É um filme…

Vai se tornar cult (se já não for)…

E não é apenas bom…

É Alucinógeno!

É uma mistura de ficção, religião, ilusão, romance, críticas a sociedade, e ainda conta com uma das melhores trilhas sonoras baseadas na década de 80, onde as músicas tocam quase inteiras, e o filme, se transforma em belos clips musicais…

Se você como eu, é daqueles que gostam de pensar no final do filme, que tal pensar durante o filme inteiro?

Em Vanilla Sky…

Era tudo um sonho? Tudo realidade?

Em Planeta dos Macacos (2001 – Tim Burton)…

Eles estavam no Planeta Terra?

Em Blade Runner – O Caçador de Andróides…

Ele era um andróide?

Em Efeito Borboleta…

Ele era Louco?

Pense bem…

Tem certeza?

O filme Donnie Darko, consegue ser tão distinto, e bom, que é impossível formular apenas uma pergunta ao término da projeção… E eu, maluco que sou, não quero acreditar que o final seja o que eu entendi…

O filme nos deixa continuar buscando respostas…

Eu continuo…

 

Donnie Darko: – Por que você usa esta máscara idiota de coelho?

Coelho Gigante!?: – Por que você usa esta máscara idiota de humano?

 

E falando em música, se você não quiser assistir ao filme, ouça a sua trilha sonora! E lamente junto comigo as músicas que escutamos hoje em dias nas nossas FMs da vida…

1. INXS- Never Tear Us Apart
2. Tears For Fears- Head Over Heels
3. The Church- Under the Milky Way
4. Sam Bauer & Gerard Bauer- Lucid Memory
5. Gerard Bauer & Mike Bauer- Lucid Assembly
6. Giulio Caccine & Paul Pritchard- Ave Maria
7. Steve Baker & Carmen Daye- For Whom The Bell Tolls
8. Quito Colayco & Tony Hertz- Show Me (Part 1)
9. Duran Duran- Notorious
10. Oingo Boingo- Stay
11. Joy division- love will tear us apart
12.
Echo & The Bunneymen- The Killing Moon


P.S. Há uma continuação intitulada S. Darko que ainda não tive ‘coragem’ de assistir.

 

Eu curto cinema, do meu jeito, claro! Como crítica de cinema eu sou uma ótima nutricionista, mas  a conversa aqui é outra, ou seja, não os filmes, mas suas respectivas trilhas sonoras. Tem filme que só vale a pena pela trilha, enquanto outras seriam tranquilamente dispensáveis. Alguns filmes me marcaram, algumas canções também. Veremos se consigo relacionar as  minhas músicas favoritas:

10 – Twist and Shout – Curtindo a vida adoidado

Ah, como eu queria ter feito o que Ferris Buller fez. Eu quase dancei junto com ele no filme.

9 – Can’t buy me Love –  Namorada de Aluguel

Eu ficava pensando como um cara tão feio poderia se dar tão bem, mas então o Patrick cresceu, e … ô!

8 – Can’t Take My Eyes of You –  10 coisas que eu odeio em você

My Girl, Mrs Robinson, Wouldn’t it be Nice, can’t take my eyes of  you, Always on my mind, entre outras da década de 60; imagine seu primeiro amor, um pouco mais velho (ou mais novo), fazendo das tripas, coração, só pra te reconquistar diariamente e que te amasse ao ponto de fazer loucuras? Sim, é quase um triller assustador, mas nada que desabone a gracinha dessa década e dessas canções. A-do-ro!

7 – The Goonies Are Good Enough

Quem nunca quis encontrar um tesouro perdido, levante a mão! Pra quem nasceu na década de 80, Os Goonies marcaram a infância. Clássico da sessão da tarde.

6 – Accidentaly in Love – Shrek 2

Um príncipe desencantado, que se encaixa perfeitamente em uma história de amor um pouco mais realista. A criatura imperfeita, ou seja, alguém normal. Acho o Shrek uma graça e, definitivamente, estou cercada por ogros de todos os tipos. Ah, amo todos eles!

