Sempre detestei a fase de adaptação que inicia toda mudança. Toda essa coisa de ter que começar do zero… ah, isso sempre me deu no saco, principalmente a sensação de ser observado o tempo todo. Mesmo contra sua vontade, você se torna o centro das atenções, já que você é o cara novo. É impressionante como ser o novato chama a atenção das pessoas! Em todo lugar que você vai as pessoas lhe olham, as pessoas querem lhe cumprimentar… aliás, “querem” não: elas têm uma necessidade patológica de lhe cumprimentar, de conversar com você, de querer saber da sua vida. E ainda esperam que você retribua o mesmo sorriso imbecil que elas trazem estampados no rosto, enquanto conversam consigo. Ah, faça-me o favor… por que eu sou obrigado a passar por isso em toda mudança?

Para ser honesto, se os graúdos não me obrigassem a me transferir para cá, eu não viria mesmo! Eu já achei um saco quando me transferiram para lá onde eu estava! E quando eu finalmente me adaptei, eles batem o martelo e me mandam para cá. E para passar por todo o transtorno desnecessário que foi o raio da minha viagem de ida. Ontem, já no primeiro dia! Era para ser uma viagem tranqüila; relativamente demorada e cansativa, mas tranqüila. Mas não, foi um pandemônio de vinte e duas horas! Tem idéia do que são vinte e duas horas de viagem? E quando eu chego, enfim, cansado e com fome, ainda tenho que aturar todos aqueles olhares e aquela multidão de bobos alegres com seus sorrisinhos idiotas. Ninguém merece!

Bom, tive que vir, então eu vim. Sob protestos, mas eu vim. E tomara que seja a última vez que eu reencarno. Não tenho mais paciência para outra dessas.

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