ERA UMA VEZ UMA PRINCESA MUITO BONITA CHAMADA MARIA EDUARDA. ELA GOSTAVA DE PASSEAR PELOS FLORIDOS CAMPOS AO REDOR DO CASTELO. DUDA, COMO ERA CONHECIDA A BELA FILHA DO REI, CORRIA DE UM LADO PARA O OUTRO. ERA AMIGA DE BORBOLETAS, PÁSSAROS, CÃES, GATOS E ATÉ DAS ONÇAS PINTADAS. SUA MÃE, A RAINHA ELAINE, ERA BASTANTE SÉRIA E PREOCUPADA. NÃO DEIXAVA A PRINCESA DUDA SAIR PARA DANÇAR NA DISCOTECA QUE FICAVA NO PRINCIPADO AO LADO. DIZIA ELA: “MINHA FILHA, AQUELE ANTRO DE PERDIÇÃO É FREQUENTADO POR BOBOS DA CORTE. ALÉM DISSO, NÃO GOSTO QUE VOCÊ VOLTE PARA CASA SOZINHA DIRIGINDO SUA CARRUAGEM MADRUGADA ADENTRO. O REI EDUARDO TINHA FAMA DE SER CIUMENTO – MAS ERA APENAS FAMA. NO FUNDO, ERA UM HOMEM BONDOSO QUE SE PREOCUPAVA COM A FELICIDADE DA FILHA. POR ISSO, DIZIA: “FILHA, VÁ LER DOSTOIEVSKY QUE VOCÊ SE DÁ BEM.” A PRINCESA DUDA ERA UMA MENINA MUITO ESPERTA PARA A POUCA IDADE QUE TINHA. AOS 2 ANOS, JÁ RECITAVA POEMAS DE FERNANDO PESSOA COM TAMANHA DESENVOLTURA, QUE ERA CONVIDADA ESPECIAL EM SARAUS E RODAS DE LEITURA DE UNIVERSIDADES LOCAIS. UM DIA, A PEQUENA RESOLVEU ENTRAR PARA O CURSO DE TEATRO. O REI, DE INÍCIO, TORCEU O NARIZ: “SABE, FILHA… SUA MÃE NÃO ME DEIXOU FAZER TEATRO COM MEDO QUE EU PEGASSE AS ATRIZES DE MALHAÇÃO. NO TEATRO TEM MUITO MACONHEIRO SAFADO QUE QUER FICAR FAMOSO. POUCOS SÃO OS ATORES DE VERDADE. A RAINHA CONTESTOU: “NADA A VER, OH, MEU GRANDE E MAGNÂNIMO REI. O TEATRO AJUDA AS PESSOAS A TER UMA VIDA MAIS FELIZ E SAUDÁVEL, LONGE DAS DROGAS. TEATRO É VIDA.” DEPOIS DE MUITA CONVERSAREM, O REI TEVE UMA GRANDE IDEIA, COMO ERA DE COSTUME: “FILHA, SE VOCÊ QUER REALMENTE FAZER TEATRO, PRECISA LER OS CLÁSSICOS DA DRAMATURGIA. ASSIM QUE CONSEGUIR DAR CONTA DA BIBLIOGRAFIA QUE LHE PASSAREI, PODE SE MATRICULAR NAS AULAS DE TEATRO. PORÉM, QUERO FICHAMENTOS DATILOGRAFADOS NO COMPUTADOR, FONTE ARIAL, CORPO 12 E ESPAÇAMENTO DUPLO.” A PRINCESA DUDA ACEITOU A PROPOSTA, APESAR DA PILHA DE LIVROS QUE SE ACUMULOU NO CRIADO MUDO DE SEU SUNTUOSO QUARTO. ANTES DE DORMIR, NOITE APÓS NOITE, SE DEDICAVA ÀS LETRAS DOS GRANDES MESTRES. BECKETT, GOGOL, SARTRE, SÓFOCLES, MOLIÈRE, PIRANDELLO E ATÉ SHAKESPEARE, VEJA BEM, CARO LEITOR, ATÉ SHAKESPEARE! OS ANOS FORAM PASSANDO E A PRINCESA DUDA NÃO FOI PERCEBENDO. À MEDIDA QUE IA CRESCENDO, TINHA CADA VEZ MENOS TEMPO DISPONÍVEL PARA TRIVIALIDADES E FUTILIDADES. A RAINHA ESTRANHAVA O FATO DA PEQUENA E DONAIROSA ADOLESCENTE NÃO INSISTIR EM SAIR PARA DANÇAR, PREFERINDO SE DEBRUÇAR SOBRE OS LIVROS. O TEMPO FOI PASSANDO CADA VEZ MAIS RÁPIDO. E AQUI, CARO LEITOR, HÁ UM GRANDE PULO NA LINHA DO TEMPO. PASSARAM-SE, VEJA SÓ, 10 ANOS. A PRINCESA DUDA JÁ ERA MOÇA FEITA E GRADUAVA-SE EM MEDICINA, COMO A MELHOR ALUNA DA UNIVERSIDADE. NO DISCURSO, EMOCIONADA, AGRADECEU: “NADA DISSO SERIA POSSÍVEL SEM A AJUDA DO MEU PAI, O REI, QUE ME APRESENTOU A UM MUNDO QUE REALMENTE VALIA A PENA, O MUNDO DA LITERATURA. ABDIQUEI DE NOITES REGADAS À BEBIDA E DROGAS SINTÉTICAS, ME MANTIVE LONGE DAS MÁS COMPANHIAS E DOS WANNA-BE-CELEBRIDADES DO CURSO DE TEATRO, PODENDO ENTÃO ME CONCENTRAR E FOCAR NA MINHA FORMAÇÃO INTELECTUAL. AO MEU PAI, O MAGNÂNIMO E INCONSTESTÁVEL REI, O MEU MUITO OBRIGADO. TE AMO, PAI!” TODOS OS SÚDITOS PRESENTES SE LEVANTARAM, AOS PRANTOS, E TAMBÉM APLAUDIRAM. O REI FICOU DE PÉ E GRITOU: “BRAVO! É MINHA FILHA!” A RAINHA, VISIVELMENTE CONTRARIADA EM UM PRIMEIRO INSTANTE, DEU O BRAÇO A TORCER E SE DEIXOU LEVAR PELA EMOÇÃO, DEBULHANDO-SE EM LÁGRIMAS. DEPOIS DA CERIMÔNIA, FORAM TODOS COMER PIZZA NA TAVERNA DA ESQUINA. E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE. FIM.

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