5 – Time of the Season – Querida Wendy

Peter Pan?? que nada! Imagine uma música se encaixando perfeitamente em uma cena de filme… imaginou? Aí está. Não preciso dizer mais nada.

4 – In the Arms of an Angel – Cidade dos Anjos

Amo o filme, amo a canção. Meu Anjo Guardião sabe do que estou falando.

3 – Sunday Morning – Doze é Demais

Eu amo meu irmão. Tenho mais dois Rimãos (primos-irmãos) e mais um tantão de amigos que são mais do que uma família pra mim.  Esse filme e essa música representam isso. Meu irmão, meu melhor amigo, minha companhia favorita numa manhã de domingo. Claro, tirando a parte dos lençóis e etc (risos).

2 – http://www.youtube.com/watch?v=O15x-B8PgeE

Onde tudo começou. Minha primeira ida ao cinema, aos 4 anos de idade, foi para assistir  ET. Lembro de estar sentada no corredor, cinema lotado e eu depois com medo de encontrar um alienígena por aí (mais risos). Essa me fez chorar.

1 – Harry Potter’s Theme Song

Essa musiquinha na abertura de cada sequência é de fazer as borboletas do estômago baterem as asas. Não sei o motivo de tanto frisson, mas ao assistir o sétimo filme e ouvir essa melodia novamente,  senti algo muito bom. Talvez porque eu amei os livros e me identifiquei tanto com personagens, com a história, com a magia, enfim,  creio que essa deve ficar em primeiro lugar. Merecidamente.

 

Toda trilha sonora tem uma faixa bônus, então, aí vai:

Sei que “Friends” é seriado e por isso não entrou na lista, mas achei esta versão muito interessante. Eu recomendo!

 

O negócio é o seguinte: escolhi 10 vilões – cinco calcinhas furiosas e cinco cuecas ordinárias – que marcaram a história do cinema. Ao menos a mim.

Tarefa complicada, porque eu sempre torci para o Gargamel fazer um chá de trombeta com os smurfs, para o Tom cravar os caninos naquele rato metido a sabichão do Jerry, para um dos monstros turbinados pelo Satã-Goss botar no chão o Daileon… Enfim, sou um entusiasta dos antagonistas. Seguem, em ordem aleatória.

Varla Varla (Tura Satana), de Faster, pussycat! Kill! Kill!

Essa aí é o diabo em forma de mulher! Com direito a seios fartos, decote provocante, cintura fina e botas de couro.

Edna (Pat Ast), de Reform school girls

Todo reformatório para garotas que se preze precisa de uma inspetora grande, feia e com ar de sargentona. Pat Ast, com seus métodos nada convencionais, dá conta do recado!

Gogo Yubari (Chiaki Kuriyama), de Kill Bill V.1

Olha o fetiche: japonesa, em trajes colegiais, meias três-quartos e uma bola de metal com espinhos sinistros nas mãos. Gogo é a jovem delinqüente mais estilosa que a mente fértil de Tarantino já produziu.

Beverly R. Sutphin (Kathleen Turner), de Mamãe é de morte

A ex-sexy Kathleen Turner faz de sua mãe serial killer uma das figuras mais adoráveis do cinema underground de John Waters. Matriarca zelosa e preocupada com as questões ambientais. Porém, mexeu com ela, tá lascado!

Bruxa de Blair

Impressionante como uma vilã que não aparece na tela pode deixar o espectador tenso. Eu me lembro da pré-estréia do filme, meia-noite, cinema cheio. Sinistro! Saímos todos renovados com aquela vontade de pegar uma câmera e fazer um filme.

Darth Vader (David Prowse), de Guerra nas estrelas

De que adiantou creditar David Prowse nos letreiros dos três primeiros episódios de Guerra nas Estrelas? Nem a voz era dele. Pois impactante mesmo é a máscara negra de um dos meus vilões preferidos.

Anton Chigurh (Javier Barden), de Onde os fracos não têm vez

Javier Barden é um dos grandes atores do cinema contemporâneo. E seu vilão não poderia deixar de ser inesquecível. A caracterização de Anton Chigurh, com cabelo tosco e olhos esbugalhados, é assustadoramente perfeita!

