Estava escrito assim: traz a pessoa amada em dois dias. Ela percebeu a diferença. Ora, a maioria daqueles cartazes colados em postes e tapumes davam prazo de três dias. Duas vivas para a livre concorrência, que poderia melhorar e aprimorar o tratamento dos males do coração.

Anotou, telefonou e marcou visita. A tal bruxa moderna, assim se intitulava, instruiu como proceder para que o feitiço desse certo e ele, a pessoa amada em questão, viesse ao seu encontro com um dia de antecedência às datas praticadas pelo mercado. O preço era um pouco mais alto. Ninguém anda, nestes tempos violentos, com a carteira recheada de dinheiro. Problema resolvido com pagamento facilitado nos cartões de débito.

O plano era o seguinte: fazer a encomenda, montar o esquema e esperá-lo já no altar, vestida de noiva e com o padre de bíblia em punho, com o texto decorado na ponta da língua. Não é que a mandinga tinha prazo de validade, mas cabia a ela amarrar de vez o pretendido. Logo, era melhor garantir a união pelo menos no religioso. Um sonho!

Em apenas dois dias, ainda com o futuro cônjuge distante, ela conseguiu organizar toda a cerimônia, com padrinhos e madrinhas, convidados, só da noiva, mas que já eram bastante, chá de panela e reservas em um hotel de Penedo, a pequena Finlândia, para curtir uma romântica lua-de-mel. O único protocolo a ser quebrado era sua entrada antes do noivo, que foi explicada da seguinte maneira:

“Ele não acredita nestas superstições bobocas.”

No dia, hora e local marcados, o sujeito apareceu. Entrou na igreja sem entender muito bem o que acontecia, vestindo um belo fraque alugado, sapatos engraxados e um sorriso estúpido no rosto. Ouviu-se murmurosa comoção entre os convidados. A noiva se emocionou.

Quando o padre fez a famosa pergunta, ele respondeu um rasteiro e sonoro não. E explicou da seguinte maneira:

“Eu não acredito nestes sacramentos bobocas.”

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