(uma pequena homenagem às futuras mães)

Olha
O ventre começa a salientar
E o brilho em teu olhar
De alegria, nos molha

Sente
O aviso dentro do ti
Leva as mãos ao rosto e sorri
Pelo enraizar da tua semente

Pensa
Quando ultrapassar o primeiro passo
E na simplicidade de um abraço
Todo sonho toma forma e se condensa

Explode
Teu coração em pranto
Quando o choro se tornar canto
E as lágrimas a mais linda ode

Oriente
O crescer dos frutos que virão
Pois sua maturação
Depende do amor que recebe a semente.

<play>Joni Mitchel – A Case of You</play>

Porque me faltam palavras, e mesmo se houvessem, seriam poucas.
Porque escrevo com pieguice e retomo minha adolescência imatura.
Porque tenho que parar de falar para tomar mais um gole de oxigênio.
Porque minhas mãos tremem em seu corpo e fogem a meu comando.
Porque minha perna fica bamba e me deixa exausto, mesmo parado.
Porque minha voz cala e meu coração dispara forte a sair do lugar.
Porque o calor do meu desejo congela a intenção dos meus sentidos.
Porque você me encharca e eu me contraio como quem foge da chuva.

Porque meu amor é grande demais
E meu coração é pequeno demais
Para tanta imensidão.

Por isso te amo tanto.
Por isso não consigo expressar.
Por isso, ainda, espero que acredite.

<play>Diana Krall – The Look of Love</play>

Encerra em mim sua fala.
Cala em minha boca e despeja
o perfume de rosa que exala
a alguém que muito deseja.

Dispa seu ombro, seu seio,
e toda a veste derrama.
Desata seu nobre anseio.
Mata sua sede de cama.

Confia seu dorso a meu braço.
Cola em meu colo sua tez.
Reduza entre nós o espaço
e aqueça ao calor da nudez.

Não reprima seu gemido,
mas deixa-o me revelar
todo o gozo sentido
no ápice do amar.

Beba do meu sangue, neste cálice de vinho
Perceba que eu vivo sozinho
Mas não por minha livre decisão

Prove o meu pensamento, cálice de vinho
Entenda o traçado do meu caminho
Mais uma imposição

Reflita sobre mim, cálice de vinho
O porquê da minha volta ao ninho
Minha gratidão

Sinta minha agonia, cálice de vinho
Dê-me um pouco de carinho,
Um pouco de atenção

Regue minhas folhas, cálice de vinho
Sem tua água eu definho
Sem você eu não broto, não

Toque o meu corpo, cálice de vinho
Toque a rosa sem temer o espinho
Não desejo ferir tua mão

Aceite meu amor, cálice de vinho
Cruze este meu caminho
Aceite meu coração.

Mar de Posêidon
Mar de Yemanjá
Mar que nos dá peixe
Mar que nos salga a pele

A força tua assombra, assusta
Como mudas rápido de humor
A graça tua encanta, espanta
Quando se enche do brilho do sol e da lua

Mar das caravelas
Mar das aquarelas
Mar de jangadas
Mar de gaivotas

Lava, oceano, o corpo meu
Leva, oceano, a saudade minha
Lava, grande mar, a minha alma
Leva, grande mar, o que há dentro de mim.

Confesso que às vezes vejo a chuva cair
E que sempre colo meu rosto à janela,
Esperando que as gotas d’água formem teu nome no vidro

Confesso que às vezes grito teu nome no escuro
E que fico em silêncio quando os pássaros cantam,
Esperando que em cada nota soe como a tua voz

Confesso que às vezes eu me reviro no sono
E que acordo no meio da madrugada
Procurando teu corpo entre os travesseiros

Confesso que às vezes conto estrelas
E que uivo em noite de lua cheia
Procurando alívio onde mora a dor

Confesso que às vezes falo bobagens
E que ofereço o peito às flechas
Procurando um jeito de dizer “desculpe”

Confesso que às vezes giro o tambor
E que sempre puxo o gatilho
Procurando o Céu meio ao Inferno

Confesso que às vezes procuro palavras
E que sempre me vejo em silêncio
Quando tento te dizer “eu te amo”.

Olhos felinos
Brilhando no escuro
Convidativos

Num canto do quarto

Olhos felinos
Confundindo minha mente
Libido

Na beira da cama
Olhos felinos
Caleidoscópico olhar
Sedução
Meio aos lençóis

Olhos felinos
Presas e garras

Mulher
Entre um cigarro e um beijo.