Chong Li (Bolo Yeung), de O grande dragão branco

Van Damme teve que cortar um dobrado para vencer Chong Li, o terror dos ringues – sempre enfezado e cheio de marra. Ainda mexia os peitinhos só para tirar onda.

Biff Tannen (Thomas F. Wilson), de De volta para o futuro

Apesar de ter um final melancólico já nos primeiros minutos da trilogia, já que o filme começa no presente, Biff Tannen tem lá seus méritos. Com aquele jeito paspalhão, parvalhão, bobo-alegre, é impossível não criar empatia pelo personagem.

Zé Pequeno (Leandro Firmino), de Cidade de Deus

Dadinho é o caralho! O nome dele é Zé Pequeno, porra! O trabalho de Leandro Firmino é impressionante.

 

Por ter a oportunidade e o tempo disponível, arrisquei-me a assistir a série “Alien”. Confesso que foi com desconfiança logo de cara de que iria acabar repudiando. O que encontrei foram 4 filmes completamente diferentes.*

Alien – Ridley Scott (1979)

O primeiro filme da série é um suspense bacaninha, que usa de inteligência e criatividade, com cenas surpreendentes para contar a história da tripulação que encontra um devastador monstro alienígena. Envolto em mistério, a trama cativa e prende o espectador até o fim.

Aliens – James Cameron (1986)

Lançado 7 anos depois do primeiro filme, este possui características marcantes da década em que foi realizado, os anos 80s, e apresenta muita ação, uma heroína imbatível contra um vilão poderoso, o exército americano e seus soldados com ego de super humanos e um dramalhão absurdamente descartável. Parece ser o típico filme de James Cameron.

Alien 3 – David Fincher (1992)

O suspense retorna, mas com muita violência e sangue escorrendo pela tela afora. Com a evolução dos efeitos especiais, o alien aqui aparece como um animal faminto e acuado, associado ao demônio. O interessante é o uso da câmara para mostrar o ponto de vista do alienígena, deixando uma sensação de tontura no espectador, o que contribui para o embrulho no estômago.

Alien Resurrection – Jean Pierre Jeunet (1997)

Mais um filme típico do diretor. Jeunet transformou o suspense em sci-fi, a heroína em super herói, o vilão em arqui rival, e atribuiu ao personagem artificial as emoções que faltam aos humanos. Ripley finalmente chega à Terra, ou ao menos seu DNA. Dispensável!

 

* Não considerei o Aliens Vs. Predator

 

Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas. Vai além, e conclui que se não fossem ridículas, não seriam cartas de amor. Há quem transfira os belos versos do poeta português para a sétima arte. Gente que caiu na armadilha da indústria cinematográfica e aprendeu, ao longo dos blockbusters, a se resignar com romances repletos de clichês que duvidam da capacidade intelectual do espectador.

Não se enganem: nem todo o filme de amor é ridículo. Vou além: se forem ridículos, peçam o dinheiro de volta na bilheteria. Apresento-lhes, pois, uma pequena lista com 10 filmes de amor que não subestimam o espectador. Bons roteiros, bons atores e quase nada de clichês baratos e romanescos.

Filmes para ver juntinho, debaixo do edredom. Ou não. Filmes para discutir a relação. O bacana é vê-los a dois.

