A jovem tinha apenas duas compulsões na vida: livrarias e livros – mas só aqueles que são vendidos em livrarias, ela diria. Era incapaz de passar em frente a uma delas sem ter o ímpeto desejo de entrar. Dizia ir apenas dar uma olhadinha.

De tantas tentativas frustradas, entrava escondida com medo de alguém repreendê-la logo na porta. Sempre entrava. E quando era tarde demais para voltar atrás, sua segunda compulsão a arrebatava: os livros. Lombadas coloridas, variadas e espremidas lado a lado. Prateleiras que não tinham lugar certo para começar ou terminar. Um delicioso cheiro de página impressa que acaba de sair do forno e aguarda alguém com um apetite como o dela para o saborear.

Desistiu de se controlar. Até mesmo os livros começaram a aconselhá-la de fazer o contrário. E quando já não tinha mais forças para lutar contra livros e livrarias, viu um anúncio no jornal. Procura-se vendedoras. Foi assim, entre os livros que vendia, na livraria que a empregara, literalmente, onde encontrou a cura para a sua compulsão: a literatura.

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