Ah, meus tempos… Quando eu era moleque, aprendi a amar o rock seguindo os passos do meu pai. Em plena década de 60 era ele um rebelde por se recusar a cortar os cabelos, desobedecendo ordens de padres que dirigiam um tradicional colégio católico no Rio de Janeiro. Outra lição tirei, sem dúvida, das telas de cinema. Referências, das melhores, não faltaram.

Ah, os musicais… Na época do meu pai, havia A Hard Day’s Night, o primeiro filme de longa-metragem estrelando o quarteto de Liverpool. Depois, veio Rock’n’Roll High School, filme no qual uma jovem luta pelo rock no seu colégio com a ajuda dos Ramones. E o que dizer de The Wall, clássico subversivo do Pink Floyd?

Porra, o rock era transgressor até na tela de cinema!

Aí, inventaram High School Musical. E vieram os subprodutos.

Não é de hoje que a maioria das grandes produções musicais que apregoam o rock desafinam sempre que a tal atitude do gênero é posta à prova. Quando adolescentes pegam guitarras, baixos e microfones, o que sai nos alto-falantes são composições melosas, em acordes menores, que falam sobre desilusões amorosas. E tudo é tão bem equalizado, tão bem produzido, tão bem coreografado, que se torna inverossímil. Bom para vender trilha sonora a um público que se acostumou a consumir os enlatados de gravadora.

Não se engane: o rock adolescente de verdade é feito por desajustados. Nasce na garagem, com instrumentos comprados em prestações pelos pais, plugados em caixas improvisadas, com som distorcido, guitarras no talo e vocal incompreensível. As letras falam de qualquer bobagem. Porque poeta jovem de verdade, só Casimiro de Abreu e seus contemporâneos da segunda geração da poesia romântica.

O rock é do diabo. O terror das mães, que queimavam discos em fogueiras. Paul Stanley estava de cara limpa, ou seja, desconfigurado, perturbado e sem moral alguma quando escreveu “God Gave Rock’n’Roll To You”.

Então, pequenos roqueiros, ouvidos e olhos bem abertos!

“Se Sexo é o que Importa só o Rock é Sobre Amor” (Bidê ou Balde)

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