Brilho eterno de uma mente sem lembrança Brilho eterno de uma mente sem lembrança (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004), de Michel Gondry
Ouso aqui escrever que este filme é a mais bela e instigante história de amor já levada à tela grande. Aí você me pergunta: “melhor que Casablanca?”. E eu respondo, sem titubear, usando advérbio de intensidade: “muito melhor!”. O roteiro, de Charlie Kaufman, é absurdamente incrível. Conta a história de um homem que, após descobrir que sua ex-namorada se submeteu a um tratamento que eliminou as lembranças do finado relacionamento, decide fazer o mesmo. Jim Carey interpreta com bastante contundência dramática o pobre protagonista. É de arrancar lágrimas do espectador mais durão.
Apenas o fim (500) dias com ela ((500) Days of Summer, 2009), de Marc Webb
Sim, é possível fazer uma comédia romântica engraçada, emocionante e, ao mesmo tempo, ousada. O roteiro de (500) dias com ela é uma pequena aula sobre o tema. Acompanhamos o período do relacionamento entre o casal citado no título, em ordem completamente aleatória – do primeiro encontro à separação, passando pelas reviravoltas. Trilha sonora descolada, fotografia caprichada, montagem eficiente e elenco afinado, com a queridinha Zooey Deschanell (um ícone das comédias românticas inteligentes) fazendo par romântico com o outrora petiz Joseph Gordon-Levitt.
Hiroshima, meu amor Hiroshima, meu amor (Hiroshima, mon amour, 1959), de Alain Resnais
Filme de amor também pode ser denso, angustiante e, no fim das contas, revolucionário. Alain Resnais, um dos grandes expoentes do cinema francês, é o autor deste filme antibelicista que fala sobre o relacionamento intenso entre uma atriz francesa e um arquiteto japonês. O casal se encontram durante as filmagens de uma produção pacifista na cidade arrasada pela bomba atômica. Lançado em 1959, a produção é até hoje considerada uma das obras mais profundas sobre o amor e a tolerância em tempos de guerra.
Apenas o fim Apenas o fim (2008), de Matheus Souza
Dirigido por um estudante de cinema da PUC-Rio, este filme comprova que o cinema nacional tem muito a oferecer. Uma boa ideia, bons atores e uma câmera na mão bastaram para que Matheus Souza filmasse a bela história de uma jovem que decide se mudar para o exterior e comunica a decisão ao então namorado. Prestes a dar cabo à relação, os dois passam uma tarde juntos reavaliando o namoro. Mesmo quem não é carioca representante da classe média-alta da Zona Sul vai se sentir envolvido com o belíssimo roteiro.
Prova de Amor Prova de amor (All the real girls, 2003), de David Gordon Green
Eu escrevi ali em cima que Zooey Deschanell era figurinha fácil em comédias românticas. Na verdade, Prova de amor não chega a ser uma comédia. Está mais para drama romântico. E o mais importante: um drama romântico inteligente. Ambientado no interior dos Estados Unidos, conta a história de um jovem que se vê apaixonado pela irmã mais nova do melhor amigo. Obviamente, a relação do casal coloca não só a amizade em xeque, como também gera uma série de conflitos existenciais. Um belo filme, com ritmo mais cadenciado, argumento denso, sequências bastante sensíveis e diálogos muito bem trabalhados.
Amantes Amantes (Two lovers, 2008), de James Gray
Joaquin Phoenix alegou que este foi seu último trabalho no cinema. Se a afirmação do ator vier a se confirmar, ele encerrou sua carreira com chave de ouro. Amantes é um excelente filme. Denso, angustiante e inteligente. O roteiro conta a história de um jovem judeu, abandonado pela noiva, que tenta retomar a rotina após ser internado por tentar cometer suicídio. De uma hora para outra, se vê diante de um impasse amoroso: viver uma aventura com a misteriosa vizinha loira (Gwyneth Paltrow, nada mal, hein?); ou se deixar acomodar num relacionamento mais conservador com a filha de amigos dos pais. O desfecho é dolorosamente brilhante.
De olhos bem fechados De olhos bem fechados (Eyes wide shut, 1999), de Stanley Kubrick
Me lembro que, depois da sessão desta obra complexa e polêmica do mestre Kubrick, muitos casais discutiram a relação ainda no foyer do cinema. Inclusive, nem o relacionamento do casal protagonista, Tom Cruise e Nicole Kidman, passou incólume por essa experiência cinematográfica devastadora. O filme conta a história de um homem que conhece uma suposta organização secreta que promove luxuosas orgias em uma mansão. Filmaço! Uma aula de direção. E um roteiro fantástico, capaz de deixar qualquer casal com uma pulga atrás da orelha.
Manhattan Manhattan (1979), de Woody Allen
Quando Woody resolve fazer cinema erudito, pode se tornar prolixo e pedante a certas plateias. Em Manhattan, assim o faz. Porém, o roteiro não deixa de ser bacana, tratando com humor bastante contundente os caminhos inesperados dos relacionamentos amorosos. Aqui, um homem bem casado resolve empurrar a amante, com quem acabou de romper o caso, para o melhor amigo. Fotografia p&b caprichada, locações encantadoras, trilha sonora refinada e aquela infindável enxurrada de referências sobre arte e filosofia.
Antes de Amanhecer Antes de amanhecer (Before sunrise, 1995), de Richard Linklater
Na minha modesta opinião, Richard Linklater é atualmente o cara que mais bem trabalha os diálogos. Prova disso é o belíssimo e irrepreensível roteiro de Antes do amanhecer: simples, estiloso e encantador. O filme conta a história de um sujeito estadunidense que conhece uma jovem francesa num trem, em trânsito pela Europa. Atraídos um pelo outro, eles têm apenas até o sol nascer para tentar viver uma paixão. Ganhou uma continuação, Antes do pôr-do-sol, igualmente bacana.
O império dos sentidos O império dos sentidos (Ai no corida, 1976), de Nagisa Oshima
Eu escrevi lá no título que não ia ter pornografia nessa lista. E não tem mesmo. Por mais que Império dos Sentidos desperte a curiosidade de muita gente pela polêmica que gerou ao ser lançado, não há nada de gratuito em suas quase duas horas de projeção. Há sim, cenas bastante ousadas, mas nada é gratuito. Aliás, trata-se de uma obra bastante amarga e violenta, que mostra o sexo e o amor de forma bem perversa. Ou seja, o clima pode estar favorável, o edredom confortável e o vinho bem envelhecido, mas os olhos dificilmente vão desgrudar da tela.

