefante branco: estádios que depois de feitos, ficam abandonados porque nenhum clube utiliza, e com isso, fica a mercê do poder público para sustentá-lo.

 

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