Não é que não queria, simplesmente não conseguia pronunciar as vogais. Tal fato casou-lhe, ao longo da vida, alguns problemas. Sua fala, inevitavelmente, causava estranheza. Era difícil se expressar de forma contundente.

Quando era criança, no parque de diversões:

“M~ , qu r r n r d g g nt !”

Ainda adolescente, na aula de matemática:

“Pr f ss r , n~ nt nd x rc´c d s…”

Jovem, na faculdade:

“Q r f z r p´s-gr d ç~ m f l s f .”

Já na idade adulta, no dia de seu casamento:

“N r q z n p br z , n d nç n s ´d , p r m r-t h nr r-t , t´ q m rt n s s p r .”

Sua simples existência foi, e assim ainda permanece, um desafio à semântica e à neo-lingüística. Todas as correntes, os filósofos, pensadores e teóricos da área nem sequer têm pistas sobre o estranho mecanismo desenvolvido pelo aparelho fono-articulatório em questão.

Dizem que somente uma vez, em toda a sua existência, sua fala foi consonante, e não apenas consoante. Foi quando, pela primeira vez, já muito velho, se apaixonou por uma senhora que era sua vizinha. Testemunhas juram que ele sussurrou, leve e faceiro, em belo português, uma expressão corriqueira apenas em terras brasileiras. Suspirou:

“Ai, ai…”

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