 

Severiano Ribeiro defendia a teoria de que o cinema é a maior diversão. Sim, o caráter lúdico das imagens em movimento é inegável. Porém, nem só de finais felizes e histórias fantásticas vive a sétima arte. Há também uma penca de produções que são capazes de chocar plateias ao redor do mundo.

Na lista abaixo estão 10 filmes que, na minha opinião, fazem jus a essa pequena parcela de cinema chocante. Foram banidos, proibidos e amaldiçoados, mas resistiram e entraram, de certa forma, para a história do cinema. São obras que, inegavelmente, têm lá o seu valor, pois trabalham com temas universais e conseguem tirar o espectador de um lugar confortável – por mais que despertem a ojeriza e o repúdio.

Lembrem-se: é a minha lista, ok? Se vocês acham que eu esqueci daquele filme búlgaro bizarro ou daquela produção escatológica da Nova Zelândia, vão em frente e façam a sua própria lista ali nos comentários.

Conheça-os. E veja-os, se tiver estômago e nervos fortes.

Hated (1984), de Todd PhillipsTodd Phillips foi o cara responsável por Se beber, não case, fantástica comédia que faz um humor incorreto e escatológico. Pois é ele o diretor de um dos documentários mais perturbadores da história. Hated conta a história de GG Allin, vocalista da banda The Murder Junkies. As pessoas iam aos seus shows não por causa da música, mas pelo festival de atrocidades promovido pelo cantor. O documentário contém cenas de Allin bebendo o mijo de uma puta, defecando no palco, jogando a merda no público, se cortando com lâminas de barbear, socando mulheres e outras atividades igualmente chocantes. Um petardo!
Holocausto canibal (Cannibal holocaust, 1984), de Ruggero DeodatoMuito antes de Bruxa de Blair, lá em 1984 o italiano Ruggero Deodato já havia tido a brilhante ideia de fazer uma mistura entre o terror e o gênero documental. Anunciou a descoberta de imagens inéditas de um grupo de antropólogos desaparecidos na selva amazônica e prometeu mostrá-las na tela grande. A estratégia deu certo. Tanto que, após a sessão de estreia de Holocausto canibal, o diretor foi preso e teve que provar que seus atores, que no filme são brutalmente assassinados por uma tribo de índios canibais da Amazônia, na verdade estavam todos vivos. O curioso é que Sérgio Leone, mestre dos westerns, escreveu uma carta a Deodato alegando que Holocausto canibal era uma obra-prima. Só por isso já vale o confere.
Freaks (1932), de Tod BrowningPense bem: para que um filme de 1932 continue a ser considerado chocante, é porque o negócio é pesado de verdade. Tod Browning deixou o mundo apavorado com Freaks. Era a primeira vez que uma produção cinematográfica usava aberrações de verdade como atores. Há um homem sem braços e pernas, gente com nanismo, irmãs siamesas e artistas com tipos variados de deformações. A história sobre uma linda trapezista que finge se apaixonar por um anão milionário é verdadeiramente assustadora. O desfecho é particularmente perturbador.
Even dwarfs started small (1970), de Werner HerzogWerner Herzog ganhou notoriedade internacional a partir de Even dwarfs started small, produção que entrou para a história do cinema underground pela ousadia da proposta. O filme mostra um grupo de anões se rebelando em uma instituição psiquiátrica quando o diretor se ausenta. Eles fazem barbaridades diante da câmera, com referências críticas e ataques à religião, à sociedade e ao modo de vida contemporâneo. Detalhe: todo o elenco é composto por anões.
