Egoísta, adj. 2 g. 1. Que demonstra egoísmo. 2. Que trata só dos seus interesses. 3. Que não prescinde de suas comodidades; comodista.
(Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – Novo Dicionário Aurélio)

Cada um por si: este lema se instalou em nossas cabeças e em nossos corações há mais tempo que nossos dedos podem contar. Há como negar que o bicho-homem é um ser egoísta? Lutamos uns com os outros pelo melhor pedaço de chão, pelo último copo d’água, pelo último pedaço de pão, satisfazendo nossos interesses e dando as costas às necessidades dos outros.

O egoísmo infectou tudo, até mesmo o amor.

Alguém discorda que somos egoístas no amor? A escolha da pessoa amada é baseada, na maioria dos casos, em atributos que apenas nos acrescentariam algo – geralmente no plano material. O bom emprego, o bom diploma e o bom berço fazem o bom partido; a pessoa que vai realizar os meus sonhos, que vai comprar o carro que eu quero, que vai viver comigo do jeito que eu sonhei.

Somos, sim, egoístas no amor, pois quando encontramos alguém que fique do nosso lado, a primeira coisa que dizemos é “você me faz feliz”. Ah, alguns dirão: “eu sempre digo que quero fazer a outra pessoa feliz” mas poucos são os que dizem isso de coração. E somos egoístas até na dor! Quando perde-se um amor? Uma enxurrada de “não faça isso comigo“, “você não pensa em mim?” e “é isto que eu mereço?”.

Eu, eu, eu. Meu, meu, meu. Quando aprenderemos a dizer nós?

Senhor dos Anéis!!!!!! ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!! Merecido foi, o filme é ótimo, mas nunca tinha visto um filme ganhar todas as indicações que recebeu! Na verdade a única vez que torci por isto foi neste mesmo Oscar 2004, pelo filme Cidade de Deus! Não por ser brasileiro, exatamente, mas dos que estavam concorrendo era o melhor, sem brincadeira! A Montagem era inovadora, a fotografia belíssima, lembrem-se o filme mostra uma favela, e consegue deixá-la belíssima! O diretor teve muito mais trabalho do que qualquer outro ao dirigir garotos que nunca tinha atuado na vida!

Agora os discursos do agradecimento eram muito chatos! nenhum emocionante, talvez só o da Charlize Theron, agradecendo seu país de origem e sua mãe assassina, mas eu gostaria de ouvir coisas mais poéticas dos ganhadores. Imagino algo do tipo: “Dedico este prêmio à memória cultural de meu país, que me construiu da maneira que sou!” ou “Ééééééééééé…é do Brasil!” no melhor estilo Galvão Bueno!

Se eu ganhasse um Oscar, por qualquer motivo que fosse, eu faria questão de bagunçar tudo lá! Meu ía sair correndo gritando, pulando, dançando! Não por felicidade somente, mas porque acho a festa muito parada, muito certinha! Falta um toque de quebra de protocolo. Que nesta edição só quem ousou foi a Mrs. Jack Peterson. Aliás, só o fez pra agradecer, já que a indigesta academia cortou o agradecimento com aquela musiquinha que todos odeiam ouvir!

Eu daria o Oscar para: (detalhe básico, to votando nas pessoas presentes na festa)
figurino: Sra. Peter Jackson, com aquelas florzinhas no cabelo tava ótima!
montagem: para Diane Keaton, que montou um visual anti-luxo, da hora, à Jack Nicholson!
maquiagem: Charlize Theron, que colocou lente de contato azul e deu um trato nos dentes e no rosto pra cobrir aquela feiúra de doer, que pudemos ver em Monster!
atriz: Sofia Coppola, fingindo estar surpresa ao ganhar o melhor roteiro!
atriz coadjuvante: Juliane Moore, ao fazer o mesmo anunciando a melhor montagem, fez um suspense tão grande que imaginei que tinha sido o Dani o ganhador!

E ano que vem tem mais, imagino que algum filme brasileiro seja indicado para alguma coisa, ou que algum brasileiro que trabalha em Hollywood participe da festa, e nós mesmo prometendo nunca mais perder tempo assistindo a grande Festa do Cinema Americano, ficaremos ansiosos e na torcida pro ganhar aquela estatueta dourada!

Aí os argentinos a roubam para derreter!

