Ele estava encostado no canto do quarto, com aquele sorriso congelado no rosto. Ela estava um pouco mais adiante, do outro lado, de onde era possível notá-lo e fazer-se notar. Imóvel, deixava as pernas roliças e brilhosas à vista.

Ambos eram lindos. Arquétipos da beleza e da força. Vestiam pouca roupa, deixando às claras as intenções de sensualidade e provocação. Ele de sunga apertada, dorso nu e calçado vermelho. Ela, com um top de decote generoso, saia rendada, cabelos soltos e salto alto.

Passaram horas em silêncio. Um mirando o outro, na iminência paciente que precede o movimento. Foi então que ele resolveu agir. Avançou em cima dela com toda a virilidade disponível e aguardou reciprocidade. Porém, ela resistiu. Virou a cabeça e tentou afastá-lo com seus pequeninos e frágeis braços.

Um jogral angustiante começou a ganhar força. Ele, grave, investia. Ela, aguda, pedia socorro.

Quando a menina chegou ao quarto, lá estava o He-Man em cima da Barbie, quase arrancando suas roupas. Ela retirou com violência os dois bonecos da mão do primo mais velho e o interpelou com veemência:

– Não vou tolerar esse tipo de agressão, ainda mais levando em conta que meu tio é ventríloquo.

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