Subconcious cruelty (1999), de Karim HussainSó o título já é capaz de causar arrepios. Quatro histórias bizarras, que mexem com questões existenciais, como a gravidez e a religiosidade, formam o conjunto de uma das obras mais grotescas que uma mente humana foi capaz de pensar e imprimir em um fotograma. Subconcious cruelty, dirigido por Karim Hussain, é considerado por muitos a produção mais extrema já realizada. Há quem diga que é arte, há quem diga que é lixo.
Pink Flamingos (1972), de John WatersJohn Waters e seu diferenciado senso de humor, sarcástico e ácido, deixou muita gente enojada e revoltada com o inigualável e infame Pink Flamingos. Recheado de situações bizarras, o filme mostra o enorme travesti Divine disputando com um casal de vizinhos insanos o título de pessoa mais imunda do mundo. Não foi à toa que, nas sessões de estreia, sacos de vômito eram oferecidos aos espectadores. O filme tem cenas de incesto, zoofilia, podolatria e canibalismo. Fora um ânus cantante, que abre e fecha ao som de “”Surfin’ bird””, e a célebre e imunda sequência na qual Divine come fezes fresquinhas e quentinhas de um pequeno poodle.
I spit on your grave! (1978), de Meir ZarchiNão conheço um título de filme mais bacana do que esse. E olha que esse nem é o oficial. Na verdade, I spit on your grave é um nome alternativo para Day of the woman. Trata-se de um genuíno exploitation – uma história de vingança com requintes de crueldade. Um mulher é estuprada até ser dada como morta por um grupo de homens. Porém, ela sobrevive… Aí, já viu, né? As cenas de violência sexual deixaram muita gente em estado de choque.
Salò ou os 120 dias de Sodoma (Salò o le Centoventi Giornate di Sodoma, 1975), de Pier Paolo PasoliniPasolini foi um daqueles diretores que elevou o cinema ao status de obra de arte. Conseguiu tal feito com uma filmografia contundente, na qual foi capaz de criticar o sistema e os valores do seu tempo. Saló, se não é a sua obra-prima, é certamente seu trabalho mais polêmico. Funciona como uma denúncia às praticas do fascismo. Ao longo do filme, um grupo de jovens é torturado e humilhado. São quase duas horas de cenas bastante fortes, mas que estão inseridas dentro de uma proposta contestadora.
O massacre da serra elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1973), de Tobe HooperFoi no início da década de 70 que Tobe Hooper praticamente inaugurou um novo conceito estético nos filmes de terror. Por incrível que pareça, O massacre da serra elétrica, produção independente de baixíssimo orçamento, tem apenas quatro minutos de cenas com sangue. O resto é terror psicológico, com sequências realmente perturbadoras. Para piorar – ou melhorar -, o roteiro é baseado em uma história real, que dá conta de uma família de psicopatas que retalhava e mutilava suas vítimas. Leatherface e sua serra elétrica se transformaram em ícones do cinema do horror.
Jesus Camp (2006), de Heidi Ewing e Rachel GradyDocumentário é o meu gênero preferido. Muitos foram os que me deixaram impressionados. Porém, após conferir Jesus Camp eu fiquei realmente incomodado. O filme acompanha de perto um acampamento cristão para crianças estadunidenses. Vê-las gemendo, tremendo, se contorcendo e gritando louvores aos prantos em uma espécie de transe é uma experiência chocante e assustadora! Tão assustadora quanto as sequências nas quais as mesmas são ensinadas a adorar Jesus e Geroge W. Bush.

