Todos os dias, antes de dormir, acendia uma vela e pedia que nunca mais despertasse, pois muito havia desde que sua sede pela vida terrena sumira. Viajou pelos cinco continentes, visitou os maiores teatros e museus, teve filhos, escreveu livros, plantou árvores, desvendou os mistérios do sexo oposto. E então raiou o dia em que acreditou já ter visto o sol nascer o suficiente. Progressivamente, a comida ficou insípida, a vida perdeu as cores e até mesmo a libido se extinguiu; a única coisa que restou foi a fé em um novo começo, além da carne e do sangue. Assim começou sua rotina de acender velas e pedir pela chegada do fim. Por acreditar que, por nascer aqui sob o signo de Peixes, recomeçaria outro ciclo em outro plano com o sol em Áries.

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