Ainda estou tentando catar adjetivos que caibam na minha enorme admiração pelo que foi projetado na tela grande daquela sala fria, desconfortável e mal cheirosa. Bonequinho em pé, em cima da cadeira, aplaudindo e pedindo ao operador do projetor para passar tudo de novo…

Antes de sair de casa já sabia que teria uma experiência cinematográfica, no mínimo, completa. Estava ansioso para ver esse filme! Se há um diretor em atividade que consegue mexer de verdade com minhas emoções, ele é Lars Von Trier. “Dogville” é uma obra-prima, um filme diferente, sobre um tema recorrente, realizado de forma contundente. Trata-se da letra “U” de uma trilogia chamada “USA”, onde o diretor, dinamarquês, de certa forma implica com os Estados Unidos e seu way of life.

Lars Von Trier sempre foi conhecido no meio cinematográfico pelos extremos de suas obras. Na sua maioria, são filmes que priorizam interpretações fortes, roteiros bem bolados e experimentações cênicas. Foi ele um dos idealizadores do movimento Dogma 95, uma espécie de resposta nórdica ao vazio existencial e de conteúdo das produções hollywoodianas que fecham espaço para novas convenções cinematográficas. A idéia era filmar sob algumas regras, dentre as quais: não creditar os filmes; filmar apenas com iluminação natural; gravar em câmeras digitais; não utilizar trilha sonora e abandonar qualquer recurso de efeitos visuais. O resultado desse manifesto foi a realização de filmes primorosos, como o sórdido “Festa de família” e o perturbador “Os idiotas” – este último, de Von Trier.

Como era de se esperar, “Dogville” trata de uma história forte, densa, complexa, que mexe invariavelmente com o emocional dos espectadores. Tem gente que sai no meio, outras desviam o olhar da tela em algumas cenas e poucas (acredito que sejam aquelas que vão para ver um filme de Nicole Kidman e entram desavisadas) reclamam tratar-se de um filme doentio. Von Trier nos apresenta a história de uma jovem, Grace, fugida de gangsters e procurada pela polícia, que encontra refúgio na aparentemente pacata Dogville. Os moradores do local aceitam esconde-la, e ela passa a fazer pequenos favores para retribuir sua gratidão. Porém, à medida que as buscas por ela vão se intensificando, os moradores de Dogville vão mudando seu comportamento. O filme está divido em nove capítulos e um prólogo, e dura exatamente três horas. Não podia ser menos, nem mais que isso. É perfeito.

Dessa vez, o diretor experimenta uma direção que dispensa cenários. Casas e ruas são marcadas no chão de um palco italiano, onde portas imaginárias são abertas e um cão feito de giz late. Depois da estranheza causada por essa pobreza de cenário, passamos a ser testemunhas do que vai acontecer ali. O nível de relação entre atores e cenografia é perfeito. Durante os intervalos de gravação, realizada em um galpão fechado, os atores eram proibidos de passarem pelas “paredes” e tinham que abrir as “portas” para se locomoverem.

Conclusões: “Dogville” é um filme essencial, diria até obrigatório, para quem gosta de cinema; e Lars Von Trier é um dos grandes realizadores, diria até provocadores, de nosso tempo. E gratificante perceber que ainda há diretores que mantém a arte cinematográfica verdadeiramente viva, cuidadosamente preparada à cada fotograma, impregnada nas retinas. Assistir a “Dogville” é ter a certeza de que aquela magia do cinema não desapareceu. E para isso não foi preciso cenografia complexa, locações grandiosas, efeitos especiais…

Tira a guitarra do case, põe a guitarra no case: quem pensa que vida de música é moleza, está redondamente enganado. Ser músico, assim como ser médico, advogado ou engenheiro, exige muito estudo e dedicação. Um músico que não estudo tende a errar e repetir os mesmo erros em cada performance. Até piorar, dependendo do relaxamento do “profissional”. Ok, ok: 90% dos músicos brasileiros são músicos autodidatas. Eu sei que alguns vão dizer que Pepeu Gomes é um monstro na guitarra e não sabe o que é um Dó Maior ou um Si Menor, tudo bem, tudo bem. Mas imagine se esses caras tivessem aulas de teoria musical, soubessem o que são mínimas, colcheias, fusas, fermatas e staccatos. Imagine, por um momento, se esses músicos fabulosos dominassem a teoria musical. Em quantas vezes a grandeza desse material intuitivo poderia se ampliar? Em zero ou em milhões, quem sabe?

