Falta coragem.

Falta certeza.

Com a mesma facilidade que vem o riso, chega o choro…

Algo não está certo!

Falta ação.

Sobram vontades, planos, sonhos…

Falta ação!

Alego reticente

A vossa senhoria

Que não há mal intento

Em minha cantoria

Se há ledo engano

De fato não haveria

Ao som desse canto

Toda noite todo dia

Se de ti fosse eu

E você minha alegria

Secaria meu pranto

Romperia o encanto

Encolheria num canto

E jamais cantaria

Se puder, ouça essa música antes ou durante a leitura. http://www.goear.com/listen.php?v=33f53d3

Doce solidão, ela tem mãos preciosas
que iluminam as composições dedilhadas
Receio que o pianista toca como escrevemos
Fazendo com que luzes de sua nova canção
Misturem-se à escuridão da noite solitária
Fabricando muitos sonhos de amor e paz
o pianista trabalha sem dormir ao tentar
Solucionar todos os problemas do mundo
Lamenta-se com as mãos mais que calejadas
Seguindo seu destino, ele consegue criar
Silenciosamente mais uma canção frustrada

*Como se o destino de um grande pianista fosse conseguir a paz

(Quarta, 17 de Outubro de 2007)

Nos olhos ainda queima a morna chama das guerras seculares.
A alma.
Suor e sangue de exércitos tantos que lutaram por grandes reis.
Nobres ideais.
Eram as incessantes batalhas mortificando famílias inteiras e o tilintar de espadas se enfrentando que abriam passagens eternas pela carne humana.
Ainda sangra.
E a inesgotável força advinda de uma admiração incondicional, quente e fulgaz, veste uma armadura nobre refletindo coragem, pensa.
Pura devoção.
Obediência aos imperiosos reis e suas precisas ordens, ecoando por largos salões de ouro e rubis.
Cegueira.
Esse guerreiro tem certeza de que vive.
Engana-se.
Eu digo que ele vaga perdido pelo mundo.
Que busca sua quase glória nas grandes vitórias do passado findo, nas suas batalhas perdidas, talvez, e ainda mais no amor que lhe foi arrancado à força da voz de um mufino rei.

E voce, obedece ao seu rei? Ou pensa ser um?

Como eu queria morar em um rio…
Não às margens, mas submerso
E ficar por lá o resto dos meus dias
Esquecendo tudo que dói

Flutuando

Esquecendo os dias de chuva
Esquecendo os dias de luta

Flutuando

Nascemos sem guelras
Nascemos sem fôlego
Nascemos sem escrúpulos
Nascemos sem compaixão

Flutuando

Não, eu não queria o céu
Não o céu de jatos e fumaça,
De relâmpagos,
De chuva ácida,
De cogumelos atômicos

Prefiro as águas claras do rio
Sem tristeza, sem ilusões,
Sem escuridão, sem dor
Onde posso passar o resto dos meus dias

Flutuando.

Porque ele é poesia.

Porque lança olhares
E sorrisos
Que compõem a estrofe mais mágica
Que já existiu.
E seu riso
É de fazer rir o coração.

Porque seus abraços
Encaixam
Como rimas.

Porque seu corpo
Tem a harmonia
De rendondilhas.

Porque seu toque acalma
Ou agita.

Porque ele me faz bem.

E eu não me atrevo a escrever além
Desses versos sem métrica
Pois ele
É que é a poesia.