Severiano Ribeiro defendia a teoria de que o cinema é a maior diversão. Sim, o caráter lúdico das imagens em movimento é inegável. Porém, nem só de finais felizes e histórias fantásticas vive a sétima arte. Há também uma penca de produções que são capazes de chocar plateias ao redor do mundo.

Na lista abaixo estão 10 filmes que, na minha opinião, fazem jus a essa pequena parcela de cinema chocante. Foram banidos, proibidos e amaldiçoados, mas resistiram e entraram, de certa forma, para a história do cinema. São obras que, inegavelmente, têm lá o seu valor, pois trabalham com temas universais e conseguem tirar o espectador de um lugar confortável – por mais que despertem a ojeriza e o repúdio.

Lembrem-se: é a minha lista, ok? Se vocês acham que eu esqueci daquele filme búlgaro bizarro ou daquela produção escatológica da Nova Zelândia, vão em frente e façam a sua própria lista ali nos comentários.

Conheça-os. E veja-os, se tiver estômago e nervos fortes.

Hated (1984), de Todd PhillipsTodd Phillips foi o cara responsável por Se beber, não case, fantástica comédia que faz um humor incorreto e escatológico. Pois é ele o diretor de um dos documentários mais perturbadores da história. Hated conta a história de GG Allin, vocalista da banda The Murder Junkies. As pessoas iam aos seus shows não por causa da música, mas pelo festival de atrocidades promovido pelo cantor. O documentário contém cenas de Allin bebendo o mijo de uma puta, defecando no palco, jogando a merda no público, se cortando com lâminas de barbear, socando mulheres e outras atividades igualmente chocantes. Um petardo!
Holocausto canibal (Cannibal holocaust, 1984), de Ruggero DeodatoMuito antes de Bruxa de Blair, lá em 1984 o italiano Ruggero Deodato já havia tido a brilhante ideia de fazer uma mistura entre o terror e o gênero documental. Anunciou a descoberta de imagens inéditas de um grupo de antropólogos desaparecidos na selva amazônica e prometeu mostrá-las na tela grande. A estratégia deu certo. Tanto que, após a sessão de estreia de Holocausto canibal, o diretor foi preso e teve que provar que seus atores, que no filme são brutalmente assassinados por uma tribo de índios canibais da Amazônia, na verdade estavam todos vivos. O curioso é que Sérgio Leone, mestre dos westerns, escreveu uma carta a Deodato alegando que Holocausto canibal era uma obra-prima. Só por isso já vale o confere.
Freaks (1932), de Tod BrowningPense bem: para que um filme de 1932 continue a ser considerado chocante, é porque o negócio é pesado de verdade. Tod Browning deixou o mundo apavorado com Freaks. Era a primeira vez que uma produção cinematográfica usava aberrações de verdade como atores. Há um homem sem braços e pernas, gente com nanismo, irmãs siamesas e artistas com tipos variados de deformações. A história sobre uma linda trapezista que finge se apaixonar por um anão milionário é verdadeiramente assustadora. O desfecho é particularmente perturbador.
Even dwarfs started small (1970), de Werner HerzogWerner Herzog ganhou notoriedade internacional a partir de Even dwarfs started small, produção que entrou para a história do cinema underground pela ousadia da proposta. O filme mostra um grupo de anões se rebelando em uma instituição psiquiátrica quando o diretor se ausenta. Eles fazem barbaridades diante da câmera, com referências críticas e ataques à religião, à sociedade e ao modo de vida contemporâneo. Detalhe: todo o elenco é composto por anões.
Subconcious cruelty (1999), de Karim HussainSó o título já é capaz de causar arrepios. Quatro histórias bizarras, que mexem com questões existenciais, como a gravidez e a religiosidade, formam o conjunto de uma das obras mais grotescas que uma mente humana foi capaz de pensar e imprimir em um fotograma. Subconcious cruelty, dirigido por Karim Hussain, é considerado por muitos a produção mais extrema já realizada. Há quem diga que é arte, há quem diga que é lixo.
Pink Flamingos (1972), de John WatersJohn Waters e seu diferenciado senso de humor, sarcástico e ácido, deixou muita gente enojada e revoltada com o inigualável e infame Pink Flamingos. Recheado de situações bizarras, o filme mostra o enorme travesti Divine disputando com um casal de vizinhos insanos o título de pessoa mais imunda do mundo. Não foi à toa que, nas sessões de estreia, sacos de vômito eram oferecidos aos espectadores. O filme tem cenas de incesto, zoofilia, podolatria e canibalismo. Fora um ânus cantante, que abre e fecha ao som de “”Surfin’ bird””, e a célebre e imunda sequência na qual Divine come fezes fresquinhas e quentinhas de um pequeno poodle.
I spit on your grave! (1978), de Meir ZarchiNão conheço um título de filme mais bacana do que esse. E olha que esse nem é o oficial. Na verdade, I spit on your grave é um nome alternativo para Day of the woman. Trata-se de um genuíno exploitation – uma história de vingança com requintes de crueldade. Um mulher é estuprada até ser dada como morta por um grupo de homens. Porém, ela sobrevive… Aí, já viu, né? As cenas de violência sexual deixaram muita gente em estado de choque.
Salò ou os 120 dias de Sodoma (Salò o le Centoventi Giornate di Sodoma, 1975), de Pier Paolo PasoliniPasolini foi um daqueles diretores que elevou o cinema ao status de obra de arte. Conseguiu tal feito com uma filmografia contundente, na qual foi capaz de criticar o sistema e os valores do seu tempo. Saló, se não é a sua obra-prima, é certamente seu trabalho mais polêmico. Funciona como uma denúncia às praticas do fascismo. Ao longo do filme, um grupo de jovens é torturado e humilhado. São quase duas horas de cenas bastante fortes, mas que estão inseridas dentro de uma proposta contestadora.
O massacre da serra elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1973), de Tobe HooperFoi no início da década de 70 que Tobe Hooper praticamente inaugurou um novo conceito estético nos filmes de terror. Por incrível que pareça, O massacre da serra elétrica, produção independente de baixíssimo orçamento, tem apenas quatro minutos de cenas com sangue. O resto é terror psicológico, com sequências realmente perturbadoras. Para piorar – ou melhorar -, o roteiro é baseado em uma história real, que dá conta de uma família de psicopatas que retalhava e mutilava suas vítimas. Leatherface e sua serra elétrica se transformaram em ícones do cinema do horror.
Jesus Camp (2006), de Heidi Ewing e Rachel GradyDocumentário é o meu gênero preferido. Muitos foram os que me deixaram impressionados. Porém, após conferir Jesus Camp eu fiquei realmente incomodado. O filme acompanha de perto um acampamento cristão para crianças estadunidenses. Vê-las gemendo, tremendo, se contorcendo e gritando louvores aos prantos em uma espécie de transe é uma experiência chocante e assustadora! Tão assustadora quanto as sequências nas quais as mesmas são ensinadas a adorar Jesus e Geroge W. Bush.

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