“Nada de nós dois como balinha tamarindo, um azeduro preto, envolto barato. Esses contratos sexuais: casamento, juntos para sempre até que aborte e nos separe. Fidel e fidelidade, provas de amor e eu querendo juntar você num meia-nove numa década de sessenta; Soma perfeita, dormir um mais um e de manhã, tesão ou cócegas. Não realizar nada, tarefa alguma. Divagar devagar, sumir a pressa. Estar disponível sem estar vulnerável (ou abrir o peito e deixar o golpe entrar).

[Rubens e Andrezza – Tricúspide]

Eu adoro textos assim sabiam? Em suas linhas temos diversos temas emaranhados, amarrados que conseguem fazer crescer toda a situação em nossas mentes. [ – mocinha do que você está falando? Calma! Vou explicar]. Quem conhece os relacionamentos de hoje em dia está entendendo do que estou falando, nada de namoros sérios, nada de relacionamentos eternos. Tudo vira uma questão de momento, os relacionamentos Carpe Dien, e se duram muito, não ultrapassam o casamento. Mesmo com filhos a mulher é muito mais mulher quando consegue criar seus filhos sozinha. E o homem é muito mais homem se conseguir conquistar várias ao seu redor.

O texto acima é um paradoxo de um momento histórico passado, onde existia o NAMORO de PORTÃO e o momento atual regado de curtos momentos de prazer é a novidade: Relacionamentos-fast-food. Que são aqueles que precisam de pouco tempo para o “consumo”. São express. Come-se. Não degusta-se. A fome volta logo e dá vontade de experimentar outro “fast food” logo em seguida.

Ao mesmo tempo o texto se contradiz ao nos remeter a uma imagem de um casal juntos na cama de manhã, tesão e cócegas. Dormir junto, acordar junto, coisa de relacionamento duradouro e não relacionamento fast food. Uma mistura textual de humor e paixão [ou tesão?]

O autor que deseja um relacionamento duradouro, não quer estar vulnerável. Uma brincadeira de palavras, um jogo de idéias. Várias entrelinhas e um gostinho de quero ler mais sobre isso..ou não?

Decidi colocar este texto porque no fundo acredito que a maioria dos jovens e até mesmo os não tão jovens vivem um momento parecido. Estar aberto ou não à um relacionamento duradouro? Querer ou não acordar de manhã e AMAR alguém? A palavra amor vira conflito, e as vezes até casos de vida ou morte [qual adolescente que nunca pensou em se matar em nome do amor?] O medo de sofrer ou de ficar sozinho percorre cada parte do corpo, seja ele masculino ou feminino, percorre porque entristece, porque corrói. Todos com um enorme medo de trocar momentos maravilhosos de alegria por momentos de tristeza.

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: “eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”. No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração “tribalista” se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria diz que não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim, por um tempo, um ciclo um período na vida.

E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e viver um sentimento… É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também… É não ser livre para trocar e crescer… É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão”.

Ps. O texto em itálico não é de minha autoria, eu encontrei ele dentro de um blog sem o nome da autora.

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