Hoje não vou chorar
Vou chover
E vou escorrer pelo vidro da janela
Descer pelo telhado batendo em lata
Escurecer o céu como quem o apaga
E não vai embora

Vou me desfazer em pingos pequenos
Por entre lábios
Deslizando por tuas costas
Contornando pensamentos
Envolvendo os teus dedos
E provocando teus desejos

Vou chover de mansinho
Em silêncio
Como quem chega sem convite
No meio de um suspiro
Na fração de milésimo do escuro de quando o teu olho pisca
E o meu canta

Vou chover de perto
Sobre teu cabelo
Dentro de teu quarto
Te encharcando pelo avesso
Fazendo de minhas mãos o começo
E do teu peito meu berço

Hoje não vou chorar
Vou chover
E me desabar em tempestade

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