Até pouco tempo, avatar, para mim, era aquela imagem que usávamos, não necessariamente de forma realista, nos aplicativos de internet que dispunham de identificação visual. Agora, graças a um diretor estadunidense, o termo também se refere à febre azul que contagiou plateias ao redor do mundo, promovendo um espetáculo em três dimensões. James Cameron, o sujeito por trás do filme mais caro da história do cinema, como alertaram algumas manchetes, gastou algo em torno de meio bilhão de dólares para levar à telona seu projeto dito revolucionário, o seu Avatar – que, no fundo, nada mais é do que uma obra tautológica, uma ode a sua identidade mista de cineasta e investidor especulativo.

Fato é que, se não fosse numa cabine de imprensa, ou seja, na faixa, de graça, não iria me dispor a ver Avatar na tela grande e munido de óculos 3D, como manda a cartilha de cada 9 dos 10 espectadores que passaram pela experiência. Não tenho carteira de estudante e o pé de jaca perto de casa ainda não deu dinheiro. Aliás, não estava disposto nem a pagar o aluguel do disco quando o mesmo chegasse às locadoras.

Como mantenedor de um blog sobre filmes e crítico de cinema nas horas vagas, eu sabia que não teria escapatória: cedo ou tarde precisaria conferir a produção de Cameron, um dos diretores que mais desprezo, em grande parte por ter realizado uma das obras cinematográficas mais dantescas da história, Titanic. O filme-catástrofe-de-amor, que levou milhares de espectadores a naufragarem em lágrimas, me serviu de exemplo para expor o que mais repudio na sétima arte: roteiros ruins. Mais além: roteiros ruins que se repetem. Graças aos deuses do cinema, naquela época o entretenimento em três dimensões ainda não era tendência global.

Aí veio a ideia.

Eu sempre defendi a teoria de que o mais importante em um filme é o roteiro. Não tem escapatória. Cinema, com óculos 3D ou sem eles, ainda é, em sua essência, a contação de uma história. Uma vez fui questionado sobre como avaliava os filmes que via. E a resposta foi exatamente essa. Em primeiro lugar, observo como a história é contada. É possível um bom filme ter atores medianos, fotografia simples e uma trilha sonora fraca. Se o roteiro for bom, relevo o resto quase que instintivamente. Porém, a mim o contrário é impossível. Junte os melhores atores do mundo, as câmeras mais modernas, os diretores de fotografia mais badalados e uma orquestra sinfônica para compor a trilha sonora original. Se o roteiro não for bom, o malogro é certo.

Obviamente, também canso de repetir que cinema é que nem traseiro, cada um tem o seu. Eu tenho o meu. E nele, novamente, o mais importante é o roteiro. Sendo assim, não curti a ideia de ser seduzido pela tal febre azul avatariana. Não queria me comover com sequências em três dimensões, não queria me emocionar com as cores vibrantes das florestas computadorizadas, não queria me encantar pela textura vivaz dos Na’vi. Queria, sim, experimentar a história que o próprio Cameron criou e, somente depois, emitir um juízo de gosto.

Por isso, corri em busca de uma cópia pirata, pixelada, vagabunda e mal feita. Fim de semana chuvoso, crise de rinite alérgica, TV de 14 polegadas, DVD player compacto que nem é mais fabricado, Bavaria, que não chega a ser cerveja, e aquele salgadinho vagabundo que é isopor amarelo com sal. A noite estava pronta para uma bela sessão de Avatar, com todos os cuidados necessários para que a imersão na história de um belo planeta ameaçado pela ganância dos terráqueos fosse completa.

