O caça-palavras parecia normal. Como tantos outros publicados no jornal de domingo. Um amontoado de letras e suas possibilidades. Para frente, para trás, para os lados, na diagonal. Sem acentos, hifens, vírgula, maiúscula, minúscula.
Ela acordou e, enquanto tomava o café da manhã, começou a catar fonemas com o lápis em punho.
Lá em cima: hoje
Lá em baixo: você
Bem no meio: vai
À direita: encontrar
À esquerda: um
Diagonal: grande
Faltou uma palavra. Vasculhou as linhas, varreu as colunas. Pôs óculos, lentes de contato. Agarrou uma lupa. Nada. Repetiu a operação. Sem sucesso. Mais uma vez. Malogrou. Porém, não desistiu. Resolveu buscar pelas letras a, m, o e r. Com os óculos, não achou. Com as lentes de contato, não achou. Com a lupa, não achou. A solução? Só na edição do dia seguinte.
Breve pausa para o almoço.
De volta ao caça-palavras, nada.
Rápida pausa para o lanche da tarde.
De volta ao caça-palavras, nada.
Ligeira pausa para o jantar.
De volta ao caça-palavras, nada.
Resolveu sair quando ainda faltava uma hora para hoje se tornar ontem. Obstinada em encontrar um grande amor, conheceu um sujeito que parecia muito bacana. Conseguiu beijá-lo faltando apenas quinze minutos para a meia-noite. Conseguiram gozar juntos faltando apenas cinquenta e seis  segundos para a meia-noite. Trocaram telefones. Voltou para casa radiante.
No dia seguinte, ainda contente, correu para conferir a solução do caça-palavras. E a palavra que caçou estava lá, na cara dela. Nem muito para cima, nem muito para baixo. Nem mais à esquerda, nem mais à direita. Não começava com a, nem terminava com r. Era cafajeste mesmo.

O caça-palavras parecia normal. Como tantos outros publicados no jornal de domingo. Um amontoado de letras e suas possibilidades. Para frente, para trás, para os lados, na diagonal. Sem acentos, hifens, vírgula, maiúscula, minúscula.

Ela acordou e, enquanto tomava o café da manhã, começou a catar fonemas com o lápis em punho.

Lá em cima: hoje

Lá em baixo: você

Bem no meio: vai

À direita: encontrar

À esquerda: um

Diagonal: grande

Faltou uma palavra. Vasculhou as linhas, varreu as colunas. Pôs óculos, lentes de contato. Agarrou uma lupa. Nada. Repetiu a operação. Sem sucesso. Mais uma vez. Malogrou. Porém, não desistiu. Resolveu buscar pelas letras a, m, o e r. Com os óculos, não achou. Com as lentes de contato, não achou. Com a lupa, não achou. A solução? Só na edição do dia seguinte.

Breve pausa para o almoço.

De volta ao caça-palavras, nada.

Rápida pausa para o lanche da tarde.

De volta ao caça-palavras, nada.

Ligeira pausa para o jantar.

De volta ao caça-palavras, nada.

Resolveu sair quando ainda faltava uma hora para hoje se tornar ontem. Obstinada em encontrar um grande amor, conheceu um sujeito que parecia muito bacana. Conseguiu beijá-lo faltando apenas quinze minutos para a meia-noite. Conseguiram gozar juntos faltando apenas cinquenta e seis  segundos para a meia-noite. Trocaram telefones. Voltou para casa radiante.

No dia seguinte, ainda contente, correu para conferir a solução do caça-palavras. E a palavra que caçou estava lá, na cara dela. Nem muito para cima, nem muito para baixo. Nem mais à esquerda, nem mais à direita. Não começava com a, nem terminava com r. Era cafajeste mesmo.

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