Eu sou assim mesmo….tímida e exagerada.

Falo baixo com medo de repressão, mas grito pois não sei ser de outro jeito.
Finjo que não quero, só para não me expor.
Fujo com medo de perder…corro atrás para não deixar fugir.
Faço graça quando fico sem graça…falo sério quando o coração bate forte.
Eu sou assim mesmo…desse jeitinho atrapalhado, mas sempre EU!

Medo.

Medo de tentar, de errar, de se iludir…Medo de dar certo.

Medo de ficar sozinha, de não saber estar junto…Medo de
sonhar demais.

Medo de querer, de desesperar, de não saber…Medo de não
perder o Medo.

Toda vez que me pego a falar sozinha
É a você que me dirijo
Toda vez que me pego a pensar em alguém
É em você que me inspiro
Toda vez que me pego a escrever sem querer
É pra você que dedico
Toda vez que me pego a sonhar acordada
É com você meu delírio

Posso não vê-la
Mas sei quando aqui estás
Seu cheiro,
Seus passos,
Seu calor

Posso não vê-la
Mas adoro quando estás comigo
Seu perfume,
Sua voz,
Seu toque

Posso não vê-la
Mas adoro seu sabor
O contorno do teu rosto
Suas mãos
Seu amor.

 

23 de janeiro daquele ano
Tarde quente da quarta-feira
Na praia, um sorvete de goiaba
Areia entre os dedos
E vento nos cabelos
O azul dos olhos dele
Disse-me em silêncio
Que o mar nunca foi
Ou sequer um dia será
Maior do que o amor
Que ele me tem no peito

Os papéis estão caindo
As máscaras quebraram
As flores foram embora
Eu não sei o que fazer
Eu não sei mais o que dizer
O baralho foi cortado
Os cães estão latindo
Todas as pessoas choram
Eu não sei o que fazer
Eu não sei mais o que dizer
Perdidos, achados
Eu não encontro as verdades
É fevereiro, o ano inteiro
Não dá mais, não dá mais, não dá mais
Onde foram todos?
Onde estão os copos, os cacos?
Onde estão os fatos?
Mentira! Eu não sei!
O caixão está descendo
A cova está fechada
As pessoas foram todas embora
Não há lágrimas
Não há! Mais nada!