De cara, Avatar se atropela em uma espécie de prólogo que vai explicando rapidinho que o protagonista, um fuzileiro áspero, ficou paraplégico e teve um irmão gêmeo, cientista virginal, morto num assalto. Afinal, era preciso economizar tempo, já que seriam cerca de duas horas e meia de projeção. Fica claro, nas primeiras sequências, que trata-se de uma obra maniqueísta, o bem contra o mal, dispostos em lados bem delimitados. O único que consegue atravessar a linha é o tal fuzileiro protagonista, Jake Sully, que começa humano, mau, e vai se tornando azul, bom. Ou seja, o desfecho é, inevitavelmente, previsível – ainda que não seja o mais importante no filme, uma vez que Hollywood não faz uma produção milionária sem deixar ensejo para sequências.

Ao longo de Avatar, pouca coisa realmente acontece. Aqui, me refiro à ação propriamente dita. Não há reviravoltas importantes, não há revelações surpreendentes, não há diálogos trabalhados, não há clímax, não há profundidade cênica ou qualquer outro elemento de um bom roteiro. Não há, sequer, uma cena imprescindível para que o todo faça sentido. Ou seja, o espectador que tem a bexiga solta ou o cólon irritável pode se levantar para ir ao banheiro em qualquer ponto do filme, sem que isso prejudique o entendimento do argumento proposto pelo diretor.

Pelo fato de ser um roteiro que trabalha a todo instante com caracterizações maniqueísta, as atuações ficam em segundo plano. Não há como uma interpretação se sobressair quando o papel exige rubricas cartunescas para caracterizar o bem e o mal. A única empatia que o espectador cria é mesmo com os seres azuis, meio felinos, gerados por computador, espécime cuja natureza de movimentos e expressões é um diferencial, sem possibilidades comparativas a priori.

De certa forma, Avatar comprova o momento melancólico que a sociedade estadunidense atravessa. Tão melancólico, que gasta meio bilhão de dinheiros para projetar uma raça que se entrelaça com uma espécie de Mãe Natureza, tem raízes religiosas profundas e convive pacificamente com animais selvagens. Ou seja, para serem como os Na’vi, os estadunidenses teriam que viver como nunca antes quiseram, praticamente como estereotipados hippies macrobióticos, abrindo mão de iPods, Mc Lanches Felizes, carros total flex e filmes do Steven Spielberg.

Por causa desta nova necessidade de reciclar as ideias, mas sem abrir mão do capital especulativo, o sucesso de gente como Al Gore é explicado. Seus seminários ao redor do mundo tentam convencer as multidões de que há interesse em salvar o planeta, quando na verdade o real interesse é salvar um modelo econômico onde especulação e consumo continue sendo possíveis. E aí, Cameron pega carona num metadiscurso pacifista e ecológico que o permite vir ao Brasil distribuir autógrafos enquanto fala sobre meio ambiente.

Mais ainda do que precisar abrir mão de suas convicções, os estadunidenses também teriam que engolir a própria xenofobia para absorver valores que são insustentáveis para a contemporaneidade econômica que regula suas vidas.

Avatar, lá no fundo, é um filme tão triste quanto Titanic. E o mais espantoso é que toda essa tristeza é muito bem expressada pelos alienígenas tridimensionais feitos no computador. Eles sofrem, choram, se irritam. O semblante funesto dos Na’vi quando da destruição de sua árvore-moradia se assemelha ao dos estadunidenses de carne e osso quando do desfalecimento das Torres Gêmeas, sustentáculo de toda uma crença no equilíbrio social.

No fim das contas, Avatar falha como filme. O roteiro é muito ruim. Não se sustenta na empreitada de contar uma boa história. Porém, cumpre seu papel em se tornar o centro das discussões sobre o que parece ser uma nova era para o entretenimento mundial, as super produções em três dimensões – mesmo que tenha perdido a tal estatueta da academia para um filme feito em formato digital e bancado com capital estrangeiro.

Avatar é tão ou mais chato que Titanic. Sob certo ângulo, levando-se em conta o avatar de James Cameron, são a mesma coisa. Inclusive, ambos trazem uma música cafona durante os créditos finais.