VI.

Sentado em frente à televisão, Walter fazia hora para ir dormir assistindo a um filme de caubói e bebendo uma cerveja. Já fazia isso havia tanto tempo que Fernanda nem mais se preocupava em chamá-lo para a cama. Ela não entendia como ele tinha paciência para assistir àqueles filmes em preto e branco, mas Walter era apaixonado por clássicos do western. Seu sonho de criança era desmontar de um cavalo preto empunhando duas Colt 45 e instaurar a ordem na cidade. Fernanda não sabia, mas quando pequeno Walter contava os dias para o fim de semana chegar, para que seu avô o levasse ao cinema para ver os filmes de caubói. Hoje ele os assistia sozinho em frente à sua TV. Todas as noites antes de dormir, como um pequeno ritual, uma homenagem à sua infância.

Assim que o filme terminou, Walter desligou a TV e caminhou para a cozinha. Colocou a garrafa de cerveja vazia na lixeira e bebeu um último copo d’água, apagou a luz e foi em direção ao quarto. Ao passar em frente ao escritório, viu pela porta entreaberta que o computador ainda estava funcionando, apenas o monitor estava desligado. Entrou no escritório e ligou o monitor. A tela foi clareando e a página que aparecia era da sua caixa de correios. Lá estava a mensagem que ele ia ler quando Amanda entrou no escritório. A mensagem da tal Celeste.

– Quem é você, Celeste? – disse ele, enquanto clicava na única mensagem não lida.

Apenas lia-se no e-mail a frase “espero que seu aniversário de casamento seja uma ocasião inesquecível”. Walter coçou o queixo, olhando para a tela sem entender a mensagem. Apagou o e-mail e desligou o computador, indo para o quarto e deitando-se ao lado de Fernanda. Abraçou a esposa e fechou os olhos, mas nem a cerveja nem o calor do corpo ao seu lado conseguiam fazer a mente de Walter parar de trabalhar. As engrenagens em sua cabeça trabalhavam movidas pelo enigma do remetente do e-mail. Quem era Celeste? Será que aquela mensagem era apenas um desejo de felicidades de alguma funcionária que ele não recordava o nome? Possível, já que Walter era dono de 25 lojas só no Estado do Rio de Janeiro. Levantou-se com cuidado para não acordar Fernanda e foi até o escritório. Ligou o computador, conectou-se e recuperou o e-mail apagado. Ficou algumas dezenas de minutos olhando fixamente para a tela, talvez esperando encontrar no e-mail de Celeste alguma mensagem oculta. Levou as mãos aos cabelos castanhos e curtos, e olhou para cima, como se a solução fosse cair do teto. Ao baixar os olhos para a bancada, um pedaço de papel azul no meio das contas chamou sua atenção. Era um pequeno envelope azul. Azul-celeste. Com sua mão direita, apanhou no porta-canetas um abridor de cartas em forma de gládio e começou a abrir o envelope com cuidado para não danificar o conteúdo, pois talvez naquele pequeno envelope estivesse a resposta de sua dúvida.

VII.

– É lindo! É lindo, Walter! – Fernanda saltava em torno do marido, abraçada com o vestido vermelho.
– Não tão lindo quanto você, meu amor – Walter sorria, exibindo seus dentes perfeitos em um sorriso que parecia dizer “sabia que você ia gostar”.
– Eu nem sei o que dizer, querido. É lindo demais! – os olhos de Fernanda brilhavam de felicidade.
– Você não precisa dizer nada, Nanda. Apenas tem que vesti-lo hoje à noite, na festa – Walter sorriu e beijou os lábios da esposa com paixão. – Agora deixe o vestido aí e vamos aproveitar que a Amanda está na casa da minha irmã e vamos para a sala de jantar, pois eu preparei um almoço especial para você.

A sala de jantar da casa dos Dortella, como as outras dependências da casa, era um cômodo amplo e arejado. As paredes brancas refletiam a sala a luz que entrava pelo janelão panorâmico no fundo do cômodo, que brindava a todos com uma vista espetacular da pedra nua de um morro próximo e a vegetação densa à sua volta. De frente para aquela paisagem, à cabeceira da mesa, Walter fez com que sua esposa se sentasse. Colocou ao lado do prato os talheres envoltos em um guardanapo de linho e saiu, voltando minutos depois trazendo a comida em uma bandeja de prata polida. Na louça branca do prato octogonal, tiras crocantes de cenoura e salsão ornavam um belo pedaço de carne mal-passada, coberto de alho e cebolinha. Fernanda respirou sobre a comida e começou a salivar ao sentir cheiro de gengibre e pimenta vermelha.

– O que é isso, Walter? Está bem cheiroso – ela perguntou, desenrolado os talheres e pousando o guardanapo no colo.
– É carne à chinesa. Não me pergunte o nome em chinês, pois é capaz de eu dar um nó na minha língua – ele sorriu enquanto abria uma garrafa de vinho tinto.
– Onde você conseguiu essa receita, amor? Está delicioso! – Fernanda disse, bebendo um gole do vinho recém-servido.
– Na Internet. É impressionante o que a gente encontra na Internet – ele sorriu, servindo-se de uma taça de vinho.
– Realmente está ótimo. Você não vai comer, amor? – ela perguntou, estendendo-lhe o garfo.
– Não, senhora – Walter colocou-se com as costas eretas, colocando um braço atrás do corpo e o em frente ao abdômen, com o guardanapo no antebraço. – Hoje sou apenas o seu garçom.
– Acho que sei como vou pagar a conta do restaurante – Fernanda sorriu maliciosamente, escorregando por baixo da mesa e abrindo a calça do marido. – Depois da sobremesa você me leva ao salão de beleza? – ela disse, olhando Walter nos olhos enquanto lambia seu sexo.
– Você já é bonita, amor – Walter sussurrou, com os olhos fechados.
– Mas vou ficar muito mais bonita para o meu homem – ela disse, beijando a virilha do marido.
– Levo… levo… – ele sussurrou, segurando-se com força no encosto da cadeira.
– Você gosta de me ver bonita, não gosta? – ela disse, fazendo bico e esfregando o pênis em seu rosto e levando-o à boca mais uma vez.
– Eu adoro… adoro… adoro… – os dentes de Walter se crisparam. O corpo do empresário se jogou para frente em um espasmo e ele segurou com força os cabelos da esposa, que soltou uma gargalhada e pegou o guardanapo do braço de Walter e enxugou a boca.
– Estou te esperando no carro, querido – ela disse, com um sorriso maroto nos lábio, deixando a sala de jantar, metade do prato e Walter com um sorriso bobo no canto da boca.

Continua

Deixe uma resposta

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> 

requerido