A decepção que o Quartel de General Dunga nos trouxe na última Copa foi de certo modo amenizada com a expectativa que daqui a quatro anos o mundo voltará os olhos para o Brasil, que com uma geração recheada de bons nomes como Neymar, Ganso, Coutinho, David Luiz, Pato e Cia possam fazer um Mundial bonito de se ver e hexacampeão, trazendo a alegria de um povo sofrido, batalhador e “circense”.

Circense? Sim! Sendo a principal forma de lazer nos quatro cantos do país, toda vez que a bola rola, a gente costuma se esquecer do mundo que aparece à nossa volta. E que a cartolagem no futebol, junto com os políticos dos nossos próximos quatro anos pode trazer um quadro lastimável de desorganização, interesses privados e principalmente, muito desvio de verba pública.

O fato de o governo federal financiar estádios de futebol já é ruim por si só, já que o brasileiro tem necessidades do cotidiano bem maiores, como falta de boa educação nas escolas, saneamento básico e médicos nos hospitais. Mas levando-se em consideração que dentre os 12 estádios, nove serão bancados com dinheiro estatal a coisa fica ainda mais complicada. Já não bastasse isso ser um absurdo por si só, estádios como os de Brasília, Cuiabá e Manaus já estão confirmados como elefantes brancos* e não trarão o mínimo lucro e fará com que a nossa economia caia um pouco mais. E fora os que ainda podem ser, como no caso de Recife, já que nenhum dos três principais clubes de Pernambuco (Sport, Santa Cruz e Náutico) possuem receita financeira suficiente para bancar um estádio de primeira linha. Mesmo os que serão usados constantemente em jogos, ainda demorarão anos e anos para recuperar os “zilhões” que serão gastos com isso.

Detalhe: só falamos de estádios, porque se for falar de sistema de transporte – desde aeroporto até metrôs -, rede hoteleira, e estradas, a coisa vai nos trazer ainda mais gastos. Levando-se em consideração todo o rombo financeiro que se terá em todos esses quesitos, e saber que o governo que tratará disso é o mesmo envolvido em centenas de escândalos políticos em oito anos, será mesmo que dá para acreditar, principalmente nesses lugares mais “escondidos” como Amazonas e Mato Grosso que não haverá contas de políticos aumentando, assim como o número de cuecas GG para dar espaço também para os reais que entrarão naquele monte de intimidades?

E você? Ainda acha que um país ainda emergente como o Brasil lucrará mais do que perderá em dinheiro com essa Copa? Será que um país ainda subdesenvolvido com um dos maiores índices de desigualdades sociais do mundo deveria mesmo financiar uma Copa quando seu povo necessita de bens do cotidiano que poderiam ser bem mais benéficos? É nosso dinheiro que construirá tudo isso, e são nossos impostos – tão baixo né?! – que, a partir do fim de 2011 e começo de 2012, deverão aumentar ainda mais com a construção dessas obras e cumprimento  – ou não – de promessas feitas nesse ano.

Pensaremos, concluiremos, e principalmente investigaremos, rumo a igualdade social, aos interesses do povo, e claro, Rumo ao Hexa!

*: Elefante branco: estádios que depois de feitos, ficam abandonados porque nenhum clube utiliza, e com isso, fica a mercê do poder público para sustentá-lo.