– Bom dia! Em que posso ajudá-lo?
– Bom dia. Eu trabalho no setor de vendas e fiquei sabendo que abriu ou está para abrir uma vaga de gerência… eu gostaria de me candidatar ao cargo.
– Sim, sim… essa vaga na gerência abriu faz dois dias e resolvemos dar prioridade ao pessoal que já trabalha aqui dentro. Vou preencher um pequeno formulário com os seus dados e encaminhar à diretoria. Como é mesmo o seu nome?
– Paulo, mas a grafia é um pouco diferente.
– Tudo bem, é só soletrar.
– A-N-D-R-É.
– Como???
– A-N-D…
– Isto é alguma brincadeira? Foi o Rogério do departamento financeiro que mandou você vir aqui gastar o meu tempo, rapaz?
– Calma, calma, não é brincadeira. Como eu já disse, a grafia do meu nome é um pouco diferente…
– Um pouco? É completamente diferente!
– Pois é, o sonho do meu falecido pai (que Deus o tenha!) era que seu filho tivesse um nome único, mas como ele não conseguiu pensar em nenhum nome completamente original e ele detestava as alterações comuns na grafia dos nomes que a gente vê no dia a dia – como Luís e Luiz – ele resolveu que ia reinventar a grafia do meu nome, compreende?
– Em parte, eu acho, mas isso é absurdo. Em nenhum lugar do mundo “Paulo” pode ser escrito daquele jeito.
– Se o senhor pensar bem, vai ver que até tem um pouco de lógica. Como o senhor sabe, em alguns países as letras têm sons diferentes sob certas circunstâncias, concorda?
– Bem, em inglês o “H” tem som de “R”, no hebraico “J” tem som de “I”…
– Foi baseado nisso que meu pai me batizou. O “A” com som de “P”, o “N” com som de “A”, o “D” com som de “U”, o “R” com som de “L” (essa eu acho que ele tirou do Cebolinha, meu pai adorava a Turma da Mônica,) e o “É” com som de “O”. Claro que houve empecilhos: Minha mãe achou que meu pai estava ficando maluco e quase se separou dele, o padre da nossa paróquia por pouco não realiza o batizado, sem contar a grana que meu pai gastou para molhar a mão do escrivão no cartório. Às vezes, como hoje, essa grafia me traz alguns probleminhas, mas é a vontade do meu falecido pai (que Deus o tenha!) que este seja o meu nome, então assim será.
– Meu Deus, que história impressionante!
– Se pensarmos bem… sim, é uma história impressionante, sim.
– Ok, então vamos ao formulário. A-N-D-R-É… Paulo, como a vontade do seu falecido pai. E o sobrenome?
– É, Godoy, senhor: B-R-A-G-A…

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