Música é difícil e ser músico exige demais do profissional: não que fazer uma cirurgia cerebral ou projetar uma rodovia não sejam difíceis (são e muito!), mas acho que subir em um palco ou banquinho é muito mais difícil. Antes que os curandeiros e projetistas de plantão – Arq, por favor me defenda – acho que além de atenção e estudo, a música exige feeling e feeling não se aprende na escola. Aliás, o feeling não se aprende com ninguém: o feeling cresce dentro de cada um na batida do bumbo, na marcação do contrabaixo, nos bends da guitarra, na sedução do saxofone. Feeling não é só sentimento. Feeling é tesão puro. Pela música, pelo instrumento, pelo palco, pelas luzes, pelo momento. Um músico sem feeling é como amor sem beijo ou como churrasco sem cerveja gelada: não é nada.

E quem pensa que é só de conhecimento e sentimento que se faz um músico, enganou-se: paciência é a maior virtude de um músico. Paciência para trocar tardes de sol por tardes de estudo, paciência para tocar o que agrada o público e não o que alimenta a própria alma (no caso dos músicos de bar) e, mais do que tudo,.paciência para aturar e perdoar aqueles que acham que, por causa das tulipas e madrugadas viradas, nosso trabalho não é uma profissão.

Ser músico é cantar e encantar. Com a cabeça, o coração e o espírito. Tão simples e tão complexo, não? Ah, como eu adoro o meu trabalho.

Quando crianças/adolescentes, uma enxurrada midiática e literária tenta nos mostrar a beleza do amor (entre homens e mulheres). Aprendemos que para cada um de nós, há a tampa da panela, a outra parte. Uma pessoa reservada especialmente para nós, com quem nos casaremos e viveremos felizes para sempre.

Na adolescência, começando a enxergar com nossos próprios olhos, começamos a desconfiar das antigas crenças. As primeiras decepções amorosas (ainda que nem se saiba ao certo o que seria isso) parecem nos questionar sobre a legitimidade de um grande amor. Mais que isso, ao ver pais se separando, sendo os nossos ou de amigos, nos perguntamos: se eles eram tampa e panela, porque se separaram? E se não eram, como viveram metade da vida juntos?

Saímos dessa querendo apenas acreditar que amar é bom. Nem ao menos ser correspondido importa. Basta cultivar aquele sentimento intenso e sonhar com um amor utópico. Vale até se apaixonar por uma estrela da televisão.

Mais adiante, eventualmente, um destes amores platônicos se torna real, e por termos idealizado tanto a pessoa, a frustração é inevitável. Ou então a renúncia para estar com aquela pessoa que tanto amamos é tão grande que acabamos esquecendo que também nós precisamos ser amados. Nesse momento, mais importante que estar ao lado de alguém que amamos, é estar com que nos ama.

Calejados, chegamos à fase adulta com a amarga sensação de que aquele amor idealizado não existe. Bom mesmo é um relacionamento onde haja respeito, carinho, amizade e tesão. Talvez o amor em si seja isso mesmo. Se não for, não sei o que é, e nem se ele realmente existe.

Peço perdão antecipado caso eu pise no calo de qualquer um que leia estas minhas palavras: não sou de mexer em ninho de vespas, mas no fundo, sempre quis falar sobre o tópico do meu texto de hoje, a manipulação da fé.

Claro que a manipulação da fé não vem de hoje e todo mundo sabe disso: as belas igrejas européias da Idade Média, ornadas de forma rica não foram assim feitas apenas com a doação de fieis abastados, mas também com coletas impostas e ameaças de danação eterna. Sem falar no confisco de terras, animais e propriedades em geral dos que eram considerados hereges: todos aqueles que tinham um pingo de juízo e amavam sua carne, temendo a fogueira, cediam à cruz e ofertavam seu dinheiro à Igreja.

