– Amor?
– Sim, querida?
– Podia me trazer um rolo de papel higiênico? Acabou aqui no banheiro.
– Já vou levar, bem. Deixe-me só colocar uma…
– Ok!
– … camisa… ué?
– O que foi, amor?
– Querida, cadê a minha camiseta?
– Qual delas, amor?
– A minha camiseta! Aquela camiseta do Uriah Heep.
– Ah, meu bem… aquele trapo?
– Querida, eu não estou encontrando a minha camiseta…
– Não sei porque você gosta tanto daquela coisa velha, Antônio Carlos.
– Meu bem, onde está a minha camiseta?
– Eu joguei fora.
– Como foi que você disse? Pensei ter ouvido você dizer que tinha jogado fora minha camiseta.
– Joguei fora! Passou um rapaz pedindo roupas velhas e eu dei a ele.
– Jesus amado, Maria Fernanda! Você deu a minha camiseta preferida sem me consultar?
– Ah, pára de show, Antônio Carlos. Aquele… troço, estava todo ruço e desfiado, a gola toda puída…
– A minha camiseta autografada do Uriah Heep, Maria Fernanda? Você deu a minha camiseta autografada?
– Era praticamente um pano de chão e você sabe disso. Dei mesmo, porque eu não agüentava mais vê-lo andando maltrapilho por aí. Você acha que eu gosto de ver o meu marido andando por aí como um mendigo? Antônio Carlos, eu só quero o melhor para você… e vamos esquecer essa droga de camiseta? Pode trazer o papel higiênico, por favor?
– Ok, ok… papel higiênico. Aqui está.
– Muito obrigada. Um dia você ainda vai me agradecer e… ei, ei! O que é isto? Antônio Carlos! Isto não é papel higiênico, é a nossa certidão de casamento!
– E existe papel mais importante no mundo, Maria Fernanda? Eu só quero o melhor para você…

Um pensamento em “Coisas de casal

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