Corra, menina! Corra num pique só
Sem olhar para trás para saber o que há
Corra, que a caneta vermelha vem aí
E com ela, menina, não tem pão-de-ló
Vá para longe, para casa, esconda-se por lá
Porque se aqui você ficar, ela não vai ter dó:
Ela vai lhe deitar bem na pedra da mó
Então vai lhe varrer para dentro de uma pá
E depois que você virar pó
Ela vai lhe assar, até você virar pão

Passa fora, garoto! Não fique de história
Que a caneta vermelha não tem nada otária
Ela vai apitar como um comboio ferroviário
E lhe jogará no ar, com um baque notório
Então vai rabiscar sobre você a própria glória
Acredite: ela não vai fazer mistério
Vai lhe pintar como um infame corsário
E a torcida gritará, em coro, o velho impropério
Já que no time dela não joga simplório
Lá só joga quem tem o futebol do Romário

Chispa, moleque! Está esperando o quê? Mágica?
Antes de fugir para o mato, encare o lógico:
Cogitar uma vitória chega a ser ridículo!
A caneta vermelha é uma força titânica
Sua rubra ponta guarda o poder máximo
Capaz de esmagar a própria dialética
E quem não tem, moleque, um escudo bem sólido
Contra ela não tem sequer uma chance ínfima
Então tente não ser um pobre-diabo crédulo
Pois não existe força a ela equiparável em nosso plano físico

Corra, corra que a caneta vermelha vem aí.

Eu abri a janela
Olhei a lua lá fora
sem querer roubei o brilho dela
agora posso arrumar minhas malas
e ir embora
largo tudo amanhã
dou inicio a uma nova vida
sem você
somente eu mesma
sem janelas
nem portas
nem frestas
apenas eu
e a lua

Terra
Um nascimento.
Dois brinquedos no Natal. Três meses de férias.
Quatro recuperações.
Cinco anos na faculdade. Seis namorados fixos.
Sete taças de vinho.
Oito viagens pelo mundo. Nove netos nascidos.
Céu

(Terça, 24 de Outubro de 2006)

Pro teu silêncio ficar azul da cor dos meus pensamentos
Pra música ficar mais alta, tão alta quanto minhas vontades
Pra fazer tuas mãos correrem a imaginação das curvas, sentirem o perigo do desconhecido, saberem a ânsia do novo
Pros provérbios e os ditos calarem os outros
Pro futuro ficar atônito e deixar-se emudecer
Eu escondi as palavras pra tua boca ficar muda
E eu enchê-la com um beijo inteiro

Com um trapézio mágico quero voar, para depois pousar num campo de flores…lindas e cheirosas flores…

De compania somente o vento e a música dos pássaros…

Embalada pela magia descansarei minha alma e me esvaziarei de qualquer sentido, de qualquer razão…

Leve…quero ser…leve-me…com você!