Sinto saudade de você
Quando me pego a falar sozinha
Você é aquele que me entende e
Me explica.
Nunca consegui encontrar alguém
Que concordasse comigo como você
Que me dissesse tudo o que você diz
Sem que pareça obrigado
Se não o é
E nisso tudo há verdade
Você não lembra o que não esqueço
E me recorda o que me falha
Não somos opostos que se atraem
Porque “amar não é olhar um para o
Outro: é olharem ambos na mesma Direção.”

É na madrugada
Quando cessam-se os passos
E o rugir dos motores,
Quando cerram-se os olhos
E as línguas cansadas
No repousar das TVs
E dos velhos discos de vinil,
Ao calar de todo som
E no morrer de toda luz
O silêncio revela sua verdadeira voz.

Onde todos nossos sonhos se perdem

É possível encontrar fantasias rasgadas

De outros carnavais

Os muros que cercam o lugar são rosados

E possuem figuras pintadas em suas faces

São rostos em tons de azul e roxo

Que expressam mil faces e expressões diferentes

As árvores que brotam em seu interior

Só florescem uma vez por ano

E de seus frutos nascem os nossos desejos

Mas logo apodrecem e caem

Deixando-nos a esperar outra vez

Longe da verdade, sem sabermos que

É impossível mantê-los vivos por mais tempo

E, então, devorá-los num só fôlego.

 

Quando finda meu descanso
Dou-te um beijo de bom dia
Teu azul, que irradia,
Acena-me, manso.

Sussuro em teu ouvido:
‘Amo-te pelo que és’!
E no balanço de tuas marés
A certeza de ser correspondido

Do alto do firmamento
A distância só me permite admirar
Como lamento!

Mas as estrelas logo vêm anunciar
O tão esperado momento
De em ti repousar.

O Sol

 

Sopro-te
Respiro-te
Para estagnado sob ardor
Mente fixa

Suposições, alucinações, interrogações
Verdades, visões, certezas
Transporto-me ao vendaval
Faço chover poesia

Rimas incertas, e grafias assimétricas
Notas de música badalam o brochar da Flor
Cores murmuram sobre o preto no branco
Fazendo suprir Primavera, sobre as asas de um Condor

 

Pasmos os incrédulos descrentes
Não dançam a valsa da vida
Pesam mais a monotonia
E cegos ficam para sintonia

Ao cair da noite, leio a luz das sombras
Reluzente arte de brilho da Estrela Lua
Jorra fotografias de raios sob o chão pavimentado
Fazendo virar obras de arte, a artista Rua

Oiço refrões de poemas
Sob o assobio de uma ventania
Vejo que eu e você
Temos tudo, para ser a mais bela Poesia

 

“Você foi embora cedo
Não disse quando voltava
Passou por aquela porta cinza
Com seu amigo vizinho
E se foi…
Querendo olhar pra trás
Mas não podia
Sabia que talvez voltasse
Mas foi embora muito cedo
Foi sem ver a minha roupa nova
Foi sem ouvir meu canto
Foi como que por encanto
Quando dei por mim
Não estava mais lá
Essa sala hoje não é mais a mesma
Não vejo seu chinelo de couro
Sua camisa da Pool
E aquela da moto?
Seu sorriso escancarado
Às vezes meio de lado
Sua certeza de que tudo estava sempre bem
E ai de que não estivesse!
Mas foi embora cedo
E nem viu minha roupa nova!
E nem ouviu meu canto!
E nem disse quando voltava
Sabia que talvez voltasse
Sabia que talvez não voltasse
E você se foi
Foi embora
Muito cedo…”

 

Homenagem ao meu pai que faria 68 anos no último dia 17 de setembro.

 

Entre as certas escolhas da vida alheia. Entre! Seja bem vinda.
Desculpe as mentiras que tive que contar, até encontrar você.
Fingi ser, sentir, amar. Pequei.
No caso de não ser culpado. De não haver culpa. Estávamos apenas nós.
Esperando o momento certo de gritar ao Sol antes que ele se opunha:
Eu finalmente amo! Mesmo que seja de novo e mais uma vez!
E a Lua responde ao pé do ouvido esquerdo, por dentre os dedos macios que acariciam a nuca, sem desvencilhar ao olho, no olho:
Você sempre amou a pessoa certa. Crisálida…