Alguma coisa no jeito como ela se movimenta mexe diretamente com o meu básico instinto. Não é algo óbvio como os trajes minúsculos ou como ela rodopia no poste, mas um pequeno detalhe imperceptível ao resto da platéia, algo indetectável pelo olhar dos interessados apenas na farta trivialidade que a blusa amarrada e a minúscula saia quadriculada nem se esforçam em esconder. Talvez o jeito como as gotículas de suor brilham sob a luz negra e transformam-se em raios azulados a cada giro ou como o estroboscópio a faz sorrir quadro a quadro, um perfeito ensaio fotográfico que, a cada rodopio, ganha o movimento felino contido no seu engatinhar preguiçoso pela passarela. Talvez a idéia paradoxal de ver sem poder tocar, não sei ao certo. Apenas sei que alguma coisa no jeito como ela se movimenta me estimula além do racional, naquela área que toda pessoa de bem e temente a Deus se envergonha de mostrar mesmo com a luz da mesinha de cabeceira apagada, nos breves instantes de petit mort com a pessoa amada; alguma coisa em cada passo dado sobre os saltos agulha corta dos meus ouvidos a batida drum ’n’ bass e remove da minha vista tudo que não seja a sua silhueta, inunda minhas narinas com seu cheiro e faz minha pele arder em febre, fazendo-me salivar. Alguma coisa no jeito que ela se movimenta desperta-me o cio e a vontade quase irresistível de saciá-lo segurando-a pelas ancas em uma das mesas do bar, com toda agressividade e beleza de um casal de tigre copulando. É alguma coisa no jeito que ela se movimenta, eu só não sei o que é.

Deixe uma resposta

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> 

requerido