Ai é assim, você resolve escrever, de verdade, faz toda uma opção de vida de caráter definitivo, rejeita frivolidades, pega toda tua fé naquilo que acredita e se expõe. pelo menos pra mim é assim, não consigo escrever se não for de mim mesma. e de repente no meio do caminho você se entrega totalmente. Conhece essa absurda tarefa de escrever num país com milhões e milhões de analfabetos (…) um analfabetismo funcional e habitual de gente que de duas uma: não entende o que você escreve ou distorce aquilo que você diz.

Porém a uma certa altura da vida, em um dia qualquer , eles aparecem, os supostos amantes do teu trabalho, e você se delicia, abre o peito e conta aos poucos teus medos, que você também é de carne e osso, que muitas vezes chora muito, horrorizada com a crueldade da Terra, ai alguns dias você descabela, fica bêbada – sim queridos, porque um escritor se é muito bom escritor, tem mesmo que beber – porque se ele é muito bom, ele sente muito diferente do açougueiro da esquina, do príncipe boboca também, ele sente o fundo dilatado, sofre de compaixão e impotência, vê todos os canalhas do Planeta cometendo atrocidades, conhece todos os métodos do poder para aniquilar esperanças

Então, os amiguinhos que te amavam, a essa altura depois desta exposição já te acham um lixo e dizem pros outros que ainda te amam, mas de forma diferente. Pois é, vai conviver com o gênio e aí você vai ver como ele é. “Bizarro?” “Põe bizarro nisso! E como é que vocês queriam que fosse, ele escreve coisas geniais? Certinho, arrumadinho, abstêmio, fino, dissimulado, pactuando com elegância com todos os ignóbeis donos da miséria e do Poder?”

me desculpem, mas hoje eu vim pra guerra de vermelho. Vim atear fogo na terra e quero mais é que ela QUEIME!

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