– Otávio? T@vito? – ela perguntou, tocando-lhe o ombro esquerdo.
– Fernanda? Nandinha25ES? – perguntou, virando-se e fitando-a de baixo a cima, e detendo-se em seus olhos.
– É, eu mesma – ela disse, com um sorriso tímido no canto dos lábios.

Houve um breve instante de silêncio, onde eles apenas se olharam.

– Alguma coisa errada? – ela perguntou, prendendo a respiração. Afastou com a ponta dos dedos uma mecha que cismou em cobrir-lhe o rosto.
– Não, nada errado. É que você é um pouco mais alta do que eu imaginava – ele respondeu quase de imediato, com um sorriso amplo.
– Descrições de Internet são não lá muito precisas, não? – ela sorriu e olhou para o chão. Ele realmente usava tênis coloridos, como havia mencionado em um e-mail.
– Alguma coisa errada? – ele perguntou, enfiando as mãos nos bolsos. Não queria que ela visse seus dedos trêmulos.
– Não, de forma alguma – ela sorriu, voltando a olhá-lo nos olhos. – Bom, sua voz pode não ser tão grave quanto soa nas minhas caixas de som, mas você tem muito mais cabelo do que a maioria garante ter – ela disse, desalinhando os cabelos dele.

E os dois começaram a rir. Ele achou bonito o jeito como as narinas dela tremiam enquanto ela ria. Tantas vezes a vira pela câmera e esse detalhe havia passado desapercebido.

– Café? – ele perguntou, apontando para o balcão. – Forte, sem açúcar?
– Forte, com adoçante. – ela respondeu, deixando que ele a conduzisse até o balcão. – Pensei que sua memória era… como você disse mesmo? Prodigiosa? – ela disse, sorrindo e erguendo uma das sobrancelhas.
– Costuma ser quando eu tenho o histórico dos chats à mão – ele sorriu e olhou para o chão. Ela calçava sapatos de boneca, que ele achou apropriados, pois combinavam com seu sorriso e sua pele, alva como louça. – Estou adorando estar aqui com você. A gente só descobre de verdade quem está do outro lado do monitor em momentos assim.
– Eu brindo a isso – ela disse, soprando a fumaça do café e sorrindo para ele.

Durante horas conversaram e riram, tentando se acostumar com a ausência do barulho das teclas. Acharam graça de como nunca haviam se visto, mas sentiam-se confortáveis um com o outro como se o laço que os unia fosse mais do que os muitos quilômetros de cabos telefônicos, como se estivessem juntos desde a maternidade.

– E agora, o que você quer fazer? – Otávio perguntou, segurando a mão de Fernanda e ajudando-a a passar pela porta entreaberta da cafeteria, quando as luzes se apagaram. – Quer conhecer os bares da cidade? Ir a um restaurante? Encontrar uma LAN house 24 horas e escrever sobre o seu dia em seu blog? – ele a olhava nos olhos, sorrindo.
– Talvez descobrir o que mais esconde o outro lado do monitor – ela disse e o beijou, sob a luz do letreiro de neon.

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