Pecados? Faça uma oração e deposite seu dinheiro no caixa. Vivemos dias modernos, mas essa regra vem de muito tempo atrás. Ora, onde está a lógica nisso, se o pecado vem do mau pensamento e não do bolso? Penso eu que o pecado só está perdoado quando se há arrependimento verdadeiro da parte do pecador. Então é só pagar 15 peças de ouro por cada pessoa que eu matar que eu tenho direito ao reino do Céu? Ou 5 peças de prata e posso desonrar à vontade pai e mãe? Ou eu pago um qualquer e nas horas vagas adoro algum ídolo de barro e fico livre da ira da divindade que gosta de atirar os que vão contra suas Leis ao fogo, à danação, à eterna penitência? Ora, eu sei que uma casa necessita de reparos, de manutenção. E acho nobre da parte de quem a freqüenta abrir mão de qualquer quantia (desde que não seja extorsiva) para uma pintura nova, reparos nos bancos ou uma restauração de alguma imagem sacra, até para a gasolina do Fusquinha do sacerdote, vá lá. Mas quantias obrigatórias de 3 dígitos, porcentagem fixa em cima da renda mensal do fiel? Ora… e quem não tem renda? Não tem direito a freqüentar a casa do Senhor? Pensem sobre isso: alguém já viu mendigos em alguma missa ou culto?

Outra: a culpa de tudo é do Diabo. Se um homem casado trai sua companheira de 30 anos com uma garotinha de 18? Se uma mulher rouba os filhos de outra mulher? Tudo culpa do Diabo. E só pode ser, já que o homem é puro de coração e incapaz de fazer mal a seus semelhantes. Ora, todo mundo sabe que o homem comete atrocidades contra tudo e contra todos desde que o mundo é mundo. E chega a ser risível imaginar um imortal que não tem mais nada a fazer além de arquitetar meios de corromper o nobre coração humano. Mas é risível para mim, que tive estudo, que li. Pode ser risível para vocês, que são cabeças pensantes – concordando ou não com o que está escrito neste texto. Entretanto, para o simplório que nunca foi à escola, que nunca leu um livro e que não pode fazer isso por não ter dinheiro ou tempo, existe um Mal nos fazendo de marionetes, existem explicações baseadas no humor divino para cada contratempo que vivemos, existe parcelamento de lotes celestiais com vista para a Criação.

Dizem que a fé é a melhor coisa que um homem pode ter. Concordo que é ótimo ter fé, mas discordo ser a maior benção que nos foi dada: o conhecimento fica bem acima, pois é o conhecimento que nos mostra onde que podemos ou não depositar nossa fé e o que nos impede de nos tornarmos apenas ovelhas em um rebanho conduzido por um mau pastor.

Mais uma vez, desculpe se ofendi alguém.

Há alguns anos atrás, não saberei precisar a data, uma pesquisa revelou que, na maioria das vezes, quem “vence” na vida não são aqueles “melhores alunos” da escola. Claro que os piores também não poderiam ir muito longe. Aqueles que realmente sobem e assumem cargos de chefia em empresas e ganham muito dinheiro são os que eram medianos nos estudos. Aqueles que, embora não fossem totalmente relapsos nos estudos, viviam bagunçando, eram queridos por todos e amigos de todos. Não se destacavam nas provas, não eram nerds, e viviam escorregando em algumas matérias, conseguindo escapar da reprovação por um triz.

Este resultado não me surpreendeu nem um pouco. Embora eu não saiba identificar muito bem o que é causa e o que é conseqüência, o fato é que o perfil daqueles que tiveram bom desempenho escolar na infância é de uma pessoa mais fechada. Salvo exceções, estes são os que despendiam maior tempo estudando e, ou agiam assim por serem mais fechados, tímidos, quietos, ou acabavam se tornando um pouco assim por agirem desta forma. Já aquele aluno mais falante, bagunceiro, o ´figura´ da turma… Este tem carisma, tem muitos amigos. Aprendeu talvez a coisa mais importante, que é lidar com as pessoas. Quase sempre é alguém com este perfil que tem espírito de liderança, e tem o respeito de todos.

Quem está no mercado de trabalho, já deve ter percebido que quem se dá melhor e tem as melhores oportunidades não são aqueles que sabem mais, que tem um conhecimento técnico mais elevado, que são mais competentes. Não importa o quanto você sabe, e o quanto você estudou. O que mais conta para uma promoção profissional é o nível de responsabilidade que a pessoa pode suportar, a liderança que esta pessoa exerce sobre as outras.

Não posso dizer que isto é errado. Talvez seja injusto. Talvez o salário ao menos devesse ser idêntico, para quem faz e para quem manda fazer.

PS: Este que vos escreve está entre os que sempre foram bons alunos e tem a convicção de que nunca vai estar num cargo top, pela absoluta falta de capacidade em comandar pessoas e ações. Minha esperança é vir a ser tão bom tecnicamente que, se é pra ser subordinado, que pelo menos seja de uma p… empresa que pague muito bem.