Vamos começar por partes. Definição. Afinal o que é música? Se recorrermos ao dicionário, encontraremos: “arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons” ou “qualquer conjunto de sons agradáveis”. Combinar harmoniosamente? Sons agradáveis? Ora bolas… Se um indivíduo não acha harmonioso, tampouco agradável o ritmo frenético do funk carioca ou as guitarras ensurdecedoras do rock clássico ou os estrondos subgraves mais táteis do que audíveis do techno, ou  as milhões de notas por segundo enlouquecedoras do heavy metal, ou as melodias tachadas como “mela-cueca” do pagode, ou as viagens ininteligíveis do jazz ou do rock progressivo, ou qualquer outra particularidade não tão bem aceita de qualquer estilo ou gênero musical, bem… pasmem tudo isso é MÚSICA sim!

Na verdade, não podemos definir o que é música basicamente porque sempre acabamos por terminar na parcialidade. O que é maravilhoso pra mim pode causar náuseas (acreditem, a música tem esse poder fisiológico) em outra pessoa.

Me pego as vezes lendo críticas de álbuns sobre determinado artista e me revolto ao ler quando o crítico em questão alcunha algum trabalho como fraco, ou previsível, ou complicado… Ora, ora… Quem é ele pra determinar se eu devo ouvir ou não alguma coisa? Ou me dizer se essa coisa é boa ou não?

Costumo dizer que a boa música é aquela que invade sem sua permissão. Aquela que lhe usa, abusa… Que lhe faz perder a razão (ou recuperá-la)… Quem nunca sorriu, ou chorou, ou enraiveceu, ou perdoou, ou se encorajou, ou se conformou ao ouvir uma canção? Platão já dizia que “a música é o remédio da alma” e a alma que é o grande pára-raio para essa invasão. E ainda me arrisco a dizer que não temos controle sobre isso. Quando a música “bate”, fica.

E além disso, é pessoal. Como qualquer outra forma de arte: pintura, escultura, cinema, teatro… E mais: vocês já imaginaram um pintor ou escultor que não se inspirasse ouvindo música? Ou um filme sem trilha? Ou uma peça sem ritmo? Música é isso: melodia, harmonia, ritmo. Juntos, separados, ou até ausentes, pois o silêncio também é música.

A música é tão pessoal que podemos produzi-la de qualquer maneira, em qualquer lugar e mesmo assim ainda ser música. Quem nunca assoviou fora do tom no metrô uma música que lembrasse a namorada? Ou cantarolou na fila do pão aquela música que ouviu quando seu filho deu seus primeiros passos? Quem nunca sonhou ser um astro da música quando pequeno? Onde está a ciência nisso? Onde estão os sons harmoniosos? Mas sei dizer onde está a emoção, confortando a razão.Diante disso, como podemos aceitar uma definição de que música é “qualquer conjunto de sons agradáveis ?”. Ora… Agradável é uma brisa no rosto, um dia aprazível, uma boa comida. Não música. Música é mais que agradável. Música é Vida.

 

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