“A internet é o futuro”: talvez seja esta a frase mais repetida da última década e não é preciso ser vidente para perceber que este é um fato incontestável. Muitas tarefas e prazeres do nosso dia a dia, como pagar contas, fazer compras e agendar viagens, já são feitas online. Com a produção e divulgação musical também não seria diferente.

Nos dias de hoje, a tecnologia de áudio avança a passos largos e fica cada vez mais acessível. Além disso, o surgimento de cursos de produção musical por todo o país, que ensinam desde o ABC aos truques de mestre da captura e tratamento de som, associado ao número cada vez maior de sites que divulgam gratuitamente o trabalho dos artistas independentes na rede, fica cada vez mais nítido que o processo de confecção e disseminação de conteúdo caminhe para o seguinte roteiro: produzir álbuns inteiros com qualidade profissional sem sair de casa, expor som, fotos, vídeos, release e agenda em sites como o MySpace e afins e, por fim divulgar, tudo isso utilizando as redes sociais. E a nitidez é tanta que a cada dia aumenta o número de artistas consagrados lançando seus trabalhos inéditos na rede, prensando cada vez menos álbuns em mídia física. Claro que o boom da pirataria e dos sites de transferência de dados peer-to-peer e a produção/consumo em massa de aparelhos eletrônicos com entrada USB (que lêem mídia digital direto de flash drives e HDs externos com muito mais espaço de armazenamento que os 750Mb dos CDs ou 4Gb dos DVDs) ajudaram bastante a solidificar esse novo processo, mas os altos custos de confecção e divulgação de álbuns em mídia física também foram decisivos para que a realização desses processos online ganhasse o gosto dos artistas.

Os músicos que fazem parte da Geração Coca Zero podem não acreditar, mas quem possui mais de trinta primaveras lembra de que, não muitos anos antes de surgirem os primeiros mp3 players, ainda era preciso entrar em estúdio, gravar as músicas em fita e editar os trechos com lâminas de barbear e fita adesiva, até chegar ao produto final. Com a modernização do processo de gravação, o analógico deu lugar ao digital e os discos de vinil e a fitas-cassete foram depostos pelo CD, que reinou absoluto como a mídia padrão do mercado na última década do século passado. O processo mudou, mas os gastos continuaram os mesmos: o artista que não tinha o apoio de uma gravadora arcava os com os custos de pré-produção, gravação, mixagem, masterização, criação da arte do encarte, prensagem e divulgação do seu trabalho. Somando os valores de todas as etapas desse processo, chegamos a uma cifra com muitos zeros no final, quantia que a maioria dos artistas independentes não possui e que prefere investir em um home studio. E mesmo hoje em dia, com a mídia física perdendo espaço para a digital (seja ela legalizada ou pirata), as prensadoras – grandes culpadas pelo boom da pirataria que fez a mídia digital por em xeque o CD por conta dos altos custos de prensagem –, ainda acreditam que podem cobrar preços exorbitantes por um produto que correr risco de desaparecer das prateleiras, em tempos de entradas USB, flash drives, HDs externos e internet banda larga.

Sim, o CD está em xeque, mas não xeque-mate. O LP também foi desenganado várias vezes e ainda está por aí, graças aos poucos, porém fiéis apreciadores, que mantêm acesa a chama das mídias abandonadas pelo grande público. E não é preciso ser vidente para enxergar que o futuro das mídias físicas é virar tiragem limitada.

4 pensamentos em “Música de pegar: os suportes físicos de mídia no século XXI

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