Anjo,

Resolvi escrever-lhe, como prometera antes de sua partida, muito embora ainda não tenha entendido o real motivo de sua vinda.

Lembro-me quando lhe avistei pela primeira vez. Mal pude notar a auréola que lhe adornava, pois sua beleza, sua plena beleza, sobrepujava a tudo. Também jamais poderia imaginar que viria a mim. Foi quando o anjo cinzento, que eu já conhecia, lhe trouxe até mim, ou me levou até você – até hoje não consido distinguir se meu espírito se elevara ou fora o céu que me buscara. Naquele momento, um toque sublimar tirou-me de mim, de onde estive ausente poucas duas ou três semanas.

Tinha relva no céu e nuvens no chão. Tinha flores em ti. Tinha orvalho em meus olhos e brisa em meu peito, que soprava ligeiro e suavizava a tormenta da minh’alma.

Rápido e perene. Como num passe de mágica, você surgia, me encantava, desencantava e sumia. E cada hora passada parecia muitas. Mas hoje, quando me lembro, tenho a nítida sensação de que cada minuto era meio, e cada segundo era o último.

Você é um anjo, deve ter sido a última coisa que lhe disse. Mas faltava o céu a você, e faltava a terra a mim.

Então, veio o anjo cinzento, e tinha interrogação nas palavras. Tinha orvalho nos olhos. Tinha doença em ti. Tinha pouco de mim em mim.

Crêem meus botões que tudo não passsou de zombaria do anjo cinzento, que lhe criou e descriou a seu próprio vento. Mas eu não sei. Creio em ti, assim mesmo, como um anjo que veio e que foi. Afinal, para mim os anjos são assim. Surgem, urgem, afagam, encantam, e vão, e sobem, e somem, sem sequer terem existido.

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