Poesia

Ode ao Mar

Quando finda meu descanso
Dou-te um beijo de bom dia
Teu azul, que irradia,
Acena-me, manso.

Sussuro em teu ouvido:
‘Amo-te pelo que és’!
E no balanço de tuas marés
A certeza de ser correspondido

Do alto do firmamento
A distância só me permite admirar
Como lamento!

Mas as estrelas logo vêm anunciar
O tão esperado momento
De em ti repousar.

O Sol

 

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Ternura ao rubro

Sopro-te
Respiro-te
Para estagnado sob ardor
Mente fixa

Suposições, alucinações, interrogações
Verdades, visões, certezas
Transporto-me ao vendaval
Faço chover poesia

Rimas incertas, e grafias assimétricas
Notas de música badalam o brochar da Flor
Cores murmuram sobre o preto no branco
Fazendo suprir Primavera, sobre as asas de um Condor

 

Pasmos os incrédulos descrentes
Não dançam a valsa da vida
Pesam mais a monotonia
E cegos ficam para sintonia

Ao cair da noite, leio a luz das sombras
Reluzente arte de brilho da Estrela Lua
Jorra fotografias de raios sob o chão pavimentado
Fazendo virar obras de arte, a artista Rua

Oiço refrões de poemas
Sob o assobio de uma ventania
Vejo que eu e você
Temos tudo, para ser a mais bela Poesia

 

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Ao que se foi

“Você foi embora cedo
Não disse quando voltava
Passou por aquela porta cinza
Com seu amigo vizinho
E se foi…
Querendo olhar pra trás
Mas não podia
Sabia que talvez voltasse
Mas foi embora muito cedo
Foi sem ver a minha roupa nova
Foi sem ouvir meu canto
Foi como que por encanto
Quando dei por mim
Não estava mais lá
Essa sala hoje não é mais a mesma
Não vejo seu chinelo de couro
Sua camisa da Pool
E aquela da moto?
Seu sorriso escancarado
Às vezes meio de lado
Sua certeza de que tudo estava sempre bem
E ai de que não estivesse!
Mas foi embora cedo
E nem viu minha roupa nova!
E nem ouviu meu canto!
E nem disse quando voltava
Sabia que talvez voltasse
Sabia que talvez não voltasse
E você se foi
Foi embora
Muito cedo…”

 

Homenagem ao meu pai que faria 68 anos no último dia 17 de setembro.

 

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De gigantes

Entre as certas escolhas da vida alheia. Entre! Seja bem vinda.
Desculpe as mentiras que tive que contar, até encontrar você.
Fingi ser, sentir, amar. Pequei.
No caso de não ser culpado. De não haver culpa. Estávamos apenas nós.
Esperando o momento certo de gritar ao Sol antes que ele se opunha:
Eu finalmente amo! Mesmo que seja de novo e mais uma vez!
E a Lua responde ao pé do ouvido esquerdo, por dentre os dedos macios que acariciam a nuca, sem desvencilhar ao olho, no olho:
Você sempre amou a pessoa certa. Crisálida…

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Esquina

Com poesia nos olhos
Eu te via descer a rua
E o vento brincava em teus cabelos
Onde meus dedos sonhavam passear

O sol ardia teu ombro nu
O esquerdo
E teu andar lento
Era moreno e sereno

Na tua saia as curvas da imaginação
Eram vontade
Ou muito mais saudade

E na esquina tu te perdias
E meu olho fechava
Como quando acaba a poesia

 

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(i.m.e.n.s.i.d.ã.o)

De nada valeria o tudo se não houvesse como traduzi-lo. Ou ao menos tentar chegar perto. Até gosto assim, indefinido. E gosto mais, principalmente, por ser o indefinível já uma definição.
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(i.m.e.n.s.i.d.ã.o)

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Vista ao despertar

Ao despertar-me encontro
A vista mais linda
De uma perfeição simétrica
De inspiração divina

Ao despertar-me enxergo
A mais pura beleza
De colorido supremo
De criação da natureza

Ao despertar-me vejo
Desperta em alegria
Ou tranqüila adormecida
O seu rosto, Luisa

 

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Menina moça

Uma menina moça
Com batom pinta a boca
Belisca a bochecha pra ficar rosa
E calça sapato alto pra ir à feira

Uma menina moça da sorriso de graça
A conversa é sempre alta
E a saia florida rodada

A menina moça sonha sempre
Com o príncipe que não chega
Parece que atrasa
Mas na verdade não existe

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Perséfone

Haikai balão
Haikai balão
Aqui na minha mão

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Brincadeira

Foi de brincadeira que falei de amor

E o peso das promessas foi tão doce

Musicando de azul o que acreditei

Enchi você de delicadas flores

E contei os dias que passavam lentos

Saboreando teu sorriso largo

Tocando de leve teus sentimentos

Com vontade